Beijo gay de Dawson's Creek quase foi vetado: como Greg Berlanti salvou a cena que mudou a TV

O beijo gay de Dawson's Creek exibido no episódio “True Love”, encerramento da terceira temporada, entrou para a história da televisão norte-americana. Nos bastidores, o showrunner Greg Berlanti chegou a ameaçar deixar a produção caso a cena fosse censurada pela Warner Bros., então proprietária do canal The WB. A seguir, entenda em detalhes quem participou desse embate criativo, por que o momento era considerado tão decisivo e quais repercussões ele gerou para o elenco, para a indústria e para futuras narrativas LGBTQ+.

Índice

Contexto televisivo antes de Dawson's Creek e a representação LGBTQ+

Até o fim da década de 1990, a presença de personagens LGBTQ+ em produções de horário nobre nos Estados Unidos era limitada e frequentemente marcada por estereótipos ou humor. Quando apareciam demonstrações de afeto entre pessoas do mesmo sexo, elas costumavam ser cortadas, transformadas em piada ou filmadas de modo que minimizasse o impacto visual. Em “Melrose Place”, por exemplo, o momento culminante entre os personagens Matthew e Rob foi inteiramente evitado com um corte abrupto. Já em “That ’70s Show”, o beijo entre Buddy e Eric foi usado como elemento de comédia, destacando o desconforto do protagonista heterossexual.

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Nesse cenário restritivo, “Dawson’s Creek” surgiu como um drama adolescente voltado a discussões sinceras sobre sentimentos, pressões sociais e descobertas pessoais. Ao longo da terceira temporada, a série apresentou Jack McPhee, interpretado por Kerr Smith, vivendo conflitos típicos de qualquer estudante de ensino médio, além de desafios específicos ligados ao processo de assumir a própria sexualidade. Essa escolha de roteiro, porém, enfrentava o obstáculo de inserir um beijo genuinamente romântico entre dois rapazes em horário nobre, algo inédito até então.

A decisão criativa crucial nos bastidores de Dawson's Creek

Responsável pela condução da temporada, Greg Berlanti – profissional que também integra a comunidade LGBTQ+ – defendia que a trama de Jack merecia o mesmo espaço e intensidade das histórias heterossexuais de Joey, Pacey, Jen e seus pares. Na leitura de Berlanti, se a série optasse por abordar a saída do armário de Jack sem mostrar manifestação física de afeto, acabaria reforçando a ideia de que relações LGBTQ+ deveriam permanecer implícitas. Ciente desse risco, ele incluiu no roteiro de “True Love” a viagem de Jack a Boston para encontrar Ethan Brody, estudante interpretado por Adam Kaufman.

Nos primeiros ensaios, a equipe recebeu uma orientação do estúdio para capturar a cena “de longe, do outro lado da rua”, recurso que reduziria a carga emotiva e possivelmente evitaria reclamações de telespectadores mais conservadores. Berlanti considerou a exigência inaceitável e comunicou aos executivos que abandonaria a produção se a sequência não fosse filmada em plano fechado, com enfoque no rosto dos personagens e no significado emocional do ato. Segundo a roteirista Gina Fattore, não havia plano B: ou a cena seria gravada do modo proposto pelo showrunner ou a série perderia seu principal responsável criativo no meio da temporada.

Como o beijo gay histórico de Dawson's Creek foi filmado

No roteiro final, Jack segura o rosto de Ethan e declara que finalmente possui coragem para expressar seus sentimentos. Os atores Kerr Smith e Adam Kaufman foram orientados a transmitir a mistura de nervosismo e alívio típica de um momento tão decisivo para adolescentes que vivem sua primeira paixão. Smith, então estreante em cenas de romance entre dois homens, relatou que sentiu uma responsabilidade inédita: ao mesmo tempo em que temia a reação do público, percebia a oportunidade de contribuir para mudar paradigmas.

Adam Kaufman, por sua vez, destacou anos depois que a sequência proporcionou identificação imediata a muitos espectadores que jamais haviam visto suas próprias experiências refletidas na tela. A presença de Berlanti no set, garantindo que cada enquadramento fosse intimista, reforçou o conceito de normalizar o afeto gay em vez de tratá-lo como tabu ou piada. O resultado foi um beijo colocado no centro da narrativa, tão romântico quanto qualquer outro já exibido na série.

Repercussões imediatas para elenco e equipe de Dawson's Creek

O episódio foi ao ar sem cortes, cumprindo a visão artística original. Internamente, a equipe percebeu que havia ultrapassado uma fronteira simbólica, oferecendo ao público juvenil a chance de acompanhar personagens gays com profundidade e ternura. Kerr Smith relatou sentir orgulho por participar de um momento pioneiro, apesar do nervosismo inicial. Para Adam Kaufman, o impacto se materializou em relatos de fãs que se sentiram validados ao assistir à cena.

Beijo gay de Dawson's Creek quase foi vetado: como Greg Berlanti salvou a cena que mudou a TV - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

Já Greg Berlanti consolidou sua reputação de defensor da representação LGBTQ+ autêntica. A postura firme diante do estúdio demonstrou que produtores e roteiristas poderiam reivindicar espaço sem abrir mão de integridade artística. Gina Fattore confirmou que a ausência de um plano de contingência prova o grau de convicção envolvido: ou a televisão caminharia para a frente, ou perderia um de seus principais talentos.

Legado do beijo de Dawson's Creek em séries adolescentes posteriores

Nos anos que se seguiram, o beijo gay de Dawson's Creek passou a ser referenciado como ponto de inflexão. Em programas como “One Tree Hill”, “The OC” e “Glee”, personagens LGBTQ+ puderam viver romances que incluíam contato físico aberto, sem cortes excessivos. A tendência alcançou títulos do século XXI, entre eles “Riverdale”, drama adolescente que contou novamente com Greg Berlanti na produção executiva e com Kerr Smith no elenco, desta vez interpretando o diretor Mr. Honey.

De maneira gradual, a presença de casais do mesmo sexo tornou-se parte orgânica da linguagem televisiva para jovens. Muitos críticos associam esse desenvolvimento ao precedente estabelecido em 2000 por “True Love”. A cena reforçou a noção de que o público estava preparado – e desejoso – de narrativas que refletissem realidades diversas. Além disso, mostrou aos executivos que representatividade não implica perda de audiência, mas sim fidelização de novos segmentos.

Em retrospectiva, atores e produção atribuem ao episódio o mérito de ter transformado Jack McPhee em um personagem tridimensional. Ao receber tramas tanto emocionais quanto físicas, ele escapou do rótulo de “melhor amigo gay” desprovido de desejos próprios. Esse aspecto contribuiu para que, nos anos seguintes, personagens LGBTQ+ fossem desenvolvidos com a mesma complexidade reservada a protagonistas heterossexuais.

Vinte anos depois, o beijo gay de Dawson's Creek continua citado em reportagens e celebrações de datas simbólicas. Para espectadores que viviam processos de descoberta de identidade, a cena representou a confirmação de que o amor entre pessoas do mesmo sexo pode ser retratado com dignidade em meios de grande alcance. Para roteiristas, diretores e atores, tornou-se prova concreta de que vale a pena insistir na integridade narrativa, mesmo quando há resistência institucional.

O próximo marco cronológico relacionado à série acontece na data que celebra o vigésimo aniversário da exibição original de “True Love”. Nesse contexto, parte do elenco planeja revisitar memórias e avaliar, em painéis e entrevistas comemorativas, o alcance cultural da decisão que quase custou o cargo de seu showrunner.

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Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe. Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

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