Cosac relança caixa “Glauber Rocha” e anuncia restauração de filmes nos 45 anos da morte do cineasta

Glauber Rocha volta ao centro das atenções editoriais e cinematográficas em 2024. A editora Cosac prepara uma caixa comemorativa com três livros do cineasta baiano, iniciativa alinhada aos 45 anos de sua morte. Paralelamente, um investimento de R$ 2 milhões do Fundo Cultural do BNDES possibilita o restauro de filmes produzidos durante seu período de exílio, completando um tributo que combina publicação e preservação.
- Por que a caixa especial Glauber Rocha chega agora
- Os três livros de Glauber Rocha que voltam às prateleiras
- Como a Cosac estruturou a caixa Glauber Rocha para 2024
- Restauros financiados pelo BNDES reforçam legado de Glauber Rocha
- Impacto esperado para leitores, cinéfilos e pesquisadores
- Outras novidades editoriais que chegam ao mercado
- Próximos passos para o público interessado em Glauber Rocha
Por que a caixa especial Glauber Rocha chega agora
O projeto editorial ganha relevância por coincidir com a efeméride de quatro décadas e meia sem o diretor. A editora Cosac, reconhecida por edições cuidadosas, escolheu marcar a data com novas tiragens de ensaios fundamentais escritos por Glauber Rocha, reforçando a posição do autor como referência do Cinema Novo e voz crítica sobre a produção audiovisual brasileira. O pacote reunirá textos pelos quais o cineasta já era estudado em faculdades, agora apresentados com prefácios inéditos e 50 fotografias que permaneciam fora de circulação.
Os três livros de Glauber Rocha que voltam às prateleiras
Revisão crítica do cinema brasileiro abre a coletânea. Nesse volume, o jovem Glauber reexaminou a história do cinema nacional até o início dos anos 1960, contestando o modelo de estúdio então consolidado e propondo um caminho de baixo custo, alto engajamento estético e forte preocupação social. A nova edição carrega apresentação da ensaísta Ivana Bentes, pesquisadora da UFRJ, além das fotografias inéditas que ilustram a trajetória do diretor.
O segundo título, Revolução do Cinema Novo, nasceu em fase distinta da carreira do autor. Ele já havia conquistado reconhecimento mundial graças a longas como “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964) e “Terra em Transe” (1967). Originalmente lançado pela Embrafilme sob coordenação de Carlos Augusto Calil — hoje diretor da Cinemateca Brasileira —, o livro reúne textos centrais do pensamento glauberiano, entre eles “O processo cinema”, “O Cinema Novo” e “Tricontinental”. O pesquisador Adilson Mendes assina o prefácio da nova impressão.
Fecha a seleção O Século do Cinema, no qual Glauber analisa escolas americana, italiana e francesa e comenta autores como Jean Renoir e Michelangelo Antonioni, que conheceu pessoalmente. A edição atual conta com prefácio do jornalista Claudio Leal, mantendo ainda as introduções originais do professor Ismail Xavier, da USP, responsável pela organização da primeira versão publicada pela Cosac.
Como a Cosac estruturou a caixa Glauber Rocha para 2024
A estratégia da editora inclui encadernação uniforme, reprodução de imagens vindas do acervo da família Rocha e textos de apoio que apresentam o contexto histórico de cada obra. O objetivo é oferecer a leitores, pesquisadores e colecionadores um produto completo, que funcione tanto como ferramenta de estudo quanto como registro memorial. Os 50 novos retratos inseridos no conjunto contemplam momentos emblemáticos da carreira do autor, como o encontro com Jean Renoir em 1967, em Montreal, e bastidores de filmagens realizadas fora do Brasil.
Restauros financiados pelo BNDES reforçam legado de Glauber Rocha
Além do lançamento editorial, o ano também reserva iniciativas de preservação audiovisual. O Fundo Cultural do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social destinará R$ 2 milhões à recuperação de três obras marcadas pelo exílio do diretor. O longa História do Brasil (1974) e os curtas Amazonas, Amazonas (1966) e Di Glauber (1977) passarão por processos de limpeza, correção de cor e digitalização. Concluídas as etapas técnicas, as cópias restauradas circularão por festivais nacionais e comporão a Mostra BNDES Glauber Rocha, programada para ocorrer até o fim do ano na Cinemateca Brasileira, em São Paulo.

Imagem: Internet
Impacto esperado para leitores, cinéfilos e pesquisadores
A sinergia entre reedição literária e restauro de filmes amplia as possibilidades de acesso ao pensamento do cineasta. Quem acompanha o Cinema Novo terá, em um mesmo período, textos revistos, imagens inéditas e obras cinematográficas novamente disponíveis em formato adequado às salas de exibição contemporâneas. A iniciativa também facilita o trabalho acadêmico, pois os ensaios de Glauber Rocha retornam comentados por especialistas atuantes — caso de Ivana Bentes, Adilson Mendes e Claudio Leal —, enquanto o resgate das películas assegura fonte primária para análises comparativas entre teoria e prática do diretor.
Outras novidades editoriais que chegam ao mercado
O mesmo panorama literário que celebra Glauber Rocha inclui lançamentos de temáticas distintas. Em março, a ÔZé Editora apresenta Sombras, obra infantil que aborda o garimpo ilegal e suas consequências socioambientais. Estruturado como poema visual inspirado na técnica do teatro de sombras, o livro reúne a equipe premiada por “Oikoá”: Luise Weiss, Felipe Valério, Fabio Brazil e Wanda Gomes. Um posfácio informativo encerra a publicação, oferecendo dados sobre o crescimento da atividade mineradora na Amazônia.
No campo da ficção internacional, o selo Cultura Acadêmica — ligado à Fundação Editora da Unesp — lança A nova literatura chinesa: Lume. A antologia seleciona textos de dez autores de diferentes gerações, agrupados em torno do tema “Vida”, e deriva de um projeto da revista Renmin Wenxue (Literatura do Povo), referência no cenário das letras na China. A coletânea procura ampliar o contato do leitor brasileiro com narrativas contemporâneas daquele país, intensificado desde que Mo Yan recebeu o Nobel de Literatura em 2012.
Próximos passos para o público interessado em Glauber Rocha
Com a caixa comemorativa em fase de finalização editorial e o processo de restauro avançando, a expectativa é que os três livros e as cópias restauradas estejam disponíveis ao longo do ano. A exibição dos filmes na Mostra BNDES Glauber Rocha, prevista para ocorrer até dezembro na Cinemateca Brasileira, representará a primeira oportunidade de conferir as versões preservadas em sessão pública. Até lá, leitores e cinéfilos acompanham o cronograma da editora Cosac e os anúncios da Cinemateca Brasileira para planejar a aquisição das obras e as visitas às futuras projeções.

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe.
Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

Conteúdo Relacionado