Bloco Mulheres Rodadas transforma carnaval do Rio em palco contra o feminicídio e homenageia Maria da Penha

O desfile do Bloco Mulheres Rodadas, realizado nesta quarta-feira na zona sul do Rio de Janeiro, usou o carnaval para denunciar o feminicídio e reverenciar a luta da farmacêutica Maria da Penha Fernandes, cuja história inspirou a principal lei federal de combate à violência doméstica no Brasil. A apresentação, que reuniu artistas locais e visitantes estrangeiros, reforçou a urgência de políticas públicas após o país ter registrado 1.518 vítimas desse crime em 2025, segundo dados do Ministério da Justiça e da Segurança Pública.
- Bloco Mulheres Rodadas leva denúncia do feminicídio às ruas do Rio
- Fantasia de pernalta revive a história de Maria da Penha e destaca feminicídio
- Músicas escolhidas reforçam mensagem contra o feminicídio e outras violências
- Presença internacional amplia alcance do debate sobre violência de gênero
- Organização do bloco cobra políticas públicas para frear o feminicídio
- Dados recentes confirmam recorde nacional de feminicídio em 2025
Bloco Mulheres Rodadas leva denúncia do feminicídio às ruas do Rio
Fundado em 2015, o Mulheres Rodadas surgiu com o propósito explícito de discutir assédio, violência doméstica e feminicídio por meio de fantasias, placas e performances carnavalescas. O grupo se concentra no Largo do Machado, bairro do Flamengo, e avança pelas ruas da zona sul transformando a festa popular em um ato de conscientização. Durante o percurso, pernaltas, músicos e foliões unem artes cênicas e percussão para expor a dimensão do problema que, somente no ano passado, vitimou em média quatro mulheres por dia no país.
As encenações do bloco vão além das estatísticas. Artistas simulam agressões físicas, usam tintas vermelhas para representar ferimentos e incorporam coreografias que sublinham o ciclo de violência. A cada parada, mensagens de apoio às vítimas e de repúdio aos agressores são reforçadas em cartazes erguidos acima da multidão, alcançando moradores, turistas e demais frequentadores dos circuitos carnavalescos do Rio.
Fantasia de pernalta revive a história de Maria da Penha e destaca feminicídio
Entre as apresentações, ganhou destaque a fantasia da pernalta e acrobata Luciana Peres, de 46 anos. Pinturas corporais simularam marcas de tiros, enquanto lantejoulas prateadas, anexadas a sua perna de pau, simbolizaram choques elétricos. O figurino foi concebido para recordar as duas tentativas de assassinato sofridas por Maria da Penha em 1983, ambas praticadas pelo então marido da vítima. O caso, que repercutiu nacional e internacionalmente, culminou na promulgação da Lei 11.340 em 2006, conhecida popularmente como Lei Maria da Penha.
Luciana declarou ter se inspirado na proximidade do vigésimo aniversário da legislação, a ser celebrado em 2026, e no recorde de feminicídios contabilizados em 2025. Para a artista, o contraste entre o avanço jurídico e a persistência dos números evidencia a necessidade contínua de ações governamentais e mobilização social.
Músicas escolhidas reforçam mensagem contra o feminicídio e outras violências
A condução musical do Mulheres Rodadas é planejada para ampliar o alcance da denúncia. A regente e coordenadora de percussão, Simone Ferreira, estabelece repertório formado majoritariamente por compositoras, intérpretes femininas ou canções que exaltem a condição da mulher. Marchinhas históricas, como “Abre Alas”, de Chiquinha Gonzaga, dividem espaço com sucessos recentes, a exemplo de “Vai, Malandra”, de Anitta, e “Ama Sofre e Chora”, de Pabllo Vittar.
Também figuram na playlist “Toxic”, de Britney Spears, e “Girls Just Want to Have Fun”, de Cyndi Lauper. Durante a execução de “Geni e o Zepelim”, de Chico Buarque, pernaltas reproduzem atos de violência transfóbica, um recado sobre a posição do Brasil no ranking mundial de assassinatos de pessoas trans. As coreografias dialogam diretamente com a letra e, em alguns momentos, as artistas fingem ser derrubadas para, em seguida, serem erguidas por colegas, dramatizando solidariedade e apoio mútuo.
Presença internacional amplia alcance do debate sobre violência de gênero
A edição 2026 do bloco atraiu visitantes de diferentes nacionalidades. A francesa Lucie Cayrol, pernalta de Toulouse, utilizou turbante alusivo à advogada franco-tunisiana Gisèle Halimi, reconhecida por defender a despenalização do aborto na França em 1975. A escolha do tributo sinalizou que a violência contra a mulher transcende fronteiras, mesmo em países com longas trajetórias de políticas de igualdade.

Imagem: Internet
Cayrol recordou o caso recente de Gisèle Pelicot, mulher que, durante uma década, foi dopada pelo ex-marido, o qual convidava estranhos para estuprá-la. O agressor recebeu condenação em 2024, e o episódio ilustrou a permanência de abusos mesmo em contextos considerados avançados no debate sobre direitos femininos. Ao inserir essas narrativas estrangeiras, o Mulheres Rodadas reforçou a dimensão global do problema e estabeleceu ponte entre realidades distintas.
Organização do bloco cobra políticas públicas para frear o feminicídio
A jornalista Renata Rodrigues, coordenadora do coletivo, reiterou que, apesar de uma década de desfiles, o principal tema do bloco segue atual. Ela defende maior engajamento do poder público e da iniciativa privada para viabilizar campanhas educativas, abrigos emergenciais e canais de denúncia. Segundo Renata, iniciativas culturais como a do Mulheres Rodadas alcançam muitos foliões, mas precisam de apoio sustentável para potencializar resultados.
Entre os espectadores, o folião Raul Santiago destacou a importância de envolver os homens na luta contra o feminicídio. Para ele, desconstruir atitudes machistas, compreender papéis sociais e promover igualdade de gênero são etapas indispensáveis para reduzir o índice de mortes. A fala foi ao encontro do apelo principal do desfile: a participação coletiva, independentemente de gênero, na construção de uma sociedade segura para todas as mulheres.
Dados recentes confirmam recorde nacional de feminicídio em 2025
O Ministério da Justiça e da Segurança Pública contabilizou 1.518 mulheres assassinadas em contexto de violência de gênero no Brasil no ano de 2025. O volume representa o patamar mais alto desde que a tipificação foi criada em 2015, após alteração no Código Penal. A sequência de crescimento anual reforça a leitura de especialistas sobre a necessidade de políticas abrangentes, que envolvam desde prevenção e educação até repressão qualificada.
Os 20 anos da Lei Maria da Penha, que serão completados em 2026, trazem à tona balanços sobre sua efetividade. Embora a legislação tenha estabelecido mecanismos como medidas protetivas de urgência, delegacias especializadas e juizados de violência doméstica, estatísticas recentes indicam desafios persistentes na aplicação uniforme das normas em todas as unidades da federação. O cenário também evidencia a urgência de investimentos em estrutura policial, capacitação de servidores e campanhas permanentes de conscientização.
Com o desfile já concluído, o Bloco Mulheres Rodadas prepara novas ações culturais ao longo do ano, voltadas a discutir igualdade de gênero e prevenção de agressões. A próxima grande mobilização do coletivo ocorrerá nos eventos alusivos aos 20 anos da Lei Maria da Penha, em 2026, quando artistas, ativistas e autoridades devem retomar o debate sobre o aprimoramento das políticas de enfrentamento à violência contra a mulher.

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe.
Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.
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