Bad Bunny em São Paulo: show histórico une salsa, trap e convite à latinidade no Allianz Parque

O cantor e rapper porto-riquenho Bad Bunny em São Paulo fez sua estreia nos palcos brasileiros diante de um Allianz Parque lotado. Na noite de sexta-feira, 20, o artista mais ouvido do planeta no Spotify transformou o estádio em pista de dança multicultural ao longo de um espetáculo de 2h30 que combinou salsa clássica, trap de alta voltagem e reggaeton contemporâneo, sempre convidando o público a celebrar a latinidade compartilhada entre Brasil e Porto Rico.

Índice

Bad Bunny em São Paulo: estreia histórica atrai multidão ao Allianz Parque

Esta foi a primeira vez que Benito Antonio Martínez Ocasio se apresentou no país. Os ingressos, colocados à venda para as duas datas consecutivas — sexta, 20, e sábado, 21 — esgotaram rapidamente, sinalizando a dimensão de sua popularidade entre os brasileiros. A plateia, formada por dezenas de milhares de fãs, recebeu o porto-riquenho com coros que antecipavam cada verso e gritos que o chamavam de “gostoso” logo na faixa de abertura, “La Mudanza”.

Anúncio

Vestindo terno e gravata brancos, Bad Bunny encerrou o primeiro ato com “Nuevayol”, faixa que sampleia “Un Verano en Nueva York”, sucesso da orquestra El Gran Combo de Puerto Rico dos anos 1960. A escolha sintetiza o conceito central da turnê: fundir sonoridades tradicionais da ilha caribenha a batidas urbanas como dembow e trap, criando um diálogo entre passado cultural e presente pop dominado pelo streaming.

A arquitetura musical: quando salsa, plena e reggaeton dividem o mesmo palco

Ao longo do show, o repertório navegou por ritmos caribenhos diversos. A salsa dura sustentou “La Mudanza”, enquanto a plena — expressão folclórica de Porto Rico — apareceu em momentos de percussão acústica. Já o reggaeton, que despontou nos anos 1990, dominou a segunda metade do espetáculo, quando o artista migrou para uma pequena “casinha rosa” instalada no lado oposto do estádio.

Nessa estrutura cenográfica, Bad Bunny vestiu uma camiseta retrô da seleção brasileira campeã da Copa do Mundo de 1962, com o número 10 de Pelé. Ali desfilou sucessos como “Me Porto Bonito”, “Bichiyal” e “Yo Perreo Sola”, elevando a temperatura ao ponto de parte do público remover peças de roupa para dançar. O clima carnavalesco reforçou a ponte que o artista propôs entre os dois países, destacando elementos culturais próximos apesar da barreira linguística.

Performances icônicas e referências políticas sutis

A turnê que traz Bad Bunny em São Paulo tem como base o álbum “Debí Tirar Más Fotos” (abreviado como “DTMF”), lançado no ano passado. A obra marca uma fase em que Benito incorpora críticas sociais, ainda que de forma não panfletária. O imperialismo norte-americano sobre Porto Rico, por exemplo, permeou letras, mas sem menções diretas durante o show. A abordagem discreta repete o tom da apresentação no intervalo do Super Bowl, semanas atrás, que irritou o ex-presidente Donald Trump ao abordar a política anti-imigrantes dos Estados Unidos.

No Allianz Parque, o viés político apareceu mais como pano de fundo. Bad Bunny concentrou forças no entretenimento de massa, território no qual outras superestrelas — Madonna, Beyoncé, Bruno Mars e The Weeknd, citadas como paralelos de performance — travaram batalhas culturais. Foi nessa tradição pop que ele entregou “Baile Inolvidable”, momento que levou parte da plateia às lágrimas, reforçando a ideia de que dançar, rir e chorar são atos unificadores na América Latina.

Interação com o público brasileiro e celebração da identidade latina

Um diferencial do espetáculo foi a atenção dedicada ao idioma local. Vinhetas em português incluíram referências a iguarias como acarajé e pão de queijo, além de cenas regravadas com atores brasileiros. O próprio Bad Bunny arriscou frases em português, agradecendo pela recepção calorosa e enfatizando que aquela noite simbolizava a união entre Brasil, Porto Rico e todo o subcontinente.

