Artemis 2: teste final do foguete confirma prontidão da NASA para novo voo tripulado à Lua

A Artemis 2 acaba de dar um passo determinante para devolver seres humanos à órbita lunar. Em um ensaio que reproduziu todas as fases de uma decolagem real – mas sem acionar motores –, a NASA concluiu o chamado “ensaio geral molhado” e validou a integração entre o foguete Space Launch System (SLS), a cápsula Orion e os sistemas de solo no Centro Espacial Kennedy, na Flórida. O resultado, alcançado na noite de quinta-feira, 19, remove o último grande obstáculo técnico antes do lançamento planejado para o início de março.
- Artemis 2 e o ensaio geral molhado: o que foi testado
- Como a NASA solucionou os vazamentos antes do segundo ensaio da Artemis 2
- Contagem regressiva da Artemis 2: etapas críticas simuladas
- Tripulação da Artemis 2: quem são os quatro astronautas
- Artemis 2 no contexto do programa Artemis e da era Apollo
- Próximos passos da Artemis 2 e possíveis datas de lançamento
Artemis 2 e o ensaio geral molhado: o que foi testado
O ensaio geral molhado simula o quem, o quê, quando, onde, como e porquê de um lançamento. Durante aproximadamente quatro horas, engenheiros carregaram 3,18 milhões de litros de oxigênio e hidrogênio líquidos no SLS, acompanharam a pressurização da cápsula Orion e avançaram o cronômetro até 33 segundos do ponto de ignição. O principal objetivo foi comprovar que todos os componentes operam de forma sincronizada sob as mesmas condições de temperatura, pressão e vibração de um voo real, assegurando que eventuais falhas sejam detectadas antes de se colocar uma tripulação em risco.
Essa abordagem segue a prática adotada em voos históricos americanos, desde a era Apollo na década de 1960 até a campanha recente da Artemis 1, não tripulada. A diferença é que o SLS, projetado para missões de longa distância, utiliza propelentes criogênicos que requerem controle térmico extremo; qualquer microvazamento pode suspender toda a operação.
Como a NASA solucionou os vazamentos antes do segundo ensaio da Artemis 2
A primeira tentativa de ensaio, no início deste mês, teve de ser interrompida depois que sensores registraram vazamentos de hidrogênio líquido em linhas de abastecimento. Os responsáveis desmontaram conexões, substituíram vedações e reforçaram procedimentos de carregamento. No teste refeito, apenas uma variação de tensão na aviônica de um propulsor lateral do SLS foi notada; o contratempo foi corrigido remotamente, permitindo retomar a contagem sem afetar o cronograma.
O hidrogênio, armazenado a cerca de –253 °C, se expande quando em contato com temperaturas mais altas, o que pode provocar fissuras em juntas metálicas. Por isso, linhas, válvulas e sensores foram reavaliados meticulosamente após a falha inicial. A correção bem-sucedida demonstra que a equipe assimilou lições aprendidas durante a Artemis 1, quando quatro ensaios precisaram ser repetidos e o conjunto retornou três vezes ao prédio de montagem.
Contagem regressiva da Artemis 2: etapas críticas simuladas
O coração do ensaio ocorreu entre 22h30 e pouco depois da meia-noite, no horário de Brasília. Nesse intervalo, cada segundo foi coreografado de acordo com o documento oficial de lançamento. A sequência incluiu:
• T-10 minutos: verificação final de sistemas de orientação.
• T-1 minuto e 30 segundos: pausa programada de até três minutos, simulando contingências.
• T-33 segundos: segunda pausa, seguida de reinício da contagem para T-10, repetindo toda a rotina.
Ao recriar cenários de interrupção, a equipe de controle treina respostas rápidas a imprevistos que possam surgir em 6 de março ou nas datas reserva de 7, 8, 9 e 11 do mesmo mês. O protocolo estabelece que, se uma parada durar menos de três minutos, o relógio prossegue; se exceder, a contagem retorna para T-10, evitando disparar sistemas parcialmente configurados.
Em paralelo, a Orion permaneceu ligada, com baterias carregadas e escotilhas verificadas. Uma válvula de pressurização, trocada após o ensaio anterior, recebeu novo aperto e foi inspecionada em ambiente frio, assegurando estanquidade. Essa validação é essencial porque a cápsula transportará quatro astronautas que precisarão de atmosfera controlada durante os 10 dias de missão.

Imagem: NASA
Tripulação da Artemis 2: quem são os quatro astronautas
O voo marcará o primeiro retorno de pessoas às proximidades da Lua desde 1972. A tripulação é formada por Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch, todos da NASA, e Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense. Durante o ensaio, eles permaneceram em quarentena em Houston, seguindo protocolos de saúde.
A missão inclui conquistas inéditas apontadas pela própria agência: a maior distância a ser percorrida por humanos no espaço, a velocidade mais alta já atingida por uma nave tripulada no retorno à Terra e, simbolicamente, a presença da primeira pessoa negra e da primeira mulher a viajar tão longe. Esses marcos reforçam a preocupação da NASA com diversidade, um elemento que distingue o Programa Artemis em relação ao Projeto Apollo.
Artemis 2 no contexto do programa Artemis e da era Apollo
O Programa Artemis foi concebido para estabelecer uma presença sustentável na órbita e, futuramente, na superfície lunar. A Artemis 2 serve de ponte entre a missão não tripulada Artemis 1, que em 2022 verificou escudo térmico, navegação e retorno seguro da Orion, e a planejada Artemis 3, que pretende pousar astronautas no polo sul da Lua. Esse objetivo reproduz a ousadia da Apollo 11, porém com a ambição de criar infraestrutura contínua para exploração científica e eventual viagem a Marte.
O foguete SLS é peça central desse esforço. Com quase 100 metros de altura, ele combina motores herdados do Ônibus Espacial e novos propulsores sólidos para gerar potência superior à do lendário Saturn V. Já a Orion, desenvolvida em parceria com a ESA para módulos de serviço, integra sistemas de suporte à vida capazes de sustentar voos de longa duração, condição indispensável para expedições além da órbita terrestre.
Próximos passos da Artemis 2 e possíveis datas de lançamento
Com o ensaio concluído sem contratempos de grande impacto, a NASA mantém 6 de março como data-alvo para decolagem, reservando janelas adicionais nos dias subsequentes. Caso surjam atrasos climáticos ou técnicos, a avaliação passará a ser diária. Até lá, o SLS permanece abastecido apenas com propelentes residuais para manter linhas frias, enquanto inspeções de rotina verificam juntas, cabos e softwares de voo.
Quando os trajes dos quatro astronautas forem finalmente ajustados, eles serão transportados da quarentena no Texas para a Flórida, seguindo rígidos protocolos sanitários. A chegada da tripulação ao Centro Espacial Kennedy só ocorrerá após confirmação de estabilidade do sistema de lançamento.
Durante todo esse período, a Orion ficará energizada com aquecedores em operação, protegendo equipamentos que não suportam baixos níveis de temperatura ambiente. A agência mantém câmeras ao vivo na plataforma, atualizando o público sobre cada avanço na contagem regressiva real que culminará, caso tudo se mantenha dentro dos parâmetros, na realização do lançamento em 6 de março.

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe.
Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.
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