Expedição revela novas espécies marinhas no Chile e redesenha o mapa da vida abissal

Expedição revela novas espécies marinhas no Chile e redesenha o mapa da vida abissal

Uma equipe internacional de pesquisadores mapeou 52 mil quilômetros quadrados do fundo do Pacífico e identificou novas espécies marinhas no Chile, em uma área de montanhas submarinas até então inexplorada. A missão, conduzida pelo Schmidt Ocean Institute a bordo do navio Falkor (too), utilizou sonares de alta resolução e veículos robóticos para registrar organismos que pareciam pertencer a outro planeta, abrindo nova fronteira para a ciência marinha.

Índice

Novas espécies marinhas no Chile: detalhes da expedição ao Pacífico

A operação científica concentrou-se em quatro montanhas submersas localizadas em águas internacionais adjacentes à zona econômica exclusiva chilena. Esses relevos, isolados a milhares de metros de profundidade, funcionam como ilhas de biodiversidade em meio ao vasto “deserto” oceânico. A escolha do local ocorreu porque estudos prévios sugeriam a existência de correntes ricas em nutrientes que poderiam sustentar formas de vida singulares. Ao longo de semanas, o Falkor (too) percorreu a região mapeando o relevo com precisão milimétrica antes de liberar os robôs exploratórios.

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Os cientistas se dividiram em turnos de 24 horas para acompanhar as transmissões em tempo real enviadas pelas câmeras submersas. Conforme o robô avançava, sedimentos eram revolvidos e criaturas raras surgiam no feixe de luz artificial, surpreendendo até os biólogos mais experientes. Ao final da campanha, mais de cem organismos não descritos anteriormente foram catalogados para análises posteriores.

Tecnologia de ponta revela novas espécies marinhas no Chile em profundidades extremas

O êxito da missão dependeu essencialmente de duas frentes tecnológicas complementares. Primeiro, o navio de pesquisa empregou sonares de varredura multifeixe capazes de desenhar, em três dimensões, o contorno das montanhas submersas. Esse mapeamento inicial forneceu um roteiro seguro para as imersões seguintes, indicando declives, crateras e planaltos ideais para investigação detalhada.

Em seguida, o foco deslocou-se para veículos operados remotamente, equipados com braços hidráulicos, sensores ambientais e câmeras de altíssima definição. Esses robôs mergulharam a profundidades que desafiam os limites humanos, resistindo a pressões colossais enquanto coletavam amostras biológicas intactas. A combinação de vídeo em 4K e réplicas físicas dos organismos permitiu comparar cores, texturas e estruturas internas sem comprometer a integridade do habitat.

Graças a esse aparato, a equipe pôde documentar características como bioluminescência, apêndices locomotores diferenciados e esqueletos compostos de sílica. Cada detalhe visualmente registrado amplia a compreensão sobre como a vida se adapta à escuridão permanente, às baixas temperaturas e à escassez de luz solar.

Ecossistemas das montanhas submarinas e as novas espécies marinhas no Chile

A topografia das montanhas submarinas cria micro-habitats que favorecem a diversidade. Paredões verticais oferecem superfícies de fixação para corais milenares, enquanto planaltos sedimentares concentram matéria orgânica que serve de alimento a equinodermos e moluscos. Correntes ascendentes trazem nutrientes de camadas mais profundas, fertilizando o ambiente e sustentando cadeias alimentares complexas.

Os pesquisadores tiraram proveito desse mosaico natural para estudar interações entre predadores, presas e organismos filtradores. Relatos da missão indicam que certos crustáceos fazem uso de fendas rochosas como abrigo, emergindo apenas quando detectam vibrações de potenciais alimentos. Já corais espiralados, capazes de brilhar no escuro, atuam como refúgio para pequenos peixes que evitam áreas de mar aberto.

Tal isolamento geográfico, aliado a condições físicas peculiares, contribui para traços evolutivos inéditos. De acordo com a equipe, a ausência de rotas migratórias diretas com outros ecossistemas semelhantes explica o número elevado de espécies endêmicas.

Principais organismos descobertos: retrato das novas espécies marinhas no Chile

Entre os seres catalogados, quatro tipos chamaram maior atenção:

Porcos do mar – Holotúrias rosadas que “caminham” sobre o substrato usando apêndices tubulares. A locomoção incomum amplia o raio de busca por alimentos em fundos lodosos.

Corais espiralados – Colonizadores que formam colônias gigantescas de geometria helicoidal e exibem brilho natural. As espirais aumentam a área de contato com correntes ricas em plâncton, maximizando a filtragem.

Lagostas agachadas – Crustáceos de pinças alongadas adaptados a viver em gretas estreitas. O corpo achatado reduz a exposição a predadores e facilita a captura de partículas orgânicas transportadas pela água.

Esponjas de vidro – Organismos dotados de esqueletos de sílica que compõem verdadeiros “jardins” subaquáticos. Suas estruturas reticuladas servem como plataforma para micro-algas e pequenos invertebrados.

O conjunto desses espécimes ilustra a amplitude morfológica propiciada pelos montes submarinos. Adaptações como bioluminescência e esqueletos mineralizados reforçam estratégias de sobrevivência, comunicação e proteção contra a predação no ambiente abissal.

Importância global das novas espécies marinhas no Chile para conservação

A descoberta das novas espécies marinhas no Chile acrescenta camadas de informação essenciais aos debates sobre preservação dos oceanos. Montanhas submarinas podem atuar como pontos de parada em rotas de dispersão larval, conectando populações que, de outra forma, ficariam isoladas. Qualquer perturbação — seja por mineração de fundos marinhos ou pesca de arrasto — pode comprometer não apenas espécies locais, mas redes ecológicas transoceânicas.

Os dados obtidos durante a expedição já servem de base para propostas de criação de novas áreas marinhas protegidas de alcance internacional. Pesquisadores enfatizam que medidas assertivas se tornam ainda mais urgentes diante do avanço de tecnologias de exploração mineral em alto-mar. Sem salvaguardas, ecossistemas recém-descritos correm risco antes mesmo de serem totalmente compreendidos pela ciência.

Outro ganho reside na compreensão de como correntes profundas influenciam o clima global. O transporte de carbono e nutrientes, mediado por organismos filtradores e sedimentos, afeta diretamente o equilíbrio químico da água e a capacidade do oceano em absorver dióxido de carbono. Preservar montanhas submarinas, portanto, contribui não só para manter espécies exóticas, mas também para sustentar processos climáticos de escala planetária.

Em síntese, o mapeamento liderado pelo Schmidt Ocean Institute demonstra que vastas áreas do planeta continuam desconhecidas. O inventário preliminar de mais de 100 espécies potenciais redefine prioridades de pesquisa e conservação, apontando as profundezas chilenas como um dos últimos grandes frontiers da biologia moderna.

OrganizaSimples

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe. Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

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