Amazon e USPS: impasse ameaça romper parceria logística histórica de 30 anos

Amazon e USPS: impasse ameaça romper parceria logística histórica de 30 anos

O relacionamento entre Amazon e USPS, construído ao longo de mais de três décadas, está sob risco concreto após um ano de negociações sem avanço. Fontes próximas às conversas indicam que a empresa de comércio eletrônico considera abandonar o contrato de entregas com o serviço postal norte-americano caso não haja acordo antes do término previsto para 1º de outubro de 2026.

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Amazon e USPS: três décadas de cooperação logística

Desde os primeiros anos de operação, a Amazon recorre ao United States Postal Service para complementar sua rede de distribuição, especialmente na etapa de entrega direta ao consumidor. Essa relação, identificada pela própria companhia como a mais antiga de sua história comercial, sustentou parte decisiva do crescimento da varejista online. Em 2025, por exemplo, remessas originadas na plataforma representaram aproximadamente US$ 6 bilhões da receita total do USPS, valor equivalente a cerca de 7,5% da arrecadação do órgão naquele ano.

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A importância do vínculo também se reflete no volume absoluto de pacotes. Dados da consultoria Pitney Bowes mostram que, em 2024, a Amazon movimentou 6,3 bilhões de encomendas, enquanto o serviço postal transportou 6,9 bilhões. O equilíbrio numérico revela o grau de interdependência entre os dois operadores logísticos, que ao longo do tempo passaram a dividir fatias semelhantes do mercado norte-americano de entregas.

Negociações travadas colocam contrato em risco entre Amazon e USPS

O impasse atual ganhou forma quando a Amazon buscou antecipar a renovação do acordo que expira em 2026. As tratativas, entretanto, emperraram diante da decisão do diretor-geral do USPS, David Steiner, de abrir uma concorrência para os serviços de last-mile. A iniciativa de licitar esse trecho final de distribuição foi interpretada pela varejista como um fator de incerteza operacional.

Segundo relato de pessoas que acompanham o processo, a empresa esperava continuação direta da parceria sem licitação. Surpreendida, passou a enxergar a possibilidade de encerrar o vínculo caso não se estabeleça um modelo contratual que garanta estabilidade e previsibilidade na malha de entregas. O porta-voz Steve Kelly confirmou que a companhia permanece disposta a “ampliar a parceria”, mas acrescentou que todas as alternativas estão na mesa para assegurar que os pedidos cheguem aos consumidores dentro dos prazos habituais.

Impacto financeiro para Amazon e USPS

O eventual rompimento repercute de maneira diferente para cada parte. Para o serviço postal, a perda de US$ 6 bilhões anuais significaria a retirada imediata de uma linha de receita que responde por 7,5% do total. Esse percentual, embora não seja majoritário, é expressivo em um ambiente de margens tradicionalmente apertadas para serviços postais.

Do lado da Amazon, a interrupção obrigaria a realocação de um volume relevante de pacotes. Mesmo já operando uma frota própria de caminhões, aviões e armazéns, a empresa ainda depende do USPS para atender regiões em que o próprio serviço postal mantém capilaridade superior, sobretudo na distribuição porta a porta em áreas remotas. Qualquer solução alternativa envolveria custos adicionais de expansão ou a negociação com outros operadores do setor.

Crescimento da rede própria da Amazon reforça cenário de transição

A varejista vem elevando de forma constante sua capacidade logística interna. Ainda em 2024, contabilizou 6,3 bilhões de pacotes processados por estruturas sob seu controle direto ou sob contrato dedicado. Projeções da Pitney Bowes indicam que, até 2028, a companhia poderá atingir 8,4 bilhões de remessas anuais, superando a expectativa de 8,3 bilhões para o USPS no mesmo período.

O crescimento antecipado funciona, portanto, como amortecedor caso o acordo seja descontinuado. Ampliar hubs, contratar motoristas adicionais e otimizar rotas são iniciativas já consideradas pela empresa, de acordo com Kelly. Cada uma delas, no entanto, demanda investimentos significativos que a companhia preferiria evitar se pudesse manter o contrato em bases previsíveis.

Cenários para o mercado de entregas até 2028

Com a proximidade dos números de encomendas projetadas para Amazon e USPS, o setor de logística norte-americano pode testemunhar uma inversão de liderança. Se a varejista atingir os 8,4 bilhões de pacotes estimados, não apenas ultrapassará o serviço postal como consolidará posição de um dos maiores operadores de entrega de última milha do país.

Esse cenário implicaria redistribuição de participação de mercado e possível pressão competitiva sobre outras transportadoras. Contudo, a evolução depende diretamente da decisão a ser tomada durante as tratativas em andamento. Manter a parceria pode frear a necessidade de expansão acelerada da infraestrutura própria, enquanto a ruptura tende a intensificá-la.

Próximos passos até o fim do contrato em 2026

O cronograma disponível aponta 1º de outubro de 2026 como data-limite para que Amazon e USPS definam o futuro da colaboração. Até lá, a companhia de comércio eletrônico seguirá avaliando cenários para proteger sua cadeia de entregas e, simultaneamente, pressionará por um acordo que elimine a licitação proposta para a fase last-mile. A resposta formal do serviço postal é aguardada pela empresa nas próximas rodadas de negociação.

OrganizaSimples

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe. Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

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