Acordo redefine futuro do TikTok nos EUA com novo controle e aplicativo exclusivo

Acordo redefine futuro do TikTok nos EUA com novo controle e aplicativo exclusivo

TikTok nos EUA entra em uma fase decisiva: após anos de embates políticos, o aplicativo firmou um acordo que transfere parte do controle da operação para investidores americanos, estabelece garantias de segurança nacional e prevê a descontinuação do app atual no país até 22 de janeiro de 2026.

Índice

Contexto do impasse político envolvendo o TikTok nos EUA

Desde 2020, o TikTok figura no centro das discussões sobre segurança de dados entre Washington e Pequim. Naquele ano, autoridades americanas passaram a questionar se o governo chinês poderia acessar informações de usuários coletadas pela ByteDance, controladora da plataforma. O debate atingiu o auge em agosto de 2020, quando uma ordem executiva da Casa Branca proibiu transações com a empresa chinesa. No mês seguinte, o governo dos Estados Unidos tentou forçar a venda das operações locais do serviço, envolto em ameaças de banimento e várias prorrogações de prazo.

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Em meio a essa pressão regulatória, o aplicativo chegou a enfrentar breves interrupções, inclusive uma remoção temporária das lojas da Apple e do Google no início deste ano. Ainda assim, o serviço voltou a operar normalmente em fevereiro, alimentando a expectativa de um entendimento definitivo. O resultado dessas negociações foi revelado na semana passada, encerrando—pelo menos por enquanto—a incerteza que pairava sobre os cerca de 170 milhões de usuários do TikTok nos Estados Unidos.

Como o novo acordo altera o controle do TikTok nos EUA

O entendimento assinado determina o desinvestimento de parte significativa da operação americana e a transferência de 45 % da participação societária para um consórcio formado por Oracle, Silver Lake e MGX. A ByteDance permanecerá com aproximadamente 20 % do capital, enquanto o montante restante ficará distribuído entre outros acionistas já presentes na estrutura global.

Estimativas citadas por fontes próximas às tratativas atribuem à operação norte-americana um valor aproximado de US$ 14 bilhões. O desenho negocial reflete a exigência do governo dos Estados Unidos de que investidores locais exerçam influência majoritária sobre questões estratégicas, sem eliminar totalmente o envolvimento da matriz chinesa.

Embora diferentes propostas tenham circulado ao longo dos últimos quatro anos, o modelo aprovado evitou a cisão total antes aventada. A solução de participação compartilhada foi classificada por interlocutores do governo como um equilíbrio entre as preocupações de segurança nacional e a continuidade do serviço para a base de usuários.

Estrutura da TikTok USDS Joint Venture LLC e papel da Oracle

Para operacionalizar o novo arranjo, foi criada a TikTok USDS Joint Venture LLC. A entidade ficará encarregada de áreas consideradas sensíveis: proteção de dados, segurança do algoritmo, moderação de conteúdo e garantia de software. Nesse contexto, a Oracle atuará como “parceira de segurança confiável”, função que compreende auditar sistemas, verificar o cumprimento de requisitos regulatórios e proteger o código-fonte replicado em território americano.

Segundo memorando interno obtido por veículos da imprensa especializada, a Oracle já hospeda os dados de usuários dos Estados Unidos em sua nuvem e passará a gerenciar uma cópia isolada do algoritmo de recomendação. A ByteDance continuará proprietária intelectual do sistema, mas não terá acesso direto aos registros de cidadãos americanos nem influência sobre a versão do algoritmo executada no país. Caso os novos controladores queiram atualizar ou aperfeiçoar o código, poderão licenciar modificações da matriz, submetendo cada alteração a processos de revisão técnica supervisionados pela própria Oracle.

O arranjo de governança inclui mecanismos de auditoria recorrente e relatórios obrigatórios ao governo dos Estados Unidos, reforçando a supervisão sobre como os dados são processados, armazenados e, quando necessário, eliminados.

