Bad Bunny no Super Bowl: apresentação histórica reafirma latinidade e desafia era Trump

Bad Bunny no Super Bowl transformou o intervalo do maior evento esportivo dos Estados Unidos em vitrine para a cultura latino-americana, numa performance curta, porém carregada de símbolos que entraram em choque direto com a política anti-imigração do então presidente Donald Trump.

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Bad Bunny no Super Bowl inaugura novo patamar de visibilidade latina

A presença de artistas de origem hispânica no espetáculo de intervalo não é novidade. Gloria Estefan, Shakira, Jennifer Lopez e J Balvin já haviam ocupado o mesmo espaço. Ainda assim, Benito Antonio Martínez Ocasio, nome de batismo do cantor porto-riquenho, foi o primeiro a transformar a própria identidade em centro narrativo do show, sublinhando o fato de ser latino em pleno “palco principal do mundo”.

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O show ocorreu em um domingo, dia 8, e atingiu plateia global estimada em centenas de milhões. A escolha do artista pela NFL dialoga com dados recentes da Universidade da Califórnia em Los Angeles: latinos representam 20% da população norte-americana e respondem por 30% da expansão econômica do país, movimentando cerca de US$ 4 trilhões. Esse contingente, somado aos milhões de fãs internacionais do cantor, explica parte da estratégia de mercado da liga de futebol americano.

Recado político: latinidade contra retórica de Trump

A performance de Bad Bunny no Super Bowl trouxe recado político explícito. Ao ecoar a frase “God Bless America” e emendar a menção successiva aos países do continente — incluindo o Brasil — o artista contrapôs o “Make America Great Again” de Donald Trump. Esse gesto simbólico ganhou força porque coincidiu com uma das fases mais duras da política migratória recente dos Estados Unidos, marcada por operações do ICE em território doméstico e ações navais no Caribe.

A audácia do cantor tornou-se ainda mais evidente quando, ao lado de dançarinos com chapéus “pavas” típicos do campo porto-riquenho, ele saudou Toñita, figura icônica da comunidade boricua em Nova York. Em outro momento, dedicou um dos gramofones ganhos no Grammy a uma criança detida pelo ICE, transformando o intervalo esportivo em palco de denúncia.

Bad Bunny no Super Bowl exibe repertório que une reggaeton, salsa e ritmos de raiz

O espetáculo de menos de quinze minutos condensou cerca de dez faixas do álbum “Debí Tirar Más Fotos”, obra que venceu o Grammy de Álbum do Ano — a primeira conquistada por um disco inteiramente em espanhol. O repertório dividiu-se em dois blocos. O primeiro enfatizou o reggaeton, gênero que surgiu nos anos 1990 da circulação sonora entre Panamá, Jamaica e Porto Rico e se consolidou como força dominante do pop. Bad Bunny, herdeiro dessa tradição, atualiza o estilo com rimas versáteis e produção contemporânea, dando sequência a nomes como Ivy Queen, Don Omar e Daddy Yankee, cujo hit “Gasolina” popularizou a batida pelo planeta.

Nesse segmento reggaetonero, o cantor dançou entre cenografia de ringue de boxe e barracas de coco em “Tití Me Preguntó”. Em “Yo Perreo Sola”, dividiu a cena com Cardi B e Karol G, reforçando o lugar do perreo — a dança típica do gênero — como manifestação de autonomia corporal.

Na segunda metade, a salsa assumiu protagonismo. Nascida na Nova York dos anos 1970, a salsa agregou imigrantes caribenhos que buscavam representatividade musical. Com banda trajada à moda das grandes orquestras do estilo, Bad Bunny entoou “Baile Inolvidable” e “Nuevayol”, dialogando com a linhagem de porto-riquenhos ilustres do gênero. O artista também inseriu plena e bomba — ritmos tradicionais da ilha — em “El Apagón” e “Lo que le Pasó a Hawaii”, reforçando a conexão entre repertório popular e crítica social ao abordar disputa de terras em Porto Rico.

Participações, ausências e símbolos que marcaram a apresentação

Além de Cardi B e Karol G, o espetáculo contou com Ricky Martin, conterrâneo de Bad Bunny, para reforçar a identidade porto-riquenha. Houve ainda uma rápida aparição de Lady Gaga, inserção considerada deslocada em meio à proposta latina. Observadores notaram a ausência de nomes históricos do reggaeton e da salsa, como Tego Calderón ou Rubén Blades. Caso estivessem presentes, ampliariam o peso histórico do momento, como aconteceu em 2025, quando Kendrick Lamar reuniu representantes de várias gerações do rap.

Bad Bunny no Super Bowl: apresentação histórica reafirma latinidade e desafia era Trump - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

Os dançarinos vestindo “pavas”, a saudação à comunidade porto-riquenha de Nova York e a entrega simbólica do troféu do Grammy à criança imigrante completaram o mosaico de referências. Juntos, esses elementos transformaram o espaço normalmente reservado ao entretenimento em ato de afirmação cultural e denúncia social.

Efeitos para a NFL e para o mercado de entretenimento

Do ponto de vista corporativo, o convite ao cantor converge com o interesse da NFL em expandir audiência entre latinos. A população hispânica residente nos Estados Unidos é crescente e economicamente relevante, movimentando PIB equivalente ao de nações como Japão e Índia. A presença de Bad Bunny no Super Bowl, portanto, traduz-se em ganhos de alcance, patrocínio e fidelização de público.

Para o artista, o show reforça a trajetória meteórica iniciada em Porto Rico e consolidada em hits globais de reggaeton e trap. Já para a indústria musical latina, a apresentação confirma o espaço conquistado nos últimos anos graças ao streaming, que quebrou barreiras linguísticas e geográficas. Ao cantar exclusivamente em espanhol, o porto-riquenho provou que a língua deixou de ser obstáculo para o consumo mainstream.

Trump reage, mas discurso latino avança

Logo após o show, Donald Trump publicou mensagem nas redes sociais afirmando que “ninguém entende uma palavra” do que Bad Bunny canta. O comentário, além de confirmar o descompasso entre o ex-presidente e a realidade multicultural do país, serve de contraponto à recepção positiva do público. Enquanto o intervalo reforçou a latinidade no espaço midiático mais caro do planeta, a crítica presidencial soou como tentativa frustrada de desqualificação.

A projeção alcançada pelo artista, somada ao reconhecimento crítico obtido com “Debí Tirar Más Fotos”, sugere que o efeito do show deve perdurar. Tanto a NFL quanto a indústria musical tendem a capitalizar o feito em iniciativas futuras voltadas ao mercado latino, consolidando tendência iniciada por apresentações anteriores, mas agora elevada a novo patamar de protagonismo cultural.

A próxima movimentação relevante no calendário de Bad Bunny será a continuidade da turnê internacional baseada no álbum vencedor do Grammy, cujas datas ainda não foram integralmente anunciadas. A partir da repercussão obtida no Super Bowl, espera-se que novas praças sejam incluídas para atender à demanda global gerada pelo espetáculo histórico.

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OrganizaSimples

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe. Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

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