Cobras mais raras do Brasil: onde vivem e por que correm risco em 2025

As cobras mais raras do Brasil formam um grupo de serpentes cujas populações ficaram restritas a ilhas, fragmentos de floresta ou pequenos remanescentes de Cerrado. Em 2025, especialistas em herpetologia identificam poucas áreas de ocorrência segura para esses animais, todas dependentes de proteção integral e monitoramento contínuo. A seguir, conheça quem são essas espécies, onde elas persistem e quais fatores as mantêm no limiar da extinção.
- Por que as cobras mais raras do Brasil estão em situação crítica
- Jararaca-ilhoa: entre as cobras mais raras do Brasil e mais venenosas do mundo
- Jararaca-de-alcatrazes: adaptação ao isolamento no arquipélago
- Surucucu-pico-de-jaca: a maior peçonhenta das Américas depende de floresta primária
- Cobra-verde: sobrevivência nos últimos corredores de Cerrado
- Iniciativas de conservação para proteger as cobras mais raras do Brasil
- Tecnologia a serviço do monitoramento e da pesquisa
- Perspectivas para 2025 e pontos de observação futuros
Por que as cobras mais raras do Brasil estão em situação crítica
O Brasil abriga uma das maiores diversidades de répteis do planeta, mas a multiplicação de cidades, estradas e lavouras diminuiu a extensão de biomas como Mata Atlântica, Cerrado e Amazônia. Segundo o Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, coordenado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), dezenas de serpentes já se enquadram na categoria Criticamente em Perigo. A principal causa é a fragmentação do habitat, processo que divide florestas em porções isoladas, altera rotas de caça e reduz a variabilidade genética das populações.
Quando a vegetação nativa é convertida em pasto, soja ou áreas urbanas, as serpentes atravessam espaços abertos, tornando-se alvos de predadores, veículos ou da perseguição humana. Além disso, o tráfico internacional valoriza indivíduos raros e com padrões de cor incomuns, removendo exemplares reprodutivos da natureza e agravando o declínio populacional.
Jararaca-ilhoa: entre as cobras mais raras do Brasil e mais venenosas do mundo
A jararaca-ilhoa (Bothrops insularis) só ocorre na Ilha da Queimada Grande, ao sul do litoral paulista. Isolada do continente, a espécie evoluiu em um ambiente sem predadores terrestres, o que favoreceu adaptações singulares: cauda preênsil, coloração amarelada e veneno de elevada toxicidade. O Livro Vermelho a classifica como Criticamente em Perigo porque o território disponível corresponde a menos de 0,5 km².
A vegetação da ilha é composta por remanescentes de Mata Atlântica costeira. Qualquer alteração nesse ecossistema — incêndios, presença humana constante ou introdução de espécies invasoras — pode causar impacto imediato. Por esse motivo, o acesso à Queimada Grande é restrito à equipe da marinha brasileira e a pesquisadores credenciados.
Jararaca-de-alcatrazes: adaptação ao isolamento no arquipélago
A jararaca-de-alcatrazes (Bothrops alcatraz) vive apenas na Ilha de Alcatrazes, também no litoral paulista. A limitação de recursos alimentares grandes levou esse ofídio a reduzir seu porte corporal em comparação a jararacas continentais. A classificação de Criticamente em Perigo decorre do mesmo problema observado na jararaca-ilhoa: área diminuta e vulnerabilidade a eventos extremos, como incêndios florestais ou tempestades que podem afetar toda a população de uma vez.
Apesar de protegida dentro de uma Unidade de Conservação federal, a jararaca-de-alcatrazes enfrenta pressões indiretas. A proximidade do arquipélago com rotas de navegação aumenta o risco de poluição e de chegada de espécies não nativas, como roedores, que podem alterar drasticamente o ecossistema insular.
Surucucu-pico-de-jaca: a maior peçonhenta das Américas depende de floresta primária
Com mais de dois metros de comprimento em adultos, a surucucu-pico-de-jaca (Lachesis muta) mantém a reputação de maior serpente peçonhenta das Américas. Diferentemente das jararacas insulares, essa espécie ocupa porções de Mata Atlântica ao sul da Bahia e áreas contínuas da Amazônia. Mesmo assim, o Livro Vermelho registra declínio populacional, consequência da redução de floresta primária — ambiente onde a espécie encontra presas de médio porte e abrigo para nidificar.
O desmatamento para agricultura, garimpo e expansão urbana fragmenta a paisagem, obrigando a surucucu a cruzar clareiras expostas. Nessas situações, o animal pode ser morto por moradores locais que o consideram ameaça imediata. A categoria de risco varia por região: Criticamente em Perigo em alguns pontos da Mata Atlântica e Dependente de Conservação especial na Amazônia.
Cobra-verde: sobrevivência nos últimos corredores de Cerrado
A cobra-verde (Philodryas olfersii) ilustra os efeitos da perda de vegetação de savana. Em 2025, populações robustas persistem em fragmentos de Cerrado mais extensos, onde ainda existem bosques de mata seca e campos abertos. Em áreas onde o desmatamento ultrapassou limites críticos, a espécie já aparece como Vulnerável. A principal ameaça reside na substituição da vegetação nativa por monoculturas e pastagens, o que reduz a disponibilidade de pequenos vertebrados que compõem sua dieta.