O que muda para os usuários do TikTok nos EUA até 2026

Relatos da Bloomberg apontam que, concluída a transação, o aplicativo hoje instalado em milhões de smartphones será gradualmente descontinuado no mercado americano. Usuários deverão migrar para uma nova plataforma, cujos detalhes técnicos ainda não foram divulgados publicamente. Ainda não se sabe se a experiência de uso sofrerá alterações perceptíveis ou se as funções permanecerão idênticas, mas está claro que qualquer versão futura operará sob a arquitetura e as diretrizes estabelecidas pela joint venture.

O cronograma oficial indica 22 de janeiro de 2026 como a data-limite para o fechamento do negócio. Até lá, o serviço continuará disponível, porém sujeito a processos de migração de infraestrutura, auditorias de segurança e adequações de política de privacidade. A própria existência de um prazo estendido reflete o volume de ajustes técnicos, jurídicos e comerciais necessários para a plena implementação do acordo.

Disputas judiciais anteriores e evolução da posição governamental

As iniciativas contra o TikTok tiveram início no governo de Donald Trump, que em 2020 assinou a ordem executiva mencionada anteriormente. Naquela época, Microsoft, Oracle e Walmart despontaram como compradores potenciais, mas decisões judiciais garantiram sobrevida ao aplicativo, impedindo que a proibição entrasse em vigor imediatamente. O cenário mudou novamente quando o Congresso aprovou, e o presidente Joe Biden sancionou, um projeto de lei que consolidou as preocupações de segurança nacional no texto legal.

Em resposta, a ByteDance ingressou com ação judicial alegando violação da Primeira Emenda—argumento centrado na liberdade de expressão dos usuários e criadores de conteúdo. Embora o processo siga em tramitação, o acordo ora anunciado surge como via conciliatória, reduzindo o risco de bloqueio total da plataforma e oferecendo salvaguardas exigidas pelo governo norte-americano.

Curiosamente, Donald Trump—agora em campanha para retornar à Casa Branca—adotou discurso diferente do primeiro mandato. O ex-presidente passou a defender um modelo de propriedade compartilhada, posição que se aproxima do arranjo final divulgado.

A corrida de investidores para adquirir participação no TikTok nos EUA

Ao longo das negociações, grupos empresariais diversos tentaram assumir o controle ou comprar fatias significativas da operação. Entre eles esteve o The Peoples Bid for TikTok, iniciativa liderada por Frank McCourt, fundador do Project Liberty, com assessoria da Guggenheim Securities e do escritório Kirkland & Ellis. A lista de apoiadores incluía o cofundador do Reddit, Alexis Ohanian, o empresário Kevin OLeary, o criador da web Tim Berners-Lee e o pesquisador David Clark.

Outro postulante, o American Investor Consortium, foi articulado por Jesse Tinsley, fundador do Employer.com, e contava com nomes como David Baszucki, da Roblox, Nathan McCauley, da Anchorage Digital, e o influenciador digital MrBeast. Além desses consórcios, empresas de tecnologia e varejo—caso de Amazon, AppLovin, Microsoft, Perplexity AI, Rumble e Walmart—chegaram a ser citadas como interessadas, assim como investidores individuais, entre eles Bobby Kotick e o ex-secretário do Tesouro Steven Mnuchin.

Apesar da variedade de propostas, prevaleceu o consórcio que alia a experiência da Oracle em infraestrutura de nuvem à capacidade de investimento da Silver Lake e da MGX. As negociações foram intensas, envolveram múltiplas prorrogações de prazo e exigiram interlocução diplomática direta entre Washington e Pequim, culminando em declaração pública de Donald Trump de que o presidente chinês Xi Jinping havia dado sinal verde para o entendimento.

O próximo marco a acompanhar é 22 de janeiro de 2026, data prevista para o fechamento formal do negócio e para o início da transição dos usuários americanos para o novo aplicativo gerido pela TikTok USDS Joint Venture LLC.

OrganizaSimples

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe. Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

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