Endividamento das famílias brasileiras bate recorde de 79,5% em janeiro, enquanto inadimplência recua pelo terceiro mês

O endividamento das famílias brasileiras alcançou 79,5% em janeiro, repetindo o maior patamar já apurado pela Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) e igualando o índice verificado em outubro do ano passado. Apesar da expansão do número de lares com prestações a pagar, a fatia das famílias inadimplentes recuou pelo terceiro mês consecutivo, sinalizando dinâmicas distintas entre contratação de crédito e capacidade de pagamento.
- Endividamento das famílias: retrato geral de janeiro
- Endividamento das famílias por faixa de renda
- Perfil das dívidas e prazo médio de quitação
- Inadimplência recua, mas permanece elevada
- Juros elevados pressionam orçamentos familiares
- Perspectivas para endividamento das famílias no primeiro semestre
- Metodologia da Peic e relevância para o setor
- Próximos dados a acompanhar
Endividamento das famílias: retrato geral de janeiro
De acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), responsável pela Peic, 79,5% das 18 mil famílias entrevistadas declararam possuir dívidas no início de 2026. O resultado supera o observado em dezembro (78,9%) e avança sobre o percentual de 76,1% registrado em janeiro do ano passado. O novo recorde sugere que, mesmo com juros em patamar elevado, o acesso a modalidades como cartão de crédito, carnês e financiamentos permanece intenso.
A Peic considera dívidas contraídas em cartão de crédito, cheque especial, carnês de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, cheque pré-datado e prestações de automóveis ou imóveis. A confederação ressalta que contrair dívida não é, por si só, um sinal negativo, já que o crédito movimenta consumo e produção. O ponto de atenção surge quando o serviço da dívida passa a pressionar o orçamento e resulta em atrasos.
Endividamento das famílias por faixa de renda
O levantamento mostra que a exposição ao crédito é mais pronunciada entre os lares de menor renda. Entre quem recebe até três salários mínimos (até R$ 4.863, considerando o piso de R$ 1.621 válido desde janeiro), 82,5% estavam endividados. No grupo com ganhos superiores a dez salários mínimos (acima de R$ 16.210), o indicador recuou para 68,3%. Essa diferença sugere que famílias de renda mais baixa dependem mais de crédito para manter o consumo e sofrem maior pressão de orçamento.
Quando o recorte considerado é apenas inadimplência, a mesma tendência se repete: 38,9% dos lares na faixa de até três salários mínimos relataram contas em atraso, mais que o dobro dos 14,9% verificados entre rendas acima de dez salários mínimos. O dado reforça o peso da renda no cumprimento dos prazos de pagamento.
Perfil das dívidas e prazo médio de quitação
O cartão de crédito segue como a principal porta de entrada para o endividamento das famílias, presente em 85,4% dos casos. Na sequência aparecem carnês (15,9%) e crédito pessoal (12,2%). Financiamentos de casa (9,6%) e de automóvel (8,7%) completam o ranking, enquanto modalidades como crédito consignado (6,0%), cheque especial (3,4%), outras dívidas (2,5%) e cheque pré-datado (0,3%) têm menor participação.
O tempo que resta para quitar os compromissos assumidos também foi mensurado. Segundo a Peic, faltam em média 7,2 meses para zerar as parcelas em aberto, demonstrando que o consumo a prazo ainda é relevante no orçamento. Já a proporção de renda destinada às dívidas consome, em média, 29,7% dos rendimentos familiares. Em um quinto dos lares (19,5%) mais da metade da renda mensal já está comprometida com pagamentos futuros, sinal de vulnerabilidade maior a oscilações de renda ou emprego.
Inadimplência recua, mas permanece elevada
Mesmo diante do recorde de endividados, a taxa de inadimplência – famílias com pelo menos uma conta vencida e não paga – caiu de 30,5% em outubro para 29,3% em janeiro, completando três meses de redução. O tempo médio de atraso está em 64,8 dias, intervalo inferior a dois meses e meio. Ainda assim, 12,7% dos entrevistados declararam não ter condições de quitar dívidas vencidas, o que evidencia um contingente relevante em situação financeira delicada.
O recuo recente da inadimplência sinaliza algum ganho de fôlego na gestão das contas, mas o indicador continua alto em termos históricos. Para a CNC, acompanhar não apenas o número de endividados, mas o ritmo de atrasos, é fundamental para avaliar a saúde financeira dos consumidores.

Imagem: Internet
Juros elevados pressionam orçamentos familiares
Um dos principais entraves à amortização de dívidas é o nível da taxa básica de juros. A Selic está em 15% ao ano, maior percentual desde julho de 2006, quando chegou a 15,25%. Definida periodicamente pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, a Selic serve de referência para as demais taxas de crédito, encarecendo operações como rotativo do cartão, cheque especial e financiamentos.
O patamar elevado visa conter a inflação oficial (IPCA), que permaneceu 13 meses fora do teto da meta de 4,5% e voltou ao intervalo de tolerância em novembro de 2025. A estratégia de juros altos reduz a demanda por bens e serviços, contribuindo para segurar preços, mas também encarece o custo do dinheiro para consumidores e empresas, afetando emprego e renda.
Perspectivas para endividamento das famílias no primeiro semestre
Para os próximos meses, a CNC projeta continuidade do aumento no endividamento das famílias. A estimativa é que o indicador alcance 80,4% em junho, potencialmente estabelecendo novo recorde. Já a inadimplência deve cair levemente para 28,9% no mesmo período. O cenário considera a indicação do Banco Central de iniciar cortes graduais na Selic a partir de março.
Segundo a entidade, a redução de juros tende a aliviar parcelas futuras, mas o efeito sobre o mercado de crédito não é imediato. O economista-chefe da CNC avalia que o reflexo pleno no bolso do consumidor deverá ser sentido entre o final do segundo e o início do terceiro trimestre, quando as novas condições de financiamento chegarem às lojas e bancos. Até lá, o orçamento permanecerá pressionado, especialmente entre consumidores de menor renda.
Metodologia da Peic e relevância para o setor
A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor é aplicada mensalmente e entrevista 18 mil famílias em todas as unidades da Federação. A amostra capta tanto capitais quanto o interior, oferecendo um panorama diversificado do comportamento de crédito. Por abranger modalidades distintas de financiamento, a Peic se tornou referência para varejistas, instituições financeiras e formuladores de política pública que monitoram a disposição de compra e a sustentabilidade do consumo.
Para o comércio, números elevados de endividamento sinalizam potencial de venda, mas também exigem atenção a índices de atraso. Já para autoridade monetária e órgãos de defesa do consumidor, a inadimplência é parâmetro para calibrar medidas de estímulo ou restrição ao crédito.
Próximos dados a acompanhar
A próxima referência relevante para o mercado virá com a atualização da Selic na reunião do Copom agendada para março. Caso se confirme o corte previsto, as condições de financiamento podem começar a melhorar a partir do segundo trimestre, influenciando o volume de dívidas e a capacidade de pagamento das famílias. O comportamento desses indicadores será monitorado nas edições subsequentes da Peic, permitindo avaliar se a tendência de alta do endividamento prossegue e se o recuo da inadimplência se mantém.

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe.
Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

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