Caso Epstein: análise dos 3 milhões de páginas liberadas e o que ainda falta ser revelado

Caso Epstein: análise dos 3 milhões de páginas liberadas e o que ainda falta ser revelado

Caso Epstein volta ao centro do debate público após o Departamento de Justiça dos Estados Unidos liberar a maior remessa de documentos já vista sobre o processo: cerca de três milhões de páginas, 180 mil imagens e dois mil vídeos. O material, tornado público seis semanas depois de expirado o prazo legal, detalha desde o período em que Jeffrey Epstein esteve preso até ligações dele com figuras influentes em diversos países.

Índice

Caso Epstein: dimensão e natureza do novo acervo

A divulgação engloba três grandes grupos de arquivos. O primeiro reúne relatórios internos do sistema penitenciário federal, incluindo avaliação psicológica do bilionário enquanto ele estava encarcerado e registros sobre a morte ocorrida em 2019. O segundo grupo concentra documentos de investigação relacionados a Ghislaine Maxwell, já condenada por cooperação no aliciamento de menores. O terceiro bloco corresponde a trocas de e-mails, comprovantes de transferência bancária e listas produzidas pelo FBI que citam personalidades da política, da tecnologia e da aristocracia.

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Os números ilustram a escala do trabalho: três milhões de páginas exigiram uma triagem feita por “centenas de funcionários” ao longo de mais de dois meses, segundo o vice-procurador-geral Todd Blanche. O processo foi regido por lei aprovada no Congresso e sancionada no ano anterior, que determinou transparência integral, salvo partes que pudessem expor vítimas ou investigações em curso.

Contexto legal: a Lei de Transparência dos Arquivos e os prazos descumpridos

A legislação que tornou obrigatório o acesso público ao caso foi aprovada com apoio bipartidário. O texto fixou 19 de dezembro como data-limite para liberação, mas o Departamento de Justiça só concluiu a publicação em 30 de janeiro seguinte. O atraso intensificou críticas vindas principalmente do deputado democrata Roh Khanna, coautor da lei, que sustenta haver ainda cerca de 2,5 milhões de páginas retidas sem justificativa suficiente.

Pela norma, redações só são permitidas quando necessárias para preservar a identidade de vítimas ou proteger dados sensíveis sob investigação. Também é obrigatório apresentar resumo das seções suprimidas, algo que, no entender de parlamentares críticos, não estaria sendo cumprido de forma satisfatória.

Caso Epstein: conexões com a elite britânica

Entre os itens que mais chamaram atenção do público estão e-mails atribuídos a “O Duque”, referência a Andrew Mountbatten-Windsor, irmão do rei Charles III. As mensagens, trocadas em agosto de 2010, dois anos após Epstein assumir culpa por aliciamento de menor, mencionam um jantar reservado no Palácio de Buckingham e a possibilidade de apresentar ao duque uma mulher russa de 26 anos. Os textos não indicam prática ilícita, mas reforçam a proximidade entre o financista e membros da aristocracia.

Outro registro revela a transferência de 10 mil libras esterlinas para o brasileiro Reinaldo Ávila da Silva em 2009. Em comunicação eletrônica, Reinaldo detalha custos de um curso de osteopatia e envia dados bancários. Horas depois, Epstein confirma que enviará o montante. O beneficiário viria a se casar em 2023 com o lorde britânico Peter Mandelson, que, em e-mails de junho de 2009, solicita hospedagem em uma das residências de Epstein. Naquele momento, o bilionário cumpria pena e tinha permissão para trabalhar fora durante o dia, retornando à prisão à noite.

A relação entre Mandelson e Epstein custou caro ao lorde: nomeado embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos em dezembro de 2024, perdeu o posto menos de um ano depois, quando veio à tona a correspondência de apoio remetida após a condenação de Epstein.

Caso Epstein: menções a Donald Trump em centenas de referências

O ex-presidente Donald Trump aparece “centenas de vezes” nos novos lotes. Entre os documentos, encontra-se uma lista do FBI elaborada no último ciclo eleitoral, compilando alegações recebidas pela linha de denúncias da agência. Muitas delas baseiam-se em informações não verificadas, sem apresentação de provas. As queixas mencionam supostos abusos envolvendo Trump, Epstein e terceiros.

