Episódios banidos de “South Park”: cronologia completa das polêmicas que tiraram capítulos do ar

Episódios banidos de “South Park”: cronologia completa das polêmicas que tiraram capítulos do ar

Ao longo de quase 30 anos, “South Park” acumulou uma lista de capítulos que ultrapassaram limites considerados aceitáveis por emissoras, governos ou grupos organizados. A cada novo conflito, a animação criada por Trey Parker e Matt Stone testou as fronteiras da liberdade de expressão televisiva, gerou protestos internacionais e, em alguns casos, fez com que episódios fossem removidos de catálogos de streaming. Apesar de um boato indicar que 17 capítulos ficariam de fora da migração do acervo para a Paramount+, apenas cinco realmente não chegaram à plataforma. As ausências, no entanto, representam apenas parte de um histórico maior de banimentos, cortes e bloqueios temporários que moldaram a trajetória da série.

Índice

Os cinco episódios ausentes do streaming

Quando o catálogo passou para a Paramount+, fãs veteranos já sabiam quais capítulos não seriam disponibilizados: “Super Best Friends” (5×03), “Cartoon Wars Parte 1 e Parte 2” (10×03 e 10×04) e “200” e “201” (14×05 e 14×06). Todos trazem representações do profeta Maomé e, por esse motivo, continuam bloqueados. As ameaças recebidas por criadores e emissora após a exibição original levaram à retirada permanente desses títulos. O conjunto funciona como ponto de partida para entender outras restrições que a série enfrentou.

Anúncio

“Super Best Friends” (5×03) — A origem do impasse com Maomé

Lançado em 2001, o episódio apresenta a religião fictícia Blaintologia, sátira à Cientologia, liderada por uma versão animada do ilusionista David Blaine. Para derrotar o culto, Jesus convoca a equipe “Super Best Friends”, na qual Maomé aparece ao lado de figuras como Buda e Moisés. Anos depois, debates internacionais sobre imagens do profeta tornaram a representação considerada blasfema por certos grupos islâmicos. Com a escalada de ameaças contra Parker, Stone e a rede, qualquer menção visual a Maomé foi barrada, e o capítulo saiu completamente de circulação oficial.

“Proper Condom Use” (5×07) — Banimento por conteúdo sexual explícito

O mesmo quinto ano de produção trouxe outra controvérsia. “Proper Condom Use” começa com cenas de maus-tratos a cães e evolui para aulas de educação sexual repletas de diagramas anatômicos, uso de preservativos e imagens de doenças sexualmente transmissíveis. A combinação de violência gráfica e temática sexual envolvendo menores levou Reino Unido e Taiwan a optarem por proibir a transmissão na época. O episódio ilustra como a série não depende apenas de temas religiosos para provocar reações de censura.

“Trapped in the Closet” (9×12) — Cientologia e pressão nos bastidores

Exibido em 2005, o capítulo menciona explicitamente a Cientologia, ironiza práticas consideradas sagradas pelos adeptos e sugere que Tom Cruise estaria “no armário” sobre sua sexualidade. Canais britânicos adiaram a exibição por receio de processo. Nos Estados Unidos, a repercussão levou à saída do dublador Isaac Hayes, ele próprio cientologista. Dois dias depois do anúncio da saída do ator, uma reprise agendada foi substituída por outro episódio, alimentando especulações de interferência de Cruise ou da igreja. A rede acabou devolvendo o capítulo à grade, e ele está presente no streaming, mas o episódio marcou a mais pública ruptura entre elenco e produção.

“Bloody Mary” (9×14) — Resistência católica e veto na Austrália

Duas semanas após a sátira à Cientologia, Parker e Stone voltaram-se à fé católica. “Bloody Mary” exibe uma estátua da Virgem Maria que expele sangue de forma que remete à menstruação. A representação foi condenada por entidades católicas e por um bispo influente. Enquanto a emissora norte-americana manteve a transmissão, autoridades australianas impediram a exibição por dez anos. Só depois desse período o episódio pôde circular legalmente no país e, atualmente, integra o catálogo da Paramount+ em outras regiões.

“Cartoon Wars” Parte 1 e 2 (10×03 e 10×04) — Censura prévia interna

No começo da décima temporada, os criadores planejaram discutir padrões duplos de censura após a publicação de charges de Maomé em um jornal dinamarquês. A rede, porém, aplicou tarjas pretas sobre cada aparição do profeta antes de levar os capítulos ao ar. Parker e Stone criticaram publicamente a decisão, mas a emissora manteve o corte. Mais tarde, quando outros episódios sofreram retaliações externas, a própria Comedy Central retirou a dupla “Cartoon Wars” de seu site, mantendo o bloqueio até hoje.