Esse diálogo cultural ganhou contornos simbólicos quando a banda introduziu trechos de “Garota de Ipanema” antes de “Pitorro de Coco” e, mais tarde, emendou “Mas que Nada”, de Jorge Ben Jor, numa jam que mesclou plena porto-riquenha e bossa nova. O resultado foi um convite explícito para que os brasileiros reafirmem sua condição de latino-americanos, tema recorrente nas falas do artista ao longo da noite.

Bad Bunny em São Paulo: show histórico une salsa, trap e convite à latinidade no Allianz Parque - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

Setlist extenso, banda afiada e produção de alto nível

O concerto exibiu a robustez de uma banda numerosa, composta por naipe de metais, contrabaixo acústico, guitarras, teclados e percussão múltipla. Essa formação permitiu alternar momentos orgânicos — comparáveis à vitalidade de um show de Bruno Mars, porém sem tom nostálgico — e passagens eletrônicas vigorosas, próximas da potência de The Weeknd, porém sem recurso a bases sintéticas exageradas.

Após a passagem pela casinha rosa, Bad Bunny retornou ao palco principal para sequência final com “Ojitos Lindos”, “La Canción”, “Dákiti” e “El Apagón”. O ápice ocorreu em “DTMF”, quando pediu ao público que guardasse os celulares para viver o instante, e em “EOO”, faixa que fechou a noite. No total, foram mais de 20 músicas, distribuídas de forma a manter o ritmo ascendente e sem grandes pausas, reforçando a competência de sua equipe técnica em luz, som e vídeo.

Bad Bunny em São Paulo volta ao palco neste sábado

Com ingressos já esgotados para a segunda data, Bad Bunny em São Paulo repetirá o espetáculo neste sábado, 21, novamente no Allianz Parque. A expectativa é de casa cheia e repertório similar, preservando a fusão de salsa, plena, dembow, trap e reggaeton que marcou a estreia. Para os fãs que ficaram fora da primeira noite, o retorno representa a última oportunidade, nesta passagem, de testemunhar a celebração da latinidade proposta pelo porto-riquenho em solo brasileiro.

Entidades e carreiras em destaque

Além do próprio Bad Bunny — vencedor do Grammy mais recente e líder global em streaming — o evento ressaltou outras entidades musicais citadas durante a apresentação. A orquestra El Gran Combo de Puerto Rico, referência histórica da salsa, teve seu clássico “Un Verano en Nueva York” sampleado em “Nuevayol”. Ícones brasileiros como Jorge Ben Jor apareceram indiretamente por meio de “Mas que Nada”, enquanto Tom Jobim e Vinicius de Moraes foram lembrados pelo riff de “Garota de Ipanema”.

A menção a Bruno Mars e The Weeknd funcionou como parâmetro comparativo para enfatizar a qualidade performática da banda, e nomes como Madonna e Beyoncé serviram de contexto sobre como artistas pop utilizam o palco para questões culturais amplas. Todos esses elementos fortaleceram o campo semântico do show ao dialogar com diferentes fases e gêneros da música popular.

Em síntese, o primeiro concerto de Bad Bunny em território brasileiro reforçou a ponte cultural entre Porto Rico e Brasil, demonstrou a força de ritmos caribenhos no mercado pop global e deixou o convite para que o público local reconheça e celebre sua própria latinidade. A continuidade da turnê neste sábado, 21, fecha a passagem paulista do artista antes que ele siga agenda internacional.

Artigos Relacionados

OrganizaSimples

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe. Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

Conteúdo Relacionado

Deixe uma resposta

Quando você efetua suas compras por meio dos links disponíveis em nosso site, podemos receber uma comissão de afiliado, sem que isso acarrete nenhum custo adicional para você.

Go up

Usamos cookies para garantir que oferecemos a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você está satisfeito com ele. OK