Imagem: inteligência artificial
Embora não seja peçonhenta de elevada periculosidade, a cobra-verde sofre mortalidade por ação humana, principalmente porque a coloração chamativa chama atenção de colecionadores ilegais. A remoção de indivíduos férteis compromete a dinâmica populacional local e acelera o risco de colapso.
Iniciativas de conservação para proteger as cobras mais raras do Brasil
Diante do avanço das ameaças, programas como o Projeto Sucuri Brasil e outros núcleos de pesquisa universitária concentram-se em mapear as áreas de ocorrência das serpentes criticamente ameaçadas. As ações envolvem:
Unidades de Conservação de Proteção Integral: Ilhas como Queimada Grande e Alcatrazes, além de reservas florestais na Amazônia e na Mata Atlântica, instituem zonas de uso público restrito. A visitação humana, quando autorizada, ocorre apenas para pesquisa científicos ou monitoramento.
Corredores Ecológicos: Para espécies continentais, a criação de faixas contínuas de vegetação nativa conecta fragmentos isolados, permitindo fluxo genético. Esse método é estudado principalmente na Bahia, onde remanescentes da Mata Atlântica ainda abrigam a surucucu-pico-de-jaca.
Educação ambiental: Moradores de áreas rurais recebem orientação sobre a importância das serpentes no controle de roedores e sobre procedimentos seguros para evitar acidentes. Reduzir a matança preventiva é parte essencial da estratégia de conservação.
Tecnologia a serviço do monitoramento e da pesquisa
Para acompanhar populações diminutas sem estressar os animais, equipes de campo aplicam microchips subcutâneos de identificação e utilizam câmeras termais instaladas em pontos de passagem. Esses dispositivos registram deslocamentos, padrões de atividade e temperaturas corporais, dados que indicam como as serpentes reagem a mudanças climáticas e à alterada disponibilidade de presas.
O acompanhamento tecnológico também subsidia estudos sobre a composição do veneno. Ensaios bioquímicos apontam que toxinas específicas de jararacas insulares contêm moléculas com potencial medicinal, inclusive propriedades anticoagulantes e anticancerígenas em fase preliminar de investigação. A preservação dessas serpentes, portanto, carrega relevância não só ecológica, mas também biomédica.
Perspectivas para 2025 e pontos de observação futuros
Até o final de 2025, equipes do ICMBio planejam concluir novo ciclo de amostragem populacional em Queimada Grande, Alcatrazes, sul da Bahia e trechos de Cerrado no Planalto Central. Os resultados deverão atualizar as categorias de risco das espécies listadas e indicar se as medidas de isolamento humano conseguiram estabilizar ou aumentar o número de indivíduos reprodutivos.

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe.
Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

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