O Departamento de Justiça, no comunicado que acompanhou a liberação, classificou as acusações referentes ao ex-presidente como “infundadas e falsas”, destacando que, caso detivessem credibilidade mínima, já teriam motivado ações judiciais. Até o momento, Trump não foi processado no âmbito do Caso Epstein e nega qualquer conhecimento sobre crimes sexuais cometidos pelo bilionário.

Alegações envolvendo Bill Gates: e-mails internos de Epstein

Outro nome de destaque é o do cofundador da Microsoft, Bill Gates. Dois e-mails datados de 18 de julho de 2013, redigidos a partir da conta do próprio Epstein e reenviados para si mesmo, contêm alegações não verificadas sobre suposta doença sexualmente transmissível atribuída a Gates. Não há endereço de e-mail do executivo nos arquivos, tampouco confirmação de que as mensagens tenham sido enviadas ou recebidas.

O representante de Gates classificou as afirmações como “absolutamente absurdas e completamente falsas”, interpretando o conteúdo como demonstração da frustração de Epstein por não manter relacionamento contínuo com o empresário. O Departamento de Justiça não atribui validade às acusações presentes nesses rascunhos.

Material sobre Ghislaine Maxwell e a rotina carcerária de Epstein

Dentro do pacote, figuram documentos que detalham a investigação sobre Ghislaine Maxwell, condenada por auxiliar Epstein no tráfico de menores. Há também relatórios penitenciários com registros de visitas, movimentação de celas e atendimento psicológico prestado a Epstein antes da morte em 2019. Esses arquivos, de interesse central para vítimas e defensores da transparência, foram divulgados com vários trechos suprimidos, justificados pela proteção de terceiros vulneráveis.

Mosaico de imagens e vídeos: o que se sabe sobre o conteúdo multimídia

Além dos textos, 180 mil fotografias e dois mil vídeos foram disponibilizados. A maior parte pertence a apreensões feitas pelo FBI em endereços ligados a Epstein. Grande volume dessas mídias está parcialmente desfocado ou possui cortes que ocultam rostos, seguindo a mesma política de salvaguarda das vítimas. Até agora, não há indicação de que esse material contenha provas visuais de novos crimes não investigados.

Caso Epstein: o debate sobre páginas ainda retidas

Embora o vice-procurador-geral tenha declarado encerrado o trabalho de identificação e revisão, parlamentares democratas insistem que o Departamento de Justiça mantém cerca de 2,5 milhões de páginas sem liberação. A suspeita é que o órgão esteja utilizando critérios de confidencialidade de forma excessiva. Por lei, cada retirada deve vir acompanhada de justificativa legal, algo que, segundo críticos, ocorre de forma genérica nos relatórios publicados.

A controvérsia alimenta teorias de que a divulgação protegeria “ricos e poderosos” associados a Epstein. O próprio Departamento de Justiça reconhece que os arquivos não apresentam lista de homens que teriam abusado de mulheres, alegando que, se tais nomes constassem nos documentos, os indivíduos já estariam sob acusação formal.

Próximos passos na investigação e na divulgação pública

Roh Khanna afirmou que continuará monitorando a publicação de eventuais lotes remanescentes. Para ele, a meta é garantir que todo o material identificado como relevante seja exposto, respeitando apenas salvaguardas estritamente necessárias às vítimas. O Departamento de Justiça, por sua vez, sustenta ter cumprido a obrigação legal após os três milhões de páginas divulgadas.

A sociedade civil, jornalistas e advogados de vítimas agora iniciam a análise minuciosa dos documentos para verificar se há indícios que possam gerar novas ações judiciais ou aprofundar responsabilidades. Como a lei não fixa nova data para complementação, eventuais publicações adicionais dependerão da pressão política e de futuras decisões administrativas.

Enquanto esse impasse persiste, o Caso Epstein permanece aberto no debate público, sustentado pelos milhões de páginas já disponíveis e pelas dúvidas que cercam as que ainda podem vir à tona.

OrganizaSimples

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe. Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

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