Camelos no Jalapão: como os animais que viralizaram na web chegaram ao Tocantins e o que muda para o turismo local

Os camelos no Jalapão viraram assunto nas redes sociais após um vídeo registrar quatro animais descansando em uma fazenda próxima à região de dunas douradas no leste do Tocantins. A aparição surpreendeu moradores e turistas, mas a história por trás desses dromedários — ainda popularesmente chamados de camelos — envolve deslocamento interestadual, fiscalização sanitária e uma mudança definitiva na atividade que exerciam. A seguir, o leitor encontra uma análise detalhada dos fatos comprovados, da trajetória dos animais ao novo cenário que se desenha para eles no Cerrado.
- Camelos no Jalapão: de atração no Rio Grande do Norte a descanso no Tocantins
- Camelos no Jalapão e a jornada logística até o Tocantins
- Camelos no Jalapão sob fiscalização sanitária e ambiental
- Camelos no Jalapão: diferenças entre camelos e dromedários
- Camelos no Jalapão e o futuro dos animais no Cerrado
- Camelo ou atração digital: repercussão do vídeo nas redes
- Próximos passos e monitoramento
Camelos no Jalapão: de atração no Rio Grande do Norte a descanso no Tocantins
O ponto de partida dos quatro animais foi o Rio Grande do Norte, estado onde eram utilizados em passeios turísticos nas dunas litorâneas. A empresa responsável encerrou suas atividades, e, em abril de 2024, os dromedários foram transferidos para uma propriedade rural no município de Rio Sono, a cerca de 150 quilômetros de Palmas. O local fica nos arredores do Jalapão, destino conhecido pelas paisagens de areia dourada e bastante procurado para o ecoturismo.
Segundo relato da antiga proprietária, a empresária Cleide Gomes, a mudança teve objetivo de reprodução, não de exploração turística. Ela explicou que estabeleceu três condições para escolher o novo tutor: paixão pelos dromedários, garantia de que não seriam mais usados para carregar turistas e disponibilidade de espaço superior ao que possuíam anteriormente. O novo dono, cujo nome não foi divulgado, aceitou as exigências e recebeu os animais sob as normas legais em vigor.
Camelos no Jalapão e a jornada logística até o Tocantins
A locomoção interestadual de animais de grande porte requer documentação específica. No caso dos camelos no Jalapão, a Agência de Defesa Agropecuária do Tocantins (Adapec) confirmou que foram verificadas as Guias de Trânsito Animal (GTA) e todo o conjunto de certificados sanitários obrigatórios. Esses documentos asseguram que o transporte ocorreu sem risco de disseminação de doenças e de acordo com as regras de bem-estar.
A fazenda em Rio Sono recebeu os animais em condições regulares, de acordo com a mesma agência. As vistorias incluem avaliação de instalações, disponibilidade de água e alimento, além da checagem de eventuais quarentenas ou vacinas. A conferência foi fundamental para garantir que a transferência obedecesse às exigências sanitárias federais e estaduais.
Camelos no Jalapão sob fiscalização sanitária e ambiental
A presença dos dromedários também foi analisada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O órgão federal informou que os animais constam na lista de espécies isentas de controle para fins de operacionalização, o que significa que, no Brasil, são considerados domésticos. Essa classificação dispensa autorizações ambientais adicionais para manutenção em cativeiro, mas não elimina a necessidade de observância às condições de bem-estar.
A legislação ambiental proibiu novas importações de dromedários e camelos em anos recentes. Contudo, ainda existem exemplares descendentes de animais trazidos em décadas passadas, utilizados em zoológicos, circos e empreendimentos turísticos. Foi o caso do grupo que trabalhava no litoral potiguar antes de seguir rumo ao Tocantins.
Camelos no Jalapão: diferenças entre camelos e dromedários
Muitos brasileiros utilizam a palavra “camelo” como sinônimo de “dromedário”, mas há distinções anatômicas relevantes. O biólogo Claudio Montenegro esclareceu que os camelos propriamente ditos pertencem à espécie Camelus bactrianus e apresentam duas corcovas. Já os dromedários, classificados como Camelus dromedarius, possuem apenas uma. Ambos originam-se de regiões áridas da Ásia, África e Oriente Médio, adaptados a ambientes de altas temperaturas e escassez de água.
Para o olhar leigo, as diferenças podem ser sutis, porém influenciam na fisiologia e no padrão de manejo. Os animais filmados na fazenda tocantinense têm uma única corcova, portanto enquadram-se como dromedários. Mesmo assim, o uso da expressão “camelos” permanece popular e foi adotado na repercussão online.

Imagem: Internet
Camelos no Jalapão e o futuro dos animais no Cerrado
O planejamento do novo proprietário segue a orientação de manter os dromedários apenas para fins reprodutivos. Caso a fazenda receba visitantes, a interação será de observação, sem montaria. Essa decisão atende à exigência da ex-dona e responde às discussões sobre bem-estar animal que cercam atividades turísticas de passeio.
A infraestrutura oferecida aos camelos no Jalapão inclui espaço mais amplo que o disponível no litoral nordestino, segundo a antiga proprietária. A adaptação ao clima do Cerrado tende a ser facilitada pela resistência natural da espécie a altas temperaturas e à vegetação esparsa, características semelhantes às de suas regiões de origem.
Sobre eventuais impactos na rota turística do Jalapão, ainda não há sinais de que os animais voltarão a integrar atividades comerciais. A presença dos dromedários, no entanto, suscita curiosidade de viajantes que passam pela rodovia Tocantins–040 e por estradas vicinais da área. O órgão estadual de defesa agropecuária confirma que, até o momento, não há restrições adicionais, desde que as condições de trato continuem adequadas.
Camelo ou atração digital: repercussão do vídeo nas redes
A gravação que impulsionou a fama dos animais foi feita por um morador de Rio Sono, impressionado ao flagrar a cena incomum dos dromedários sentados na pastagem. A frase “até camelo tem aqui” expressa o espanto local e representou o gatilho para a viralização. Compartilhado em perfis de turismo regional, o vídeo somou milhares de visualizações em poucas horas, contribuindo para ampliar a discussão sobre origem, legalidade e destino dos animais.
A repercussão mostrou a força da imagem nas redes e levantou questionamentos quanto à procedência, à adaptação e ao uso dos dromedários. As respostas das autoridades e da ex-proprietária preencheram a lacuna de informações, esclarecendo que todos os requisitos foram cumpridos e que não há previsão de retorno à atividade de passeio.
Próximos passos e monitoramento
A Adapec informou que o acompanhamento prossegue rotineiramente, com verificação periódica das condições sanitárias. Caso o objetivo de reprodução se concretize, novos registros precisarão ser lançados no sistema de trânsito animal para qualquer eventual deslocamento de futuras crias. Não há data divulgada para visitas públicas organizadas ou para divulgação de filhotes.
Com isso, a história dos camelos no Jalapão permanece focada na adaptação tranquila a um novo lar, sob vigilância dos órgãos competentes e sem perspectivas de retorno aos antigos passeios turísticos.

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe.
Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

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