Bonito carbono neutro: como a cidade sul-matogrossense virou modelo mundial de turismo sustentável

Bonito carbono neutro: como a cidade sul-matogrossense virou modelo mundial de turismo sustentável

Bonito, município localizado no interior de Mato Grosso do Sul, conquistou reconhecimento internacional ao tornar-se o primeiro destino de ecoturismo certificado como carbono neutro. A chancela, concedida em 2021 pela organização Green Destinations, coroa uma trajetória de quase três décadas de políticas públicas voltadas a equilibrar desenvolvimento econômico e proteção ambiental. A seguir, entenda em detalhes o que motivou essa transformação, como funciona o sistema de controle de visitantes e por que o modelo serve hoje de referência global.

Índice

Por que Bonito carbono neutro se tornou referência global em ecoturismo

O status de Bonito carbono neutro resulta de um conjunto de fatores articulados entre poder público, empresários do setor turístico e comunidade local. A cidade abriga rios de águas transparentes, cavernas de relevante valor geológico e uma fauna rica que inclui espécies ameaçadas de extinção. Desde os anos 1990, o temor de que o turismo de massa pudesse degradar definitivamente esses recursos levou a prefeitura a adotar regras rígidas de capacidade de carga para cada atrativo natural. Essa postura preventiva evitou impactos severos e criou as bases para a conquista de selos internacionais de sustentabilidade.

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Outro elemento decisivo foi o engajamento dos moradores na conservação das matas ciliares e na fiscalização informal de práticas predatórias. Ao perceber que a saúde econômica local dependia diretamente da manutenção dos ecossistemas, pescadores, guias turísticos e proprietários rurais passaram a atuar como guardiões do ambiente. Essa dinâmica de corresponsabilidade social ampliou a eficácia das políticas ambientais e assegurou que as receitas geradas pelo turismo fossem reinvestidas na preservação da mesma natureza que as produzia.

Histórico de conquistas: do Voucher Único à certificação Bonito carbono neutro

A trajetória rumo ao selo Bonito carbono neutro começa em 1995, com a criação do Voucher Único. O documento digital foi pioneiro no país ao exigir que toda reserva para passeios fosse emitida por agências credenciadas e integrada a um sistema centralizado na prefeitura. Dessa forma, cada atrativo passou a receber exatamente o número de visitantes que suporta sem gerar degradação visível, garantindo rastreabilidade, transparência tributária e dados em tempo real sobre fluxo turístico.

Em 2013, o município ganhou projeção internacional ao ser eleito o Melhor Destino de Turismo Responsável do Mundo, prêmio concedido durante o World Travel Market, em Londres. O reconhecimento consolidou a imagem de Bonito como exemplo de gestão ambiental e reforçou a confiança de viajantes interessados em experiências de baixo impacto. O título também atraiu investimentos privados em hospedagem e infraestrutura, sempre condicionados a regras ambientais já consolidadas.

A coroação final veio em 2021, quando a Green Destinations emitiu a certificação que oficializou Bonito como o primeiro destino de ecoturismo carbono neutro do planeta. O laudo considerou fatores como emissões compensadas, conservação de biodiversidade, qualidade da água e participação comunitária. Esse marco elevou o patamar de exigência, obrigando todas as operações turísticas a calcular e neutralizar suas emissões de gases de efeito estufa por meio de reflorestamento e outras medidas de compensação aprovadas.

Como o sistema de controle opera para manter Bonito carbono neutro

O Voucher Único permanece o pilar do controle ambiental. Cada ingresso eletrônico traz informações sobre data, horário, atrativo escolhido e identidade do visitante. Ao chegar ao local, o turista apresenta o QR Code, e o número total de pessoas dentro da área é automaticamente atualizado. Caso a capacidade de carga diária seja atingida, novas reservas são bloqueadas pelo sistema, evitando superlotação e impactos cumulativos.

Essa tecnologia resolve três problemas simultaneamente: protege ecossistemas, distribui turistas de maneira equilibrada e garante arrecadação legal de impostos. Parte do valor pago pelo visitante retorna em forma de saneamento básico, vigilância ambiental e manutenção de trilhas, promovendo um ciclo virtuoso em que a própria atividade turística financia a conservação.

