Carro voador brasileiro: protótipo da Eve realiza voo inaugural no interior de SP

Carro voador é mais do que conceito futurista no Brasil: o primeiro protótipo em escala real desenvolvido pela Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer, decolou com sucesso em Gavião Peixoto, no interior paulista, e inaugurou a fase de testes que pode culminar em operação comercial já em 2027.
Carro voador inaugura fase de testes no Brasil
Na manhã de sexta-feira, 19, a pista de aviação da fábrica da Embraer recebeu o voo inaugural do veículo elétrico de pouso e decolagem vertical (eVTOL) concebido pela Eve. O local escolhido — considerado a maior pista do hemisfério sul — oferece extensão suficiente para manobras controladas e infraestrutura de monitoramento. O teste ocorreu sem tripulantes, característica habitual nos primeiros ensaios de aeronaves experimentais, e foi projetado para validar sistemas essenciais antes de avançar para voos com pessoas a bordo.
Durante o ensaio, engenheiros monitoraram a integração dos oito propulsores, o gerenciamento de energia do conjunto de baterias e o nível de ruído. Todos os parâmetros ficaram dentro do esperado pela equipe de desenvolvimento, permitindo que o cronograma siga para as próximas etapas.
Detalhes técnicos do protótipo de carro voador
O eVTOL da Eve foi desenhado para atender a rotas curtas típicas de grandes centros urbanos. Ele terá capacidade total de cinco ocupantes — quatro passageiros e um piloto — e autonomia estimada de 100 quilômetros por carga completa. Com essa configuração, trajetos hoje realizados de automóvel em até uma hora podem ser percorridos em minutos. Um exemplo divulgado pela empresa é o deslocamento entre a região da Avenida Faria Lima, polo financeiro da capital paulista, e o Aeroporto Internacional de Guarulhos, que deverá levar cerca de 13 minutos.
O protótipo utiliza oito propulsores elétricos distribuídos em longarinas laterais, solução que busca reduzir vibração e elevar a segurança, visto que a falha de um motor não compromete o voo. O sistema é alimentado por baterias de alta densidade energética, dimensionadas para garantir decolagens e pousos verticais com reserva de segurança exigida por autoridades regulatórias. Além disso, a arquitetura elétrica tende a minimizar emissões sonoras, fator crucial para operações sobre áreas densamente povoadas.
Os engenheiros testaram ainda a redundância dos circuitos de comando de voo e os sensores de navegação inercial. Cada componente é monitorado em tempo real por uma central de dados, possibilitando ajustes imediatos a partir de solo. Essa primeira bateria de ensaios é fundamental para calibrar algoritmos de controle, coletar telemetria e confirmar a robustez dos materiais empregados na fuselagem.
Certificação do carro voador brasileiro e próximos passos
A Eve planeja construir seis exemplares específicos para testes estáticos, dinâmicos e em voo, todos voltados a cumprir os requisitos da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). A certificação de tipo, documento que autoriza a produção em série, demanda uma extensa campanha que envolve centenas de horas de voo, avaliações em túnel de vento e provas de fadiga estrutural.
Com o voo inaugural do carro voador validado, a empresa inicia a transição gradativa para ensaios com asas acionadas — fase em que o eVTOL deixa o modo de pairado e passa a voar horizontalmente. Essa etapa é decisiva para aferir consumo de energia, eficiência aerodinâmica e comportamento em diferentes perfis de missão. Paralelamente, técnicos mantêm diálogo constante com a ANAC e órgãos internacionais para harmonizar padrões de certificação, sobretudo no que se refere a sistemas elétricos de alta voltagem.
O cronograma preliminar prevê conclusão dos ensaios principais até 2026. A partir daí, os dados coletados serão consolidados em relatórios que fundamentarão o pedido formal de certificado. Se o processo correr conforme planejado, as primeiras unidades poderão entrar em operação comercial em 2027.
Potencial de mercado para o carro voador urbano
Mesmo antes da certificação, o projeto já contabiliza aproximadamente 3 000 encomendas firmes, refletindo o interesse de operadoras de mobilidade aérea em diversificar suas frotas. A expectativa declarada pela Eve é atingir 30 000 unidades até 2025, volume que, segundo projeções internas, seria capaz de transportar mais de 3 bilhões de passageiros ao longo do período de vida útil dos veículos.
A procura se apoia em três pilares: redução do tempo de deslocamento em regiões congestionadas, menor pegada ambiental em relação a helicópteros convencionais e custos operacionais tendencialmente inferiores graças à motorização elétrica. Adicionalmente, a familiaridade da Embraer com certificações globais e suporte pós-venda oferece confiança a potenciais compradores.

Imagem: Eve Air Mobility
Operações em cidades exigem, contudo, planejamento de infraestrutura terrestre. Pontos de pouso e decolagem — chamados vertiportos — precisam estar integrados a modais já existentes, como metrô e ônibus, além de cumprir normas de segurança. O sucesso comercial do carro voador dependerá da implantação coordenada desses espaços e da aceitação pública quanto ao nível de ruído e à frequência dos voos.
Financiamento e cronograma até a operação comercial
Para sustentar a fase atual de desenvolvimento, a Eve obteve recentemente financiamento de 40 milhões de dólares do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O aporte foi anunciado em cerimônia na sede da B3, em São Paulo, que também marcou a listagem da empresa na bolsa brasileira. Os recursos serão direcionados à integração e à operação do sistema de propulsão elétrica do primeiro protótipo voltado à certificação.
Com capital assegurado, o plano de trabalho contempla: ampliação do laboratório de testes de baterias, criação de linhas redundantes para fabricação dos rotors elétricos e contratação de especialistas em software de comando. Em paralelo, a empresa dará início à preparação da campanha de voos em diferentes cenários climáticos, requisito imprescindível para comprovar a segurança do modelo.
Até 2027, a agenda inclui a entrega dos seis protótipos de ensaio, validação completa dos sistemas de controle de tráfego urbano, treinamento dos primeiros pilotos e assinatura de contratos de manutenção com operadores parceiros. Cada etapa será acompanhada por auditorias internas e por inspeções regulares da ANAC.
Impacto na indústria aeronáutica brasileira
O desenvolvimento do eVTOL da Eve posiciona o país em um segmento considerado estratégico pela aviação mundial. Ao combinar know-how da Embraer em aeronaves regionais com tecnologias emergentes de propulsão elétrica, o programa cria competência nacional em áreas como gestão de energia, materiais compostos avançados e certificação de sistemas autônomos.
Startups, universidades e fornecedores de componentes já participam do ecossistema criado em torno do carro voador brasileiro. A expectativa é que o projeto impulsione cadeias produtivas de alta tecnologia, gere empregos qualificados e abra oportunidades para exportação de serviços de engenharia.
Para as autoridades, o sucesso das campanhas de teste servirá de referência regulatória. A ANAC passará a contar com um caso doméstico para desenvolver normas específicas, que poderão ser adotadas por outros países em acordos de reciprocidade. Esse diálogo regulatório é essencial para garantir que veículos similares, produzidos no exterior, encontrem um ambiente operacional compatível quando chegarem ao mercado nacional.
Com o primeiro voo concluído e o financiamento assegurado, o ponto mais aguardado no cronograma é a transição para voos com asas, etapa prevista para ocorrer nos próximos meses e que será decisiva para comprovar a eficiência aerodinâmica do eVTOL.

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe.
Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

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