Bienal de São Paulo redefine contratos de curadoria após polêmica edição 36

Bienal de São Paulo — Uma das mostras de arte contemporânea mais influentes do planeta decidiu rever profundamente a relação contratual com seus próximos diretores artísticos. A medida, tomada pelo conselho da Fundação Bienal de São Paulo, ocorre depois de a 36ª edição, comandada pelo camaronês Bonaventure Soh Bejeng Ndikung, ter sido alvo de críticas severas do público, de artistas participantes e de especialistas, sobretudo pela ausência de identificação das obras e por soluções expositivas consideradas excessivamente herméticas.

Índice

Motivos imediatos para a mudança na Bienal de São Paulo

A irritação generalizada começou ainda nos primeiros dias da última mostra, realizada dentro do pavilhão projetado por Oscar Niemeyer no Parque Ibirapuera. No espaço, placas com os nomes dos artistas foram omitidas e quase nenhuma informação contextual era oferecida aos visitantes. Em vez disso, uma arquitetura interna “pesada”, marcada por extensas cortinas coloridas, dominou o percurso e encobriu parte das peças. Tais opções curatoriais levaram o público a se perguntas simples, como autorias e motivações, sem respostas imediatas. Reações de desapontamento ecoaram também entre os próprios expositores, que comentaram o desconforto em conversas de bastidores, jantares e vernissages.

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Repercussão crítica e balanço da 36ª Bienal de São Paulo

Mesmo sob críticas, a 36ª edição registrou aumento de 20% no número de visitantes em comparação à anterior, encerrando-se em janeiro com 784 mil pessoas — resultado favorecido por um mês adicional de exibição. Ainda assim, o crescimento de público não compensou a percepção de distanciamento que muitos sentiram diante da falta de legendas e do layout considerado pouco convidativo. Parte da imprensa especializada classificou a postura da direção artística como arrogante, enquanto artistas lamentaram a dificuldade de dialogar com quem percorreu o pavilhão para ver seus trabalhos.

Fundação, recursos públicos e o compromisso da Bienal de São Paulo

Grande parcela do orçamento da mostra provém da Lei Rouanet, principal mecanismo federal de fomento cultural do país. Esse financiamento público impõe responsabilidades claras de formação de plateia e de oferta de programas educativos que aproximem diferentes públicos da arte contemporânea. Ao optar por montagens que exigem “malabarismos” do visitante para identificar autores e contextos, a Bienal corre o risco de contrariar justamente a missão de democratizar o acesso ao conhecimento artístico em um país marcado por fortes desigualdades socioeconômicas.

Guardrails jurídicos: conteúdo dos novos contratos

Para evitar futuros desencontros, o conselho da Fundação Bienal introduziu o que descreve como “guarda-corpos jurídicos”. Na prática, trata-se de cláusulas que definirão, de antemão, parâmetros mínimos de transparência expositiva. Embora os detalhes permaneçam confidenciais, o objetivo central é assegurar que informações essenciais — autorias, datas, suportes e contextualizações básicas das obras — estejam sempre disponíveis. A solução busca conciliar a liberdade curatorial com o direito do visitante de compreender o que observa, preservando, ao mesmo tempo, a tradição de vanguarda que caracteriza esse tipo de evento internacional.

Histórico de ousadia: quando a ruptura vira tradição

A adoção de linguagens radicais não é novidade na trajetória da Bienal. Em 1985, a edição dirigida por Sheila Leirner — apelidada de “Bienal da grande tela” — gerou controvérsia ao expor pinturas de vários artistas lado a lado, praticamente sem intervalos. Naquela ocasião, parte do público celebrou a experiência imersiva, enquanto outro segmento considerou a montagem caótica. O episódio evidencia como a fronteira entre a ousadia curatorial e a confusão perceptiva sempre foi tênue e mutável, dependendo tanto do repertório de quem visita quanto da clareza de mediação oferecida.

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Imagem: Internet

Entre transparência e frescor: desafios futuros da Bienal de São Paulo

Com o novo ciclo de contratos, a Fundação busca manter a excelência que a faz ser considerada a segunda Bienal mais tradicional do mundo, atrás apenas da Bienal de Veneza, promovida desde o final do século XIX na Itália. A presidente Andrea Pinheiro, recentemente reconduzida ao cargo, terá a missão de equilibrar ambição estética e acessibilidade. Em outras palavras, o próximo time curatorial precisará inovar sem perder de vista a clareza necessária a um público heterogêneo, composto por especialistas, estudantes, turistas e curiosos que chegam ao pavilhão de Niemeyer em busca de experiências artísticas significativas.

Reação dos envolvidos e posição da instituição

Consultada sobre as mudanças, a Fundação Bienal optou por não comentar detalhes. A decisão de silêncio, porém, reforça a importância dos ajustes: trata-se de elaborar documentos contratuais cujo texto final evite margens para interpretações conflitantes entre liberdade criativa e responsabilidade institucional. Enquanto isso, artistas que participaram da edição anterior acompanham o processo na expectativa de que futuras mostras consolidem um diálogo mais transparente, capaz de reconhecer tanto a autonomia curatorial quanto a necessidade de mediação clara.

Impacto para curadores internacionais

O caso da 36ª edição, comandada por Bonaventure Soh Bejeng Ndikung, serve de alerta a profissionais convidados a dirigir a Bienal daqui para a frente. Ainda que a instituição continue aberta a nomes estrangeiros — reforçando a vocação global do evento —, os novos contratos deverão especificar limites para experimentações que possam prejudicar a compreensão pública. Desse modo, o prestígio de atuar em uma das plataformas de arte mais relevantes da América Latina virá acompanhado de compromissos explícitos com a audiência brasileira.

Perspectivas após a reformulação contratual

Com a adoção dos guardrails jurídicos, a Fundação Bienal sinaliza ao mercado cultural que buscará soluções expositivas mais equilibradas, sem abrir mão da inventividade que historicamente a define. O sucesso ou fracasso dessa estratégia será testado já no próximo ciclo expositivo, cujo anúncio de curador ou curadora ainda não ocorreu. Até lá, o setor acompanha atentamente como o diálogo entre transparência e vanguarda será formalizado nos papéis que regerão a próxima Bienal de São Paulo.

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OrganizaSimples

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe. Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

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