Demissão de Ligia Amadio da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais provoca mobilização inédita no cenário clássico brasileiro

Demissão de Ligia Amadio do comando artístico da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais (OSMG) desencadeou uma reação em cadeia que ultrapassa fronteiras e mobiliza importantes agentes da música de concerto no Brasil, na América Latina e na Europa.
- Quem é Ligia Amadio e como sua atuação marcou a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais
- Como a demissão de Ligia Amadio foi desencadeada e qual a linha do tempo dos fatos
- Repercussão da demissão de Ligia Amadio: manifestações, protestos e abaixo-assinado
- Posicionamento da Fundação Clóvis Salgado e números sobre a remuneração na OSMG
- Consequências para a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e próximos passos
Quem é Ligia Amadio e como sua atuação marcou a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais
Ligia Amadio ocupava duas funções centrais na Sinfônica mineira: regente titular e diretora musical. Essas posições lhe conferiam responsabilidade direta sobre a interpretação do repertório, a escolha de programas e a condução artística do grupo que completa 50 anos em 2026. A OSMG é um dos corpos estáveis do Palácio das Artes, equipamento cultural gerido pela Fundação Clóvis Salgado (FCS) e vinculado à Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult).
Considerada pela comunidade sinfônica brasileira uma profissional com trajetória consolidada, Amadio passou a integrar o conjunto em um momento de recuperação de agendas presenciais após a fase crítica da pandemia. Sua saída, portanto, interrompe um ciclo que, segundo interlocutores do meio, vinha sendo avaliado positivamente por plateias e músicos.
Como a demissão de Ligia Amadio foi desencadeada e qual a linha do tempo dos fatos
A crise ganhou contornos públicos em 26 de novembro do ano passado, quando a Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais promoveu audiência sobre condições de trabalho dos músicos estaduais. Na ocasião, Amadio descreveu, diante dos parlamentares, que a OSMG seria “a orquestra mais mal paga do país”, apontando R$ 1.618,72 como salário de ingresso para instrumentistas de fila.
Pouco mais de um mês depois, já no início de janeiro, a regente foi comunicada pela FCS do encerramento de seu contrato. A instituição justificou a medida como parte de uma “readequação de programação” associada às comemorações dos 55 anos do Palácio das Artes. O plano oficial prevê convidar antigos regentes da OSMG para conduzir apresentações programadas para 2026.
Repercussão da demissão de Ligia Amadio: manifestações, protestos e abaixo-assinado
Desde o anúncio do desligamento, a demissão de Ligia Amadio figura no centro de notas de repúdio, cartas abertas e mobilizações online. Entre os nomes que se manifestaram estão maestros de relevância nacional, como Roberto Minczuk, atual regente da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, Carlos Prazeres, responsável pela Sinfônica da Bahia, Cinthia Alireti, à frente da Sinfônica da Unicamp, e Tiago Flores, da Orquestra de Câmara da Ulbra.
Instrumentistas com sólido reconhecimento público também tornaram pública sua insatisfação, caso dos violinistas Elisa Fukuda e Emmanuele Baldini — este último spalla da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) —, além dos pianistas Clara Sverner, Jean-Louis Steuerman e Maria José Carrasqueira. Entre compositores, destacam-se manifestações de João Guilherme Ripper e Rodrigo Lima.
Associadas internacionais ampliaram a visibilidade do tema. A Associação Mulheres na Música, da Espanha, solicitou “medidas de reparação” que garantam a restauração do “bom nome e dignidade profissional” da maestra. No mesmo sentido, o Simpósio Internacional das Mulheres Regentes divulgou carta de apoio.
O debate transbordou para as ruas de Belo Horizonte durante o Carnaval. O bloco feminista Sagrada Profana ergueu faixa com a frase “Viva Ligia Amadio”, incorporando a pauta à festa popular. Na esfera digital, um abaixo-assinado que pleiteia o retorno da regente contabilizava mais de 13 mil adesões até a noite de terça-feira, 3 de fevereiro.
Posicionamento da Fundação Clóvis Salgado e números sobre a remuneração na OSMG
Diante da controvérsia, a FCS divulgou nota onde atribui a decisão a mudanças de programação para homenagear maestros históricos da OSMG. Sobre o ponto central levantado por Amadio — o valor dos salários —, a fundação afirma que a remuneração média dos instrumentistas, considerando a folha de janeiro, é de R$ 7.868,91. O comunicado acrescenta que nenhum músico recebeu R$ 1.618,72 no período mencionado, indicando mínima de R$ 4.289,10 e máxima de R$ 14.356,88.

Imagem: Internet
A reportagem original examinou contracheques de três servidores concursados, revelando um quadro heterogêneo. Um músico com 12 anos de casa recebeu pouco mais de R$ 1.600 como décimo terceiro salário referente a 2025, já com descontos previdenciários e assistenciais. Outro, também com 12 anos de orquestra, registrou cerca de R$ 4.500 em dezembro, valor que já incluía gratificações. Um terceiro profissional, com 25 anos de vínculo, viu seu vencimento chegar a pouco acima de R$ 7.000, igualmente após descontos.
Consequências para a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e próximos passos
Além da perda de sua diretora musical, a OSMG enfrenta o desafio de manter coesão interna em meio ao debate público sobre remuneração e valorização profissional. O conjunto, criado em 1971 e prestes a completar meio século de atividade, integra a estrutura do Palácio das Artes, espaço que também abriga companhias de dança, coro e outras frentes artísticas.
A programação especial de 55 anos do complexo, prevista para 2026, deverá ser conduzida por maestros que dirigiram a OSMG em diferentes fases de sua história, conforme o planejamento divulgado pela fundação. Ainda não há calendário completo ou lista nominal dos convidados, mas a FCS indica que as escolhas levarão em conta afinidade com o repertório histórico do grupo.
No curto prazo, a orquestra precisará definir quem assumirá ensaios e concertos previstos para a temporada corrente. Não há confirmação oficial sobre processos seletivos ou convites provisórios para substituir Amadio durante a transição.
No campo jurídico ou administrativo, até o momento não foram anunciadas medidas por parte da maestra contra a decisão. Procurada, ela preferiu não comentar. Já o movimento de apoio continua ativo, com músicos e entidades acompanhando o desenvolvimento do caso e aguardando possível revisão do desligamento ou esclarecimentos adicionais.
Enquanto isso, o abaixo-assinado virtual permanece aberto, e novas adesões são registradas diariamente. O número de apoiadores será monitorado pelos organizadores que, conforme informado, pretendem encaminhar o documento às autoridades culturais de Minas Gerais assim que atingir meta ainda não divulgada publicamente.
Portanto, o cenário permanece em evolução, com a demissão de Ligia Amadio funcionando como catalisadora de discussões sobre condições de trabalho, reconhecimento artístico e governança de corpos sinfônicos brasileiros. A próxima referência temporal confirmada é a temporada comemorativa de 2026, na qual a Fundação Clóvis Salgado planeja reunir ex-regentes para conduzir concertos alusivos aos 55 anos do Palácio das Artes.

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe.
Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

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