12 tramas de Game of Thrones que a série nunca explicou completamente

Milhões de espectadores assistiram ao episódio final de Game of Thrones em maio de 2019 na expectativa de respostas que jamais chegaram. Mesmo com batalhas grandiosas e dragões em computação gráfica, a produção concluiu sua oitava temporada ostentando apenas 30% no “Popcornmeter” de mais de dez mil avaliações de usuários, indicador que ilustra o descontentamento geral. Ao longo de oito temporadas, a narrativa abriu frentes complexas, apresentou mistérios sobre religião, profecias e política, mas encerrou seu ciclo com lacunas substanciais. A seguir, as 12 tramas que permaneceram sem explicação definitiva.
- O impacto das tramas não resolvidas em Game of Thrones
- O enigma do Senhor da Luz em Game of Thrones
- A profecia de Azor Ahai permanece aberta
- Os poderes e as intenções de Bran Stark
- O objetivo profundo do Rei da Noite em Game of Thrones
- A ausência de resolução para Tysha e Tyrion
- O destino dos Homens Sem Rosto e de Arya
- A revelação da linhagem de Jon Snow perde efeito
- O pacto de Craster com os White Walkers
- Os padrões espirais deixados pelos White Walkers
- A estabilidade política sob o reinado de Bran
- O vácuo de poder nas Terras Fluviais
- As profecias de Quaithe a Daenerys
O impacto das tramas não resolvidas em Game of Thrones
Antes de detalhar cada ponto, vale recapitular o contexto. Até a sexta temporada, a série entregava drama humano, intriga política e mitologia consistente. Contudo, nos anos finais, determinadas linhas narrativas foram descartadas ou minimizadas. O resultado foi uma sensação de fragmentação: personagens se comportaram de maneira incoerente com sua construção prévia e mistérios anteriormente realçados ficaram sem conclusão. Essa discrepância alimenta, até hoje, debates sobre planejamento, ritmo e prioridades criativas durante a reta final.
O enigma do Senhor da Luz em Game of Thrones
Entre as religiões de Westeros, a fé em R’hllor, o Senhor da Luz, é aquela que mais demonstra poder palpável. Beric Dondarrion e Jon Snow são ressuscitados, enquanto Melisandre recebe visões de eventos cruciais. Diferentemente dos Deuses Antigos, esta divindade age de forma direta, sugerindo uma oposição primordial ao mal representado pelo Rei da Noite. Mesmo assim, a série jamais explica quem ou o que é R’hllor. Profecias atribuídas à divindade – como Azor Ahai e o Príncipe Prometido – não se concretizam, e a natureza das intervenções divinas é deixada ambígua. Ao final, essas ocorrências soam mais como ferramentas de roteiro que como parte orgânica da mitologia.
A profecia de Azor Ahai permanece aberta
A lenda de Azor Ahai descreve um herói ancestral portador da espada ígnea Lightbringer que vence a Longa Noite. Sacrifício pessoal, morte e renascimento compõem o mito, e sacerdotes de R’hllor tratam o relato como fato histórico. Desde a primeira temporada, o público foi incentivado a identificar paralelos entre o herói e personagens vivos. Stannis Baratheon chegou a ser apontado por Melisandre, depois a sacerdotisa transferiu a aposta para Jon Snow. Contudo, nenhuma confirmação ocorre. Quando a ameaça do inverno é neutralizada, não há menção conclusiva sobre quem cumpriu ou não a profecia, nem se ela possuía qualquer validade literal.
Os poderes e as intenções de Bran Stark
Bran Stark atravessa um arco de descoberta mística: aprende a wargar, viaja pelo tempo em visões e recebe o título de Corvo de Três Olhos. O roteiro mostra que ele testemunha a criação dos White Walkers, conversa com Ned Stark jovem e é marcado pelo Rei da Noite. Todas essas cenas sugerem poderes decisivos. Entretanto, quando Bran atinge o pináculo de suas habilidades, a série não define seu alcance: ele enxerga apenas o passado ou também o futuro? Pode influenciar eventos ou é mero observador? Além disso, fica incerto se essa condição sobrenatural motiva sua escolha como novo governante. O espectador termina sem entender a dimensão real de suas capacidades ou seus objetivos concretos.
O objetivo profundo do Rei da Noite em Game of Thrones
Por sete temporadas, o Rei da Noite encarna a ameaça existencial absoluta. Ele lidera um exército de mortos, domina simbologia misteriosa e aparenta invulnerabilidade. Ainda assim, seu propósito nunca é verbalizado. Não se sabe se deseja vingança contra a humanidade, domínio sobre um mundo gélido ou apenas obedece a um impulso destrutivo. O personagem sequer interage em diálogo, o que impede qualquer clarificação. Eliminado na metade da temporada final por Arya Stark, ele se torna um obstáculo transitório, rebaixando o conflito apocalíptico a mero prelúdio para disputas pelo Trono de Ferro.
A ausência de resolução para Tysha e Tyrion
A juventude de Tyrion Lannister guarda a lembrança traumática de Tysha, apresentada a ele como prostituta contratada pelo pai, Tywin, e por Jaime. Na fonte literária, Jaime mais tarde revela que Tysha era uma camponesa que amava Tyrion genuinamente, intensificando o ressentimento do anão pela família. Já na adaptação televisiva, esse esclarecimento nunca acontece. Tyrion permanece acreditando que sua primeira esposa foi paga para enganá-lo, o que reduz o impacto psicológico de suas ações posteriores, inclusive o parricídio. Dessa forma, a camada mais sombria do relacionamento fraterno entre Tyrion e Jaime desaparece da versão exibida.
O destino dos Homens Sem Rosto e de Arya
Os Homens Sem Rosto ganham evidência ao longo de duas temporadas, com ênfase no treinamento de Arya Stark sob a tutela de Jaqen H’ghar. A ordem, sediada na Casa do Preto e Branco, segue um código rígido de neutralidade e adoração a um deus multiforme. Todavia, o interesse específico por Arya é contraditório, pois a jovem não abandona sua identidade. O mentor flexibiliza regras, permitindo que ela carregue a sede de vingança para Westeros. A série nunca esclarece se o grupo tem plano maior, se percebe a ameaça dos White Walkers ou se simplesmente atende a caprichos individuais. No fim, a organização funciona como dispositivo para justificar as habilidades excepcionais de Arya, sem aprofundar sua filosofia.
A revelação da linhagem de Jon Snow perde efeito
Descendente de Rhaegar Targaryen e Lyanna Stark, Jon Snow detém direito legítimo ao Trono de Ferro e protagoniza ressureição milagrosa. Apesar da relevância política e religiosa desse segredo, a repercussão interna é mínima. Jon não reivindica a coroa, pouco reflete sobre o peso de sua identidade e nenhuma grande facção se mobiliza para apoiá-lo ou contestá-lo. A informação, revelada por Bran e Samwell, acaba servindo apenas de tensão breve entre Jon e Daenerys, sem alterar o curso dos acontecimentos.

