Bateria de estado sólido em produção promete recarga total em 5 minutos para veículos elétricos

Palavra-chave principal: bateria de estado sólido.
A Donut Lab, startup finlandesa dedicada a soluções de eletrificação, surpreendeu o setor automotivo ao anunciar na CES 2026 que sua bateria de estado sólido já saiu da fase de protótipo, encontra-se em plena produção industrial e começará a equipar veículos comerciais no primeiro trimestre de 2026. Segundo a empresa, a tecnologia reúne alta densidade energética, vida útil longa e capacidade de recarga total em apenas cinco minutos, atributos que costumam ser citados como essenciais para a popularização dos veículos elétricos.
- A apresentação da bateria de estado sólido na CES 2026
- Densidade energética: estrutura e ganhos da bateria de estado sólido
- Recarga em cinco minutos: fatores que permitiram o salto
- Ciclo de vida e estabilidade térmica prolongados
- Modelos iniciais, parcerias estratégicas e expansão de produção
- Contexto do mercado e próximos marcos para a bateria de estado sólido
A apresentação da bateria de estado sólido na CES 2026
O anúncio ocorreu durante a Consumer Electronics Show, em Las Vegas, vitrine global de lançamentos em mobilidade e tecnologia. Ao levar um produto final em vez de um experimento de laboratório, a Donut Lab buscou diferenciar-se das iniciativas anteriores que, embora promissoras, permanecem em cronogramas distantes. Em entrevista ao site The Verge concedida no evento, Marko Lehtimäki, cofundador e diretor-executivo, explicou que as células eletroquímicas já estão sendo fabricadas na Finlândia, com capacidade inicial de cerca de 1 GWh por ano.
Essa escala, ainda modesta diante da demanda global, marca, no entanto, um avanço concreto: as primeiras unidades serão direcionadas à Verge Motorcycles, que planeja instalar os módulos na linha de motocicletas TS a partir do início de 2026. O acordo garante à Donut Lab um campo de provas real e imediato, enquanto reduz a distância entre anúncio e aplicação comercial.
Densidade energética: estrutura e ganhos da bateria de estado sólido
A bateria de estado sólido da Donut Lab preserva a arquitetura geral das baterias de íons de lítio – ânodo, cátodo e eletrólito –, porém substitui o eletrólito líquido por um composto sólido. Essa modificação, descrita por especialistas do setor como fator decisivo para aumentar a segurança e a durabilidade, elevou a densidade energética para 400 Wh/kg, número cerca de 30 % superior ao de pacotes modernos de íons de lítio.
Na prática, o acréscimo de densidade pode ser convertido de duas maneiras. Os fabricantes podem manter o peso atual e oferecer autonomia maior, possibilidade atraente para veículos que precisam percorrer longas distâncias sem recarga. Alternativamente, podem reduzir o tamanho do conjunto e produzir veículos mais leves, estratégia que favorece desempenho e eficiência.
A empresa também enfatiza a escolha de “materiais abundantes e sem restrições geopolíticas” na composição das células, embora não detalhe publicamente quais elementos substituem os componentes tradicionais. A premissa, entretanto, sugere menor exposição a gargalos de mineração ou a cadeias de fornecimento sujeitas a instabilidades.
Recarga em cinco minutos: fatores que permitiram o salto
O dado mais chamativo do anúncio é o tempo de recarga. Segundo a Donut Lab, a bateria de estado sólido pode ser carregada completamente em até cinco minutos. No caso da motocicleta Verge TS Pro, que será um dos primeiros modelos a adotá-la, o tempo informado cai para cerca de dez minutos – ainda muito abaixo dos padrões de mercado, nos quais recargas rápidas de veículos elétricos exigem dezenas de minutos.
O desempenho resulta da combinação entre maior condutividade do eletrólito sólido, controle de formação de dendritos metálicos e temperatura de operação ampla. A startup informa ter solucionado a propagação de dendritos – estruturas que podem perfurar o separador interno e gerar curto-circuito – sem divulgar detalhes do método. Ao eliminar esse obstáculo, tornou-se possível aplicar correntes mais altas durante a recarga, encurtando drasticamente o tempo necessário para atingir 100 % de carga.
Além disso, a empresa destaca que a eficiência permanece estável em ambientes extremos. Testes internos indicam manutenção de 99 % da capacidade mesmo a −30 °C ou acima de 100 °C, cenário no qual baterias com eletrólito líquido costumam sofrer degradação ou risco de combustão. A ausência de solventes inflamáveis reduz a probabilidade de fuga térmica, fato que também contribui para suportar correntes elevadas sem comprometer a segurança.
Ciclo de vida e estabilidade térmica prolongados
Outro número que chama a atenção é o ciclo de vida. A Donut Lab menciona potencial para até 100 mil ciclos completos de carga e descarga, enquanto a Verge Motorcycles adota estimativa mais cautelosa de 10 mil ciclos para os primeiros veículos. Mesmo a projeção conservadora supera largamente os cerca de 1 500 ciclos historicamente associados a baterias de íons de lítio em automóveis.
A longevidade ampliada reduz custos de manutenção e posterga a necessidade de substituição do conjunto energético, ponto crítico na equação de custo total de posse de veículos elétricos. De acordo com a startup, essa durabilidade se mantém graças à estabilidade térmica e à minimização de processos de degradação interna, favorecidas pelo eletrólito sólido e pela dissipação uniforme de calor.

