Doja Cat transforma São Paulo em palco de erotismo e energia com turnê “Vie”

No primeiro dos compromissos de sua passagem mais recente pelo Brasil, Doja Cat subiu ao palco do Suhai Music Hall, em São Paulo, na noite de quinta-feira, dia 5, para um espetáculo de quase duas horas que alternou erotismo explícito, coreografia intuitiva e um repertório focado na sensualidade declarada de seus principais sucessos. A apresentação marcou o retorno da artista norte-americana ao país desde 2022, quando figurou entre as atrações centrais do festival Lollapalooza.
- Doja Cat leva turnê “Vie” a São Paulo com espetáculo de duas horas
- Corpo como linguagem: performance física de Doja Cat no palco
- Repertório mescla sucessos antigos e faixas explícitas do novo álbum
- Estrutura de palco e banda ampliam a visibilidade do show
- Interação com o público paulista: gritos, flores e limitações
- Trajetória recente de Doja Cat até a retomada com “Vie”
Doja Cat leva turnê “Vie” a São Paulo com espetáculo de duas horas
Em divulgação do álbum “Vie”, lançado no ano passado, Doja Cat manteve a atmosfera provocativa que acompanha sua imagem desde os primeiros trabalhos. Logo na abertura, apoiou a haste do microfone entre as pernas, fez caretas e conduziu um coro de fãs que lotou a casa de shows inaugurada em 2023 dentro do Shopping SP Market. A escolha de iniciar o set desse modo antecipou a tônica de todo o concerto: a cantora transformou cada minuto em uma manifestação coreográfica de sexualidade e empoderamento.
O local contou com uma plataforma elevada posicionada sobre o próprio palco principal. A estrutura, simples porém funcional, ajudou a garantir visibilidade à artista mesmo para quem se acomodou nas fileiras mais distantes. O posicionamento também separou, de forma simbólica, os ambientes de interação — abaixo, o público; acima, o território cênico onde Doja Cat regeu músicos e backing vocals sem a presença de corpo de baile.
Corpo como linguagem: performance física de Doja Cat no palco
Do início ao fim, Doja Cat apostou no corpo como elemento narrativo. Gestos como morder a ponta dos dedos, lamber os lábios ou passear a língua pela cápsula do microfone foram repetidos em intervalos calculados, reforçando a temática de desejo que permeia boa parte de seu catálogo. Vestida com sutiã bicolor, meia-calça de renda e calcinha de couro sobreposta, a norte-americana usou a indumentária como extensão da mensagem artística, retirando peças em momentos estratégicos da setlist.
Com o avanço do repertório, a cantora intensificou movimentos bruscos: olhos arregalados, simulação de transe e gestos que aludiam a uso de substâncias formaram um crescendo dramático que sustentou a atenção da plateia. Em uma das passagens mais comentadas, ela levantou o cabo do microfone com o salto, mantendo-o suspenso enquanto cantava com o rosto voltado para o teto. Mesmo em posturas desconfortáveis, manteve a condução vocal majoritariamente ao vivo, recorrendo à base gravada em poucos trechos.
Repertório mescla sucessos antigos e faixas explícitas do novo álbum
A seleção de músicas concentrou-se na intersecção entre paixão e sexualidade. Logo nas primeiras posições apareceram “Woman” — cuja letra combina afirmações feministas e pulsação dançante — e “Need to Know”, que reforça o interesse em explorar limites do prazer. Do recém-lançado “Vie”, o destaque ficou para “Wet Vagina”, tradução literal para “vagina molhada”, considerada entre as composições mais ousadas do repertório recente.
Clássicos de fases anteriores também tiveram espaço. “Kiss Me More”, parceria premiada com SZA que rendeu Grammy de melhor performance pop de duo, ecoou como um dos momentos de maior participação dos fãs. Na parte final, “Jealous Type” selou o encerramento com distribuição de rosas arremessadas pela artista em todas as direções da plateia — um gesto raro de interação direta ao longo de um show que priorizou coreografia e interpretação.
Estrutura de palco e banda ampliam a visibilidade do show
Sem dançarinos oficiais, Doja Cat contou com a banda para multiplicar a energia em cena. Os instrumentistas, alocados na mesma plataforma elevada, executaram pequenas coreografias enquanto tocavam, unindo performance musical a breves passos sincronizados. O recurso compensou a ausência de corpo de baile completo e reforçou o caráter performático do conjunto.

Imagem: Internet
A concepção cenográfica manteve distinção clara entre foco visual e suporte sonoro. Iluminação pontual destacou contornos do corpo da cantora, realçando cada movimento. A simplicidade dos elementos escenográficos convergiu para a figura central da artista, cujo domínio do espaço se evidenciou tanto nos momentos de microfone estático quanto nos deslocamentos frontais que aproximavam seu rosto da grade.
Interação com o público paulista: gritos, flores e limitações
Apesar da recepção entusiástica, a comunicação verbal de Doja Cat com a plateia foi reduzida. Além dos tradicionais brados de “Brasil”, pouco conversou entre as canções, privilegiando passagens diretas de uma faixa a outra. A distribuição de flores, no entanto, ofereceu um contraponto afetivo e fechou o evento em clima de celebração.
Os fãs retribuíram acompanhando refrões, coreografias improvisadas e uma sequência de gritos que por vezes ofuscaram a base instrumental. A adesão coletiva ajudou a preencher lacunas deixadas pela interação limitada, criando um ambiente que mesclou admiração e curiosidade sobre cada gesto inusitado da rapper.
Trajetória recente de Doja Cat até a retomada com “Vie”
O retorno a São Paulo ocorre em um ponto de virada na carreira da artista. Em 2022, quando correu a América do Sul como uma das principais atrações do Lollapalooza, a norte-americana vivia o auge do ciclo do disco “Planet Her”, citado por veículos musicais como um dos movimentos de rap mais expressivos daquela temporada. Nos meses seguintes, no entanto, projetos subsequentes receberam repercussão discreta e a cantora se envolveu em polêmicas que esfriaram o interesse midiático.
“Vie” surge, assim, como tentativa exitosa de reacender o debate em torno de seu trabalho. A atual turnê, que inclui datas internacionais, traz de volta a atmosfera incendiária que inicialmente atraiu plateias e críticas favoráveis. Em São Paulo, a materialização desse renascimento foi vista em cada grito agudo, em cada estrofe improvisada e no domínio do palco erguido sobre o Music Hall.
Com repertório que percorre fases distintas da trajetória, uso intenso de linguagem corporal e retorno a elementos que marcaram seu ápice anterior, Doja Cat encerrou a noite paulistana reforçando a combinação de sexo, paixão e teatralidade que define sua identidade artística. Após a entrega de rosas ao público, as luzes se apagaram sem encore, deixando a última memória visual da rapper solitária em posição ereta, microfone em punho, enquanto os fãs seguiam cantando os refrões que ecoaram pela zona sul da capital.

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe.
Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

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