Para preservar a qualidade dos recursos hídricos, os atrativos impõem regras específicas, como a proibição de protetor solar e repelente antes da flutuação no Rio da Prata. Nas cavernas, como a Gruta do Lago Azul, capacetes e acompanhamento de guias credenciados são obrigatórios para evitar danos às formações milenares. No Buraco das Araras, o silêncio e o distanciamento mínimos são condições imprescindíveis para não perturbar o ciclo reprodutivo das aves.

Regras ambientais específicas protegem rios, cavernas e aves

A tabela de protocolos ambientais adotada pelo destino sintetiza a filosofia de impactar o mínimo possível:

Rio da Prata: visitantes flutuam sem tocar o fundo arenoso, preservando a transparência absoluta da água.
Gruta do Lago Azul: acesso restrito a grupos pequenos, com uso obrigatório de capacete e fiscalização constante para impedir coleta de material geológico.
Buraco das Araras: plataformas de observação posicionadas a distância segura, permitindo a observação da arara-vermelha sem interferências sonoras ou físicas.

Além dessas medidas, todos os atrativos mantêm programas de monitoramento científico. Biólogos locais registram variações na qualidade da água, identificam espécies invasoras e analisam a saúde das populações de peixes e aves. Esses dados sustentam relatórios enviados periodicamente a órgãos reguladores e à própria Green Destinations, requisito indispensável para que Bonito preserve o selo de destino carbono neutro.

Melhor época para visitar sem comprometer o status Bonito carbono neutro

A escolha do período de viagem influencia diretamente a experiência do visitante e a pressão ambiental sobre os ecossistemas. Entre maio e setembro, durante a estação seca, a visibilidade subaquática alcança seu ápice, ideal para mergulho e flutuação. Nesse intervalo, a demanda costuma crescer, tornando essencial reservar passeios com antecedência pelo Voucher Único para não extrapolar a capacidade de carga.

De dezembro a março, as chuvas intensificam o fluxo dos rios e tornam as cachoeiras mais volumosas. A vegetação também fica mais verde, oferecendo cenários fotográficos distintos. O volume de água, porém, exige adaptações de segurança em algumas trilhas, validadas diariamente pelos operadores locais. Em ambas as estações, a aplicação rigorosa das normas de visitação garante que o aumento temporário de fluxo não prejudique o balanço de emissões controlado que mantém Bonito como destino carbono neutro.

Participação comunitária sustenta o futuro de Bonito carbono neutro

A manutenção do selo depende de ações contínuas. Escolas municipais incluem educação ambiental no currículo, preparando novas gerações para atuar como guardiãs do bioma. Empresários, por sua vez, adotam práticas de gestão de resíduos sólidos, uso de energia renovável e compra de alimentos de produtores locais, reduzindo a pegada de carbono da cadeia turística.

Parcerias entre a prefeitura, organizações não governamentais e pesquisadores universitários reforçam a vigilância contra desmatamento e poluição. Qualquer alteração nos indicadores de qualidade da água ou nas taxas de emissão provoca revisões imediatas nos protocolos de capacidade de carga, demonstrando a flexibilidade do modelo e sua capacidade de resposta a ameaças emergentes.

O próximo desafio projetado pela administração municipal envolve ampliar a malha de ciclovias e promover o transporte público elétrico até os principais atrativos, reduzindo ainda mais as emissões vinculadas ao deslocamento interno de turistas. Esse passo, se implementado conforme planejado, deverá constar na próxima auditoria da Green Destinations, que revalida o selo em ciclos periódicos.

Com base nos resultados acumulados e na consciência coletiva enraizada entre moradores, guias e empresários, Bonito apresenta-se hoje como laboratório vivo de turismo sustentável. A meta imediata é manter todos os indicadores dentro dos limites estabelecidos até a próxima avaliação internacional, garantindo que o título de primeiro destino carbono neutro do mundo continue a impulsionar a economia local sem comprometer a integridade dos ecossistemas que o tornaram possível.

OrganizaSimples

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe. Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

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