“Pinewood Derby” (13×06) — Impasse diplomático com o México

Em 2009, “Pinewood Derby” mostrou Stan adulterando um carrinho de corrida infantil que acaba chamando atenção extraterrestre e gerando ganhos ilícitos a líderes mundiais, entre eles o então presidente do México, Felipe Calderón. A transmissão foi inicialmente impedida no país sob a justificativa de ausência de permissão para exibir a bandeira nacional. Circulou, porém, a versão de que o veto real ocorreu devido à representação negativa do presidente em momento politicamente sensível. Posteriormente, com aval do governo mexicano, o capítulo foi ao ar e segue disponível no acervo global.

Episódios banidos de “South Park”: cronologia completa das polêmicas que tiraram capítulos do ar - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

“200” e “201” (14×05 e 14×06) — A retaliação mais intensa

Para celebrar 200 episódios, Parker reuniu todos os personagens e organizações já satirizados pela série, liderados por Tom Cruise em ação judicial contra a cidade de South Park. O roteiro previa a presença de Maomé, o que desencadeou novas ameaças de morte e divulgação de dados pessoais por extremistas. A emissora aplicou censura extensa: falas, imagens e até nomes do profeta foram cobertos por bleeps e tarjas. Depois da exibição, qualquer capítulo que mostrasse Maomé, incluindo “Super Best Friends” e “Cartoon Wars”, desapareceu do site oficial. Esses cinco títulos continuam fora de circulação no serviço de streaming.

“Band in China” (23×02) — Bloqueio integral no mercado chinês

Em 2019, a produção voltou a enfrentar sanções, desta vez fora do eixo religião-política norte-americana. “Band in China” critica diretamente o governo chinês e o hábito de estúdios de alterar conteúdos para agradar ao país asiático. A narrativa faz menções a trabalho escravo, censura de internet e autocensura de Hollywood. A resposta foi imediata: autoridades chinesas retiraram “South Park” de todas as plataformas locais, incluindo serviços de streaming e redes sociais. A medida permanece e o episódio segue disponível apenas em territórios onde a série não está bloqueada.

“Got a Nut” (27×02) — Suspensão após tragédia nos EUA

Em 2025, a animação voltou-se ao ambiente político norte-americano durante processo de fusão corporativa que dependia de aval presidencial. O episódio satiriza Donald Trump e personagens ligados ao seu círculo, entre eles o comentarista conservador Charlie Kirk. Após a exibição, Kirk aprovou sua caricatura publicamente, mas em 10 de setembro de 2025 foi assassinado em evento universitário em Utah. A emissora suspendeu imediatamente a reprise marcada para o dia seguinte, numa decisão tida como gesto de respeito à família. Até o momento, o episódio não foi removido do catálogo on-demand, mas a reapresentação linear permanece cancelada.

Impacto das decisões de censura na série

Cada banimento afetou “South Park” de forma distinta. Alguns limitaram a distribuição regional, como nos casos do Reino Unido, Taiwan, México e Austrália. Outros cortaram completamente o acesso a capítulos, criando lacunas permanentes na cronologia oficial, perceptíveis agora que o streaming se tornou a principal janela de exibição. Além disso, pressões externas resultaram em mudanças internas: perda de dubladores, ajustes de conteúdo antes da estreia e discussões recorrentes entre criadores e executivos de rede. Mesmo assim, a produção manteve padrão de publicação anual, explorando controvérsias como parte de sua identidade.

Perspectivas futuras e legado das polêmicas

Com cinco episódios ainda restritos e um histórico de reações diversas ao redor do mundo, “South Park” demonstra que, para além do humor, se tornou objeto de estudo sobre limites de expressão na televisão. A experiência deixa evidente que decisões de censura variam conforme contexto sociopolítico, leis locais e pressões econômicas. Enquanto certas proibições foram revertidas, outras se transformaram em bloqueios definitivos. A continuidade da série em meio a disputas corporativas e culturais indica que novos embates podem surgir, mantendo viva a discussão sobre até onde programas de entretenimento podem ir sem provocar silenciamento completo.

OrganizaSimples

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe. Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

Conteúdo Relacionado

Quando você efetua suas compras por meio dos links disponíveis em nosso site, podemos receber uma comissão de afiliado, sem que isso acarrete nenhum custo adicional para você.

Go up

Usamos cookies para garantir que oferecemos a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você está satisfeito com ele. OK