Explosão do foguete HANBIT-Nano derruba ações da Innospace e adia estreia comercial do Brasil no setor espacial

Explosão do foguete HANBIT-Nano derruba ações da Innospace e adia estreia comercial do Brasil no setor espacial

Na noite de 22 de dezembro, a explosão do foguete HANBIT-Nano interrompeu, poucos segundos após a decolagem, a primeira missão comercial realizada a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão. O incidente não causou vítimas, mas provocou impacto financeiro imediato: as ações da companhia sul-coreana Innospace recuaram quase 29% na Bolsa de Seul no dia seguinte. Embora a falha tenha frustrado a estreia comercial do Brasil no setor espacial, a empresa afirmou que avaliará os dados obtidos durante o curto voo e pretende realizar uma nova tentativa no primeiro semestre do próximo ano.

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Explosão do foguete HANBIT-Nano interrompe primeiro lançamento comercial no Brasil

O lançamento foi iniciado às 22h13, no horário de Brasília. A decolagem transcorreu normalmente nos segundos iniciais, até que o veículo se desintegrou no ar, gerando uma bola de fogo visível a partir do solo e registrada por um drone que sobrevoava a área. A transmissão oficial exibiu a mensagem, em inglês, de que “uma anomalia foi enfrentada durante o voo”, sinalizando o reconhecimento de falha pelos controladores. Logo em seguida, o sinal foi cortado, procedimento padrão em operações espaciais quando a sequência foge ao planejado.

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O HANBIT-Nano não transportava tripulantes. Portanto, o episódio não resultou em feridos, nem dentro da base nem na região ao redor. A operação utilizou a infraestrutura do CLA, onde estavam posicionados apenas os técnicos essenciais para o disparo remoto e o monitoramento dos sistemas. Como não houve rompimento de requisitos de segurança, nenhuma pessoa precisou ser evacuada.

Cadeia de eventos: do acionamento dos motores ao momento da falha

Segundo a cronologia informada na própria transmissão, o foguete iniciou a queima principal de motores conforme o cronograma. Nos instantes seguintes, ganhou altitude inicial até a altitude em que ocorreu a falha. Nesse ponto, ainda dentro da chamada “primeira fase de voo”, parte da estrutura entrou em colapso, causando a explosão do foguete HANBIT-Nano. A gravidade do incidente provocou fragmentação completa do veículo, e detritos incandescentes puderam ser observados no registro obtido pelo drone.

A mensagem de “anomalia” ainda apareceu em tela antes de a transmissão ser interrompida. Essa prática visa preservar telemetria interna e proteger dados estratégicos, limitando informações visuais que poderiam ser usadas para análises indevidas. Após o corte da imagem, os sistemas de segurança da base assumiram o protocolo de contingência para descartar risco de novos incidentes.

Impacto financeiro imediato: ações da Innospace despencam após a explosão do foguete HANBIT-Nano

Na abertura dos mercados sul-coreanos na terça-feira, 23 de dezembro, investidores reagiram ao fracasso da missão. De acordo com a Reuters, os papéis da empresa chegaram a cair quase 29%, a maior retração diária desde que a companhia abriu capital, em julho de 2024. O movimento representou a mais acentuada perda de valor de mercado já registrada pela Innospace em um único pregão.

O diretor-presidente Kim Soo-jon divulgou carta endereçada aos acionistas, na qual pediu desculpas por não corresponder às expectativas depositadas na primeira missão comercial. O executivo destacou, contudo, que a breve fase de voo permitiu coletar dados considerados valiosos para as próximas tentativas.

Importância simbólica do lançamento e antecedentes na Base de Alcântara

O lançamento do HANBIT-Nano possuía caráter simbólico. Seria o primeiro foguete comercial a partir de território brasileiro, um passo considerado decisivo para inserir o País na rota global de serviços de lançamento privados. A própria estreia sofreu sucessivos atrasos, totalizando cinco dias além do cronograma original.

Alcântara já experimentou outro episódio de gravidade em 2003, quando um foguete que carregava um satélite nacional explodiu ainda na plataforma, provocando 21 mortes. Conforme descreveu a Reuters, o desastre de 2003 postergou o programa espacial brasileiro por uma geração. O suborbital da Innospace, ao contrário daquele veículo de 20 anos atrás, não possuía carga humana, mas a memória do acidente reforçou a atenção às condições de segurança.

Próximos passos: Innospace planeja nova tentativa após analisar dados coletados

Apesar da explosão do foguete HANBIT-Nano, a companhia manifestou entendimento de que o curto voo gerou informações técnicas úteis. Sensores instalados no veículo transmitiram telemetria até o momento da interrupção, oferecendo elementos para diagnóstico das causas da falha. Os engenheiros da empresa devem cruzar essas leituras com dados de solo para determinar o ponto exato do colapso estrutural ou de eventual anomalia de motor.

No comunicado oficial, a Innospace adiantou que pretende concluir essa avaliação e submeter correções ao projeto de forma a retomar o cronograma no primeiro semestre do próximo ano. O planejamento inclui a repetição do lançamento a partir do CLA, reforçando a parceria com a Força Aérea Brasileira, responsável pela gestão da base.

Até que o novo ensaio ocorra, a companhia continuará a fornecer atualizações técnicas a seus investidores, conforme compromissos regulatórios assumidos desde a abertura de capital.

OrganizaSimples

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe. Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

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