Classe dominante brasileira: Haddad explica por que o Estado ainda é visto como propriedade privada

Classe dominante brasileira: Haddad explica por que o Estado ainda é visto como propriedade privada

Palavra-chave principal: classe dominante brasileira

Na avaliação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a classe dominante brasileira continua a encarar o Estado como um patrimônio pessoal, herança de um arranjo político que se consolidou logo após a abolição da escravidão. A declaração foi feita na cidade de São Paulo, durante o lançamento do livro “Capitalismo Superindustrial”, em evento que reuniu o autor, o cientista político Celso Rocha de Barros e, na mediação, a antropóloga Lilia Schwarcz, no Sesc 14 Bis.

Índice

Classe dominante e a posse do Estado segundo Haddad

Haddad apresentou a tese de que, após a assinatura da Lei Áurea em 13 de maio de 1888, o Estado teria sido entregue aos fazendeiros como uma espécie de compensação pela perda da mão de obra escravizada. Segundo ele, o movimento republicano iniciado logo em 14 de maio de 1888 foi conduzido pelos próprios setores proprietários, que, um ano depois, alcançaram o poder e passaram a gerir as estruturas estatais em benefício próprio. Para o ministro, o resultado desse processo perdura: a classe dominante brasileira permanece no centro das decisões políticas, reagindo de forma imediata sempre que seu controle é ameaçado.

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Raízes históricas do poder da classe dominante

No relato de Haddad, a ruptura que substituiu o Império pela República expulsou a antiga elite política mas manteve, como força dirigente, os grandes proprietários rurais. Estes se apoderaram de ministérios, orçamento e aparatos administrativos, perpetuando interesses privados por meio de políticas públicas. O ministro relacionou esse legado à fragilidade democrática contemporânea, explicando que qualquer tentativa de questionar privilégios enfrenta resistência institucional forte, em especial quando se estende para temas que pressionam o pacto formado no final do século XIX.

Militares e classe dominante na sustentação do arranjo republicano

Haddad destacou também o papel das Forças Armadas como fiadoras desse acordo social. Para ele, desde a Proclamação da República, sempre que o status quo é desafiado, setores militares atuam para proteger o pacto original. Essa dinâmica teria sido visível ao longo da história brasileira em episódios de ruptura ou ameaça de ruptura institucional, reiterando a tensão intrínseca entre democracia representativa e a hegemonia da classe dominante brasileira. A reação “imediata” mencionada pelo ministro ilustra a prontidão com que setores conservadores buscam preservar seu domínio.

Capitalismo superindustrial e o papel da classe dominante na desigualdade

No livro “Capitalismo Superindustrial”, lançado pela Companhia das Letras, Haddad aprofunda a análise sobre como a acumulação de capital evoluiu para um estágio marcado pela incorporação intensiva do conhecimento como fator de produção e pela competição crescente. Ele argumenta que, quando o Estado atua para moderar desigualdades, as tensões sociais diminuem; porém, se essa mediação falha ou é rejeitada, a desigualdade “absoluta” se impõe, convertendo diferenças econômicas em contradições estruturais. Nesse cenário, a classe dominante brasileira, ao manter influência decisiva sobre as políticas públicas, desempenha papel central na continuidade de disparidades de renda e de acesso a oportunidades.

Livro e trajetória intelectual de Fernando Haddad

“Capitalismo Superindustrial” compila estudos de economia política produzidos por Haddad nas décadas de 1980 e 1990, revisados e ampliados para abarcar desafios contemporâneos, como a ascensão da China. Os capítulos discutem a chamada acumulação primitiva na periferia do capitalismo, uma etapa em que violência e coerção estatal agilizam a formação de capital. A obra inclui ainda reflexões sobre o sistema soviético e as novas configurações de classe social, temas que complementam a agenda acadêmica do autor, hoje responsável pela política econômica no governo federal.

Contradições dos processos orientais analisados na obra

Nos estudos reunidos, Haddad examina transformações no Oriente, diferenciando-as da escravidão nas Américas ou da servidão no Leste Europeu. Ele identifica revoluções antissistêmicas e anti-imperialistas que, apesar de exercerem violência interna, tinham impacto externo de inspiração para movimentos de libertação nacional. Tais processos, embora coercitivos, tornaram-se alavancas de industrialização. O autor reconhece avanço das forças produtivas, da mercantilização da terra, do trabalho e da ciência nesses países, mas argumenta que os ideais originais de emancipação não foram plenamente alcançados, gerando um paradoxo entre crescimento econômico e realização política.

Perspectivas sobre desigualdade e tensões sociais

Ao dialogar com os participantes do evento, Haddad reforçou a ideia de que as tensões distributivas tendem a se acentuar no modelo superindustrial. Para ele, sem políticas de mitigação, a concentração de renda supera gradativamente a capacidade de convergência social, tornando mais frequentes os choques entre grupos de interesse. O raciocínio pressupõe que a classe dominante brasileira, ao defender sua parcela de poder, pode intensificar barreiras à adoção de medidas que redistribuam recursos ou oportunidades, prolongando ciclos de exclusão.

Evento de lançamento e interlocutores

O lançamento ocorreu no Sesc 14 Bis, espaço cultural localizado no centro de São Paulo. Além de Haddad, participou Celso Rocha de Barros, que contribuiu para o debate sobre ciência política e evolução das estruturas de classe, enquanto Lilia Schwarcz conduziu a conversa, articulando questões sobre história social e economia política. A escolha do local e o formato de bate-papo possibilitaram contextualizar o livro não apenas como produto editorial, mas como extensão de discussões atuais sobre democracia brasileira e distribuição de poder.

Disponibilidade da obra e próximos passos

“Capitalismo Superindustrial” já está disponível em formato impresso nas livrarias e, conforme a editora, também será ofertado em versão digital. O livro reforça as discussões levantadas pelo ministro e oferece, ao público interessado, aprofundamento sobre as origens históricas do domínio político-econômico e suas repercussões no modelo de desenvolvimento nacional.

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Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe. Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

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