Gabriel Leone retorna aos palcos em Hamlet que ocupa as ruínas do Cine Copan

Gabriel Leone volta ao teatro com “Hamlet, Sonhos que Virão”, montagem que estreia em 19 de fevereiro e transforma o antigo Cine Copan, em São Paulo, num palco onde a própria decadência do espaço dialoga com os fantasmas do príncipe dinamarquês.

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Gabriel Leone revisita a tragédia em nova proposta pop

A relação de Gabriel Leone com personagens marcados pela morte é recorrente. Sob direção de Michael Mann, o ator já viveu um papel cujo destino foi selado em um grave acidente automobilístico. Em seguida, encarou o desafio de interpretar Ayrton Senna em minissérie que acompanha o trágico fim do piloto brasileiro. A corrente de fatalidades prosseguiu em 2025, quando seu mercenário em “O Agente Secreto” perseguiu o personagem de Wagner Moura e terminou abatido.

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Agora, o artista mergulha no universo de William Shakespeare. No texto original, Hamlet descobre que o pai foi assassinado pelo próprio tio e, consumido por luto e sede de vingança, sucumbe à loucura. O novo espetáculo dirigido por Rafael Gomes mantém essa essência, mas realça a proximidade entre ator, personagem e ambiente ao ocupar um cinema de rua desativado, trazendo o tema dos espectros para a superfície de forma literal.

Cinema Copan vira palco de fantasmas e de Gabriel Leone

O Cine Copan, localizado na avenida Ipiranga, funcionou como sala de exibição até os anos 2000, quando foi convertido em igreja e posteriormente fechado. Com reabertura completa prevista apenas para 2027, o local passa por uma ativação temporária graças ao aporte financeiro do Nubank e da Viva do Brasil. Suas colunas expostas, paredes rachadas e chão quebradiço não são escondidos pela produção; pelo contrário, integram a dramaturgia de “Hamlet, Sonhos que Virão”.

Rafael Gomes, reconhecido por utilizar a arquitetura como extensão do drama, descreve o cinema como um palácio decadente adequado à história de um herdeiro dilacerado. O diretor observa que as rachaduras do prédio refletem as do próprio protagonista: ambas resultam de tempos de mudança, perda de espaço físico e transformação nos hábitos culturais, aceleradas pela ascensão do streaming e de plataformas digitais.

Trajetória trágica de Gabriel Leone reforça conexão com Hamlet

Embora tenha se popularizado na televisão com novelas como “Verdades Secretas”, Gabriel Leone construiu uma filmografia que abraça o risco. O convite de Julio Bressane, em 2015, para atuar em “Garoto” – adaptação de conto de Jorge Luis Borges – marcou sua estreia no cinema. O longa apostou em uma linguagem sensorial, priorizando a relação entre elenco e cenários e dispensando estruturas narrativas convencionais.

Esse percurso alternativo prepara o ator para o rigor físico exigido pelo teatro. Oito anos longe dos palcos, imerso em sets de filmagem, deixaram-lhe, segundo o próprio, um corpo condicionado ao audiovisual. Nos ensaios de “Hamlet, Sonhos que Virão”, ele relata ter recuperado a liberdade corporal indispensável a interpretações ao vivo, nas quais cada sessão pode alterar nuances de texto e movimento.

Para lidar com a loucura crescente do príncipe, Leone elaborou dois registros físicos: um corpo “neutro”, correspondente ao herdeiro abalado, e um corpo “performático”, manifestação da demência que se funde ao primeiro até tornarem-se indistinguíveis. A solução inclui momentos em que o ator, coberto por tinta vermelha ao redor dos olhos e vestido com figurino prateado de lantejoulas criado por Alexandre Herchcovitch, encara a plateia a poucos centímetros de distância.

Rafael Gomes, elenco e estrutura móvel intensificam imersão

O diretor Rafael Gomes, apaixonado por releituras de clássicos, busca atualizar Shakespeare sem restringir a peça a uma leitura localizada. Ele defende que a montagem “se torna nacional simplesmente por retratar um homem sem terreno”, evitando marcas explícitas de brasilidade para ressaltar a universalidade dos conflitos.

Gabriel Leone retorna aos palcos em Hamlet que ocupa as ruínas do Cine Copan - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

Ao lado de Gabriel Leone, o elenco reúne Susana Ribeiro, Eucir de Souza e Samya Pascotto, que encarna Ofélia. Gerações distintas interagem sobre plataformas montadas em trilhos que cruzam o salão do antigo cinema, oferecendo mobilidade em cenas que alternam conspiração política e explosões emocionais. Durante certos trechos, os intérpretes ocupam degraus das futuras poltronas, convertendo o fosso da plateia em tabuleiro simbólico onde se movem peças de poder.

A cenografia aposta na horizontalidade. Mesmo com o pé-direito alto, o desenho de luz e o posicionamento dos atores reduzem a distância entre público e ação. Em sequências de monólogo, Hamlet dirige seus pensamentos diretamente à assistência, eliminando a “quarta parede” tradicional. A estratégia pretende demonstrar que o texto escrito há mais de quatrocentos anos pode dialogar com a atenção fragmentada de espectadores acostumados a vídeos curtos de redes sociais.

Agenda de apresentações, detalhes técnicos e serviço completo

“Hamlet, Sonhos que Virão” estreia em 19 de fevereiro no Nu Cine Copan, situado na avenida Ipiranga, número 200. A temporada se estende até 19 de abril, com sessões às quartas, às 20h; quintas, às 20h30; sextas e domingos, às 17h; e sábados, em dois horários, 16h e 20h. Os ingressos variam de R$ 50 a R$ 250 e a classificação indicativa é de 14 anos.

A autoria do texto original é de William Shakespeare, e a tradução utilizada reúne Aderbal Freire-Filho, Wagner Moura e Barbara Harington. A produção conta com patrocínio de Nubank e Viva do Brasil, responsáveis por possibilitar a reabertura provisória do espaço.

Com essa iniciativa, a montagem pretende exorcizar memórias de um edifício esquecido e, simultaneamente, reforçar a relevância da cultura diante de um cenário em que, nas palavras de Leone, ataques e manipulações tentaram diminuir seu valor. O ator acrescenta que a arte brasileira “é forte por si só” e manifesta o desejo de que o reconhecimento internacional obtido por obras como “O Agente Secreto” não se transforme em requisito para futuros projetos de restauração.

O próximo marco para o público acompanhar é o encerramento da temporada, em 19 de abril, data que concluirá a experiência provisória no coração do Copan e definirá os passos seguintes da obra de recuperação total prevista para 2027.

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Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe. Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

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