Escassez de chips de memória cresce com avanço da IA enquanto fabricantes mantêm cautela

Escassez de chips de memória cresce com avanço da IA enquanto fabricantes mantêm cautela

chips de memória tornaram-se o elo mais frágil da cadeia de suprimentos de tecnologia em 2025. A procura disparou com a construção acelerada de data centers focados em inteligência artificial (IA), mas os principais produtores de DRAM, NAND e discos rígidos preferem não ampliar a capacidade de forma agressiva, receosos de repetir ciclos de excesso de oferta que já provocaram prejuízos bilionários no passado.

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Escassez global de chips de memória ganha força na era da IA

O primeiro elemento do descompasso atual é a velocidade com que a inteligência artificial avançou. Modelos de treinamento de linguagem, serviços de nuvem voltados a aprendizado de máquina e aplicações empresariais baseadas em algoritmos consomem volumes inéditos de memória. Grandes operadoras de nuvem exigem servidores equipados com DRAM de alta largura de banda, unidades de estado sólido (SSDs) com densidade crescente e, nos sistemas de armazenamento de longo prazo, discos rígidos de capacidade elevada.

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A demanda adicional que vem da IA esgota rapidamente os estoques destinados a segmentos tradicionais, como computadores pessoais e smartphones. Analistas que acompanham o setor, entre eles Joe Moore, do Morgan Stanley, descrevem a situação como um “descompasso geracional”: a oferta avança em degraus lentos, enquanto a procura salta em saltos sucessivos, impulsionada por cada novo ciclo de inovação em IA.

Ciclos históricos de boom e queda impõem cautela às fabricantes de chips de memória

Em mercados altamente capital-intensivos, memória é o exemplo clássico de volatilidade. Periodicamente, preços sobem vertiginosamente em momentos de escassez e caem com igual rapidez quando a oferta se ajusta. A lembrança mais recente desse movimento ocorreu em 2023. Naquele ano, Micron, Western Digital, Seagate e SK Hynix encerraram o exercício com prejuízos, mesmo após anos de crescimento. As ações despencaram e obrigaram as companhias a cortar custos, reduzir turnos e suspender investimentos.

Com o trauma ainda fresco, as empresas mostram relutância em retomar projetos fabris de larga escala. Erguer uma planta de semicondutores leva anos, requer bilhões de dólares e envolve risco significativo caso o mercado mude de humor antes que a produção comece. Essa prudência explica por que, mesmo diante de preços em forte alta, não há anúncios de expansões maciças de capacidade em 2025.

Resultados recordes expõem contraste entre lucro e prudência

A escassez até aqui favorece indicadores financeiros. A Micron divulgou no trimestre mais recente a maior receita e o maior lucro operacional de sua história, alimentados pelos preços elevados. A Samsung, maior produtora global de DRAM, antecipou que seu lucro operacional do quarto trimestre deve ser três vezes maior do que no mesmo período do ano anterior.

No mercado acionário, investidores comemoram. Entre janeiro e o início do segundo semestre de 2025, os papéis de Micron, Seagate e Western Digital mais que dobraram de valor. A Sandisk, separada da Western Digital no começo do ano, multiplicou seu valor de mercado por dez. A sul-coreana SK Hynix também registra valorização expressiva. Essa euforia, entretanto, não se traduz automaticamente em usinas novas: as direções corporativas preferem devolver capital aos acionistas ou reforçar caixa antes de comprometer cifras gigantescas com fábricas que só começarão a gerar retorno anos à frente.

Fatores técnicos que ampliam a demanda por chips de memória

Uma mudança qualitativa diferencia o ciclo atual dos anteriores. Em vez de picos de vendas de smartphones ou PCs, o centro da pressão está em data centers de IA, e eles têm requisitos específicos:

• DRAM de alta largura de banda: Serviços de IA desenvolvidos por empresas como Nvidia e AMD utilizam módulos de memória dimensionados para acompanhar unidades de processamento gráfico (GPUs) de última geração. Sem essa DRAM especializada, o desempenho dos modelos cai substancialmente.

• Armazenamento de grande capacidade: O treinamento e a inferência de modelos geram conjuntos de dados que precisam ser guardados com segurança. Soluções tradicionais de disco rígido permanecem competitivas pelo custo por terabyte, enquanto SSDs ganham participação para aplicações que exigem alta velocidade de leitura.

• Renovação de produtos: A velocidade com que novas GPUs chegam ao mercado — muitas vezes em ciclos anuais — eleva a necessidade de memória cada vez mais rápida e densa, o que pressiona a cadeia de suprimentos continuamente.

• Capex das big techs: Amazon, Google, Microsoft e Meta financiaram, juntas, cerca de US$ 407 bilhões em investimentos de capital em 2025. Projeções indicam que o total pode superar US$ 520 bilhões neste ano, estendendo a procura por componentes de memória em toda a cadeia.

Projeções de crescimento e gargalo de oferta

A consultoria Bernstein calcula que os embarques de soluções de armazenamento crescerão em média 19 % ao ano nos quatro próximos exercícios — ritmo superior ao observado na última década. Caso se concretize, esse aumento consolidará a IA como principal vetor de expansão para a indústria de memória e colocará pressão permanente sobre a cadeia logística.

Mesmo assim, os fabricantes adotam estratégias de expansão incremental. A Seagate, líder em discos rígidos, planeja investir de forma a manter o patamar histórico de capital empregado, sem grandes saltos. Na Sandisk, a previsão é de elevação de 18 % nos investimentos no ano fiscal em curso, valor modesto frente ao avanço de 44 % na receita registrado pela empresa.

Compromissos de longo prazo podem destravar novos investimentos

Para executivos da indústria, a assimetria de riscos entre oferta e demanda permanece um obstáculo. O diretor-executivo da Sandisk, David Goeckeler, argumenta que contratos de fornecimento de curto prazo não sustentam projetos fabris plurianuais. Como uma unidade de fabricação pode levar vários anos até entrar em operação, a previsibilidade nos pedidos torna-se requisito crítico. Sem essa garantia, há receio de que um novo ciclo de superoferta resulte novamente em colapso de preços.

Do lado dos compradores, a disposição para firmar acordos multianuais ainda é limitada. Centros de dados buscam flexibilidade para se ajustar a avanços em arquitetura e a quedas naturais de custos. O impasse leva a indústria a avançar com parcimônia, mesmo diante de gráficos que sinalizam demanda crescente até 2026 e além.

A combinação de procura acelerada, oferta contida e memória recente das perdas de 2023 indica que a escassez de chips de memória pode persistir pelo menos até 2026, segundo avaliação de um dos fabricantes mencionados no setor.

OrganizaSimples

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe. Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

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