Imagem: Internet
O pacto de Craster com os White Walkers
Craster, morador além da Muralha, entrega filhos recém-nascidos ao Rei da Noite em troca de segurança. A negociação levanta questões: os bebês tornam-se White Walkers? Há limite para o acordo? Qual a origem do trato? Nenhum personagem investiga a fundo. Quando Craster morre, a prática aparentemente cessa sem repercussões. Tampouco se descobre o destino dos infantes já entregues, deixando em aberto a logística de reprodução do exército congelado.
Os padrões espirais deixados pelos White Walkers
Desde a cena inicial da série, formas espirais compostas por corpos aparecem como marca registrada dos White Walkers. Mais adiante, aprende-se que os Filhos da Floresta criaram o Rei da Noite, e que esses símbolos lhes pertenciam originalmente. Contudo, não se define se as figuras são rituais religiosos, mensagens intimidatórias ou simples vestígios culturais. Nenhum personagem decifra o significado nem utiliza o conhecimento para vantagem estratégica. A iconografia, portanto, torna-se um detalhe visual sem implicação narrativa.
A estabilidade política sob o reinado de Bran
Depois da destruição de Porto Real por Daenerys, a série mostra um breve conselho em que os lordes elegem Bran Stark como governante. Historicamente, a explosão de uma capital geraria disputa imediata entre Casas rivais, mas a produção exibe aceitação quase unânime. Não se discute sucessão futura, reconstrução da cidade ou oposição popular. Bronn é alçado a Mestre da Moeda, Sansa obtém independência do Norte e tudo parece resolvido em poucas cenas, ignorando as tradições que sustentaram conflitos sanguinários durante oito temporadas.
O vácuo de poder nas Terras Fluviais
A ponte estratégica dos Gêmeos, vital para a Campanha do Norte, ficou sob controle dos Frey após o Casamento Vermelho. Quando Arya assassina Walder Frey e seus descendentes, o castelo e a região ficam sem liderança. Apesar da importância logística do local, não há menção a qual casa assume o governo nem se surge disputa militar pela passagem. Essa omissão contrasta com os detalhes minuciosos de geopolítica apresentados nas primeiras temporadas.
As profecias de Quaithe a Daenerys
Durante a passagem de Daenerys por Qarth, a enigmática Quaithe profere advertências: ir para o norte exige jornada ao sul; tocar a luz requer atravessar a sombra; e um “senescal perfumado” deve ser temido. Tais frases sugerem que cada passo da Targaryen segue roteiro profético. No entanto, a série nunca confirma a identidade do senescal nem conecta diretamente as orientações à trajetória da personagem. As mensagens permanecem em aberto, podendo ser lidas como presságios vagos ou incluídas apenas para criar atmosfera mística.
Essas 12 tramas ilustram como Game of Thrones concluiu o arco televisivo enquanto deixou múltiplas perguntas essenciais sem resposta. A lacuna narrativa segue alimentando debates entre fãs desde o fim exibido em maio de 2019.

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe.
Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

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