Imagem: JLStock
Do ponto de vista das montadoras, a expectativa é que a vida útil da célula ultrapasse a do próprio veículo, eliminando trocas em garantia e reforçando a proposta de sustentabilidade.
Modelos iniciais, parcerias estratégicas e expansão de produção
As motocicletas da Verge Motorcycles serão os primeiros produtos comerciais a receber a nova tecnologia. A fabricante finlandesa de motos elétricas integrará os módulos na família TS, com início previsto no primeiro trimestre de 2026. Segundo Lehtimäki, a adoção das células reduziu o custo total dos materiais dos veículos, sinalizando vantagem econômica além dos ganhos técnicos.
Fora do segmento de duas rodas, a Donut Lab menciona acordos com a WATT Electric Vehicles, a Cova Power e o ESOX Group. As aplicações incluem plataformas modulares para carros, trailers inteligentes e projetos voltados a defesa e drones. Ao diversificar a carteira, a empresa pretende validar a compatibilidade das células com diferentes formatos, requisitos de potência e perfis de uso.
Quanto à expansão fabril, o executivo indica disposição para instalar unidades em outros países, inclusive nos Estados Unidos, se a demanda de fabricantes locais justificar. Embora a capacidade inicial de 1 GWh seja suficiente apenas para volumes reduzidos, a flexibilidade geográfica pode acelerar a escalabilidade e diminuir custos logísticos.
Contexto do mercado e próximos marcos para a bateria de estado sólido
Nos últimos anos, o setor automotivo recebeu sucessivas promessas de bateria de estado sólido em escala comercial, quase sempre acompanhadas de cronogramas de “dois anos” que não se concretizaram. Esse histórico alimentou ceticismo entre investidores e montadoras. Ao apresentar um produto já em fabricação e com destino definido, a Donut Lab tenta romper esse ciclo de expectativas frustradas.
Entretanto, detalhes cruciais – como formulação química exata, patentes depositadas e resultados de certificação independente – permanecem sob sigilo até a divulgação pública completa. A empresa informou que publicará documentação técnica adicional e registrará pedidos de patente nos próximos meses. Esses documentos deverão esclarecer os métodos adotados para controlar dendritos e alcançar as especificações de estabilidade térmica e ciclo de vida.
Enquanto isso, o mercado observará o desempenho real das motocicletas Verge equipadas com as novas células, primeiro teste prático em condições de uso cotidiano. O período inicial de vendas, previsto para o primeiro trimestre de 2026, servirá como referência para confirmações de autonomia, tempo de recarga efetivo e resistência ao envelhecimento.
Caso os resultados correspondam aos valores anunciados – recarga completa em até cinco minutos, densidade de 400 Wh/kg e vida útil de milhares de ciclos –, a tecnologia poderá redefinir parâmetros de design, infraestrutura de recarga e competitividade de veículos elétricos em múltiplas categorias.
Os próximos acontecimentos relevantes incluem a entrega dos primeiros lotes de motocicletas Verge TS equipadas com as novas baterias no início de 2026 e a publicação dos pedidos de patente que detalharão os avanços técnicos desenvolvidos pela Donut Lab.

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe.
Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

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