Dermatilomania: Giulia Costa revela diagnóstico e detalha os desafios do transtorno que leva a ferir a própria pele

A apresentadora Giulia Costa, de 25 anos, filha da atriz Flávia Alessandra, tornou público que recebeu o diagnóstico de dermatilomania, condição psiquiátrica caracterizada pelo impulso recorrente de cutucar, espremer ou machucar a própria pele, resultando em feridas visíveis e, muitas vezes, cicatrizes. A descoberta ocorreu após uma viagem internacional em família, quando a jovem decidiu procurar ajuda profissional para compreender o comportamento que se intensificava em momentos de estresse e pressão psicológica.

Índice

O que é dermatilomania e como o transtorno é classificado

Clinicamente conhecida como Transtorno de Escoriação, a dermatilomania é reconhecida pelos principais manuais de saúde mental. O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, em sua edição DSM-5-TR, enquadra a condição no mesmo espectro do transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e de distúrbios correlacionados. Na Classificação Internacional de Doenças (CID-11), a enfermidade aparece na categoria de comportamentos repetitivos focados no corpo, agrupada, por exemplo, à tricotilomania, impulso de arrancar cabelos ou pelos.

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Essa inserção nos compêndios psiquiátricos ocorreu relativamente tarde: apenas em 2013 o DSM passou a listar formalmente o transtorno. Desde então, a literatura médica reforça que o ato de ferir a própria pele não é um hábito isolado ou uma simples manobra de higiene, mas um quadro clínico que exige avaliação e acompanhamento especializado.

Sintomas e sinais típicos da dermatilomania

A característica central do transtorno é o impulso difícil de controlar de manipular áreas da pele—especialmente regiões facilmente acessíveis, como rosto, braços e colo. Segundo a dermatologista Sarah Thé Coelho, médica com pós-graduação pelo Hospital Israelita Albert Einstein, o quadro se manifesta por feridas em diferentes fases de cicatrização, crostas frequentes e escoriações que, em muitos casos, ultrapassam em gravidade o problema dermatológico inicial, como poucas espinhas que evoluem para múltiplas lesões.

Para além das alterações cutâneas, há importante componente comportamental. Pessoas afetadas podem dedicar longos períodos a cutucar a pele, ainda que tenham plena ciência do dano estético e funcional que o ato provoca. É comum tentarem esconder as marcas com roupas de manga longa, acessórios ou maquiagem, uma vez que as escoriações podem impactar diretamente a autoestima e a vida social.

Fatores emocionais: estresse, ansiedade e o ciclo da dermatilomania

A relação entre a dermatilomania e estados emocionais intensos é apontada por especialistas como um dos motores do comportamento. O psiquiatra Roberto Ratzke, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e coordenador da Pós-Graduação do Hospital Heidelberg, explica que o ato de ferir a pele surge, em geral, como tentativa de amenizar um sofrimento interno. Esse alívio, porém, é breve e tende a instaurar um ciclo repetitivo: o desconforto gera o impulso, o impulso gera a lesão e, tão logo o alívio passageiro desaparece, a ansiedade retorna, estimulando nova manipulação.

Não raro, o transtorno aparece associado a condições como ansiedade generalizada, depressão ou transtorno dismórfico corporal—a percepção distorcida de falhas estéticas. A sobreposição de diagnósticos reforça a necessidade de avaliação multidisciplinar, que inclua profissionais de saúde mental e dermatologistas, assegurando abordagem integral dos sintomas físicos e psicológicos.

Diagnóstico clínico e critérios usados para identificar o transtorno

O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado em entrevista estruturada que segue os critérios do DSM-5-TR. De acordo com Ratzke, a conduta só é classificada como transtorno quando provoca prejuízo funcional significativo, gera lesões cutâneas perceptíveis e persiste por meses. Entre os pontos avaliados, destacam-se:

Duração: comportamentos que se repetem por período prolongado, frequentemente em ciclos de melhora e recaída.
Lesões: presença de feridas, crostas ou cicatrizes resultantes da manipulação da pele.
Sofrimento subjetivo: relato de angústia, vergonha ou frustração por não conseguir cessar o impulso.
Tentativas malsucedidas de interromper o hábito.

Em muitos casos, a pessoa alterna episódios de total consciência do ato com momentos em que a manipulação ocorre de forma automática, sobretudo em situações de preocupação ou tensão. Essa alternância reforça a complexidade do diagnóstico e a importância de diferenciar o transtorno de simples hábitos esporádicos, como espremer uma espinha de maneira pontual.

Abordagens de tratamento para dermatilomania e cuidados dermatológicos

A terapia cognitivo-comportamental desponta como a estratégia mais eficaz contra a dermatilomania. A meta é auxiliar o paciente a reconhecer gatilhos, desenvolver técnicas de substituição do comportamento e fortalecer mecanismos de enfrentamento do estresse. Como o transtorno foi oficialmente descrito há pouco mais de uma década, ainda não existem fármacos aprovados exclusivamente para essa indicação. Entretanto, quando há comorbidades—depressão, ansiedade ou TOC—é comum o uso de antidepressivos inibidores seletivos de recaptação de serotonina, como fluoxetina, sertralina ou escitalopram.

No âmbito dermatológico, o foco é reduzir inflamações, prevenir infecções bacterianas secundárias e, sempre que possível, evitar cicatrizes permanentes. Curativos, pomadas cicatrizantes e orientação para higiene adequada das feridas compõem o arsenal tópico. Como é um transtorno crônico, os especialistas orientam acompanhamento periódico para monitorar avanços, identificar recaídas precocemente e ajustar condutas.

O caso de Giulia Costa: relato, desafios e passos na recuperação

No testemunho concedido à revista Quem, Giulia Costa relatou que a confirmação do diagnóstico ocorreu após notar intensificação do comportamento durante passagem por outro país. De volta ao Brasil, buscou acompanhamento psicológico e, a partir daí, passou a relacionar o impulso de ferir a pele a períodos de forte pressão emocional. A apresentadora descreve o tratamento como um processo gradativo, marcado por pequenas vitórias que, somadas, indicam evolução constante.

O contexto citado por Giulia ilustra uma das etapas mais difíceis da abordagem: conter o impulso enquanto se permanece em ambientes que funcionam como gatilho. Conforme relatado pela própria paciente, a psicóloga reforçou que “remar contra a maré” em cenários de tensão faz parte do enfrentamento. Para superar essa fase, a jovem menciona estratégias que incluem reconhecer sinais iniciais de ansiedade, redirecionar a atenção e valorizar cada período sem lesionar a pele, ainda que curto.

Embora o caminho seja descrito como lento, especialistas reafirmam que o reconhecimento precoce, somado a tratamento interdisciplinar, aumenta a probabilidade de reduzir significativamente os episódios e preservar a qualidade de vida. No caso de Giulia, a transparência ao compartilhar o diagnóstico contribui para ampliar o debate público sobre uma condição que, apesar de frequente, segue subnotificada.

A próxima etapa do acompanhamento de Giulia Costa envolve continuidade da psicoterapia e monitoramento dermatológico para evitar complicações, enquanto especialistas mantêm a recomendação de que pessoas com sintomas semelhantes procurem avaliação profissional o quanto antes.

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OrganizaSimples

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe. Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

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