Gerald Thomas critica exploração da pobreza por milionários e diz que Oscar não muda cenário cultural

Gerald Thomas critica exploração da pobreza por milionários e diz que Oscar não muda cenário cultural

O diretor teatral Gerald Thomas voltou a manifestar descrença nas grandes premiações cinematográficas e a denunciar, em suas palavras, a recorrente “exploração da pobreza por milionários” nos filmes contemporâneos. As declarações foram feitas às vésperas da próxima cerimônia do Oscar, que pode contemplar o longa “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, em quatro categorias. Paralelamente, Thomas estreia em São Paulo “Choque! Procurando Sinais de Vida Inteligente”, montagem que satiriza a hiperconexão e a confusão entre arte e consumo.

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Gerald Thomas questiona relevância do Oscar e de outras premiações

Para Gerald Thomas, o resultado do Oscar não altera o panorama cultural. O encenador recordou que, no ano anterior, chegou ao Brasil sem ter assistido a “Ainda Estou Aqui”, primeiro filme nacional vencedor da estatueta, e sequer se entusiasmou com a conquista. Repetindo o ceticismo, ele afirma não se lembrar dos títulos premiados, à exceção do longa citado, pelo qual sua ex-esposa, a atriz Fernanda Torres, recebeu indicação.

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O próximo Oscar traz o Brasil novamente ao centro das apostas, já que “O Agente Secreto” concorre a melhor direção de elenco, melhor ator para Wagner Moura, melhor filme internacional e melhor filme. Mesmo diante desse cenário, Thomas sustenta que a estatueta serve sobretudo aos interesses de bastidores, não ao reconhecimento artístico.

Gerald Thomas aponta lobby milionário por trás das campanhas

O diretor define as premiações como território de lobistas: “festas milionárias” e estratégias de influência seriam, em sua análise, decisivas para transformar um filme em candidato ao Globo de Ouro ou ao Oscar. Ele menciona o cineasta Walter Salles, classificado pela revista Forbes como o terceiro realizador mais rico do mundo, para ilustrar a presença de “magnatas” que investem fortunas em eventos promocionais.

Thomas sustenta que esse mecanismo perpetua a desigualdade porque produtores abastados ampliam prestígio enquanto financiam narrativas sobre pobreza. “Os multimilionários fazem filmes sobre gente pobre”, observa, reforçando a tese de que a disparidade econômica percorre todo o ciclo de produção e divulgação das obras.

Choque! Procurando Sinais de Vida Inteligente marca retorno de Gerald Thomas aos palcos paulistanos

Enquanto discute a dinâmica dos prêmios, Gerald Thomas apresenta em São Paulo a peça “Choque! Procurando Sinais de Vida Inteligente”, protagonizada por Danielle Winits. Depois de temporada carioca, a montagem chega ao palco paulistano abordando a hiperconectividade contemporânea. O espetáculo questiona a fronteira entre arte e produto de consumo, tema que dialoga com a crítica do encenador às engrenagens mercadológicas do cinema.

Em 2025, Thomas já havia trazido ao país “Sabius, os Moleques”, trama na qual o planeta Terra tenta suicidar-se diante da destruição provocada pela humanidade. A nova produção mantém a verve satírica do diretor, agora voltada ao excesso de informação digital e à busca, quase frenética, por validação em redes.

Pobreza como tema de ricos no cinema contemporâneo

As declarações de Thomas ganham corpo quando se observam casos recentes. Walter Salles, citado pelo diretor, construiu parte de sua filmografia a partir de realidades sociais delicadas. “Central do Brasil”, lançado em 1998 e estrelado por Fernanda Montenegro, acompanha Dora, redatora de cartas para analfabetos na estação carioca homônima. O enredo segue pelo interior nordestino ao lado de um menino que perdeu a mãe, mesclando carência econômica e afetiva.

Gerald Thomas critica exploração da pobreza por milionários e diz que Oscar não muda cenário cultural - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

A produção venceu o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro em 1999 e rendeu a Montenegro indicação ao Oscar. Quase três décadas depois, Salles dirigiu “Ainda Estou Aqui”, drama sobre o desaparecimento do ex-deputado Rubens Paiva durante a ditadura militar. O longa garantiu ao Brasil seu primeiro Oscar — fato de grande repercussão nacional, mas que, na ótica de Thomas, não altera estruturas culturais nem sociais.

Ditadura brasileira volta às telas em ‘Ainda Estou Aqui’ e ‘O Agente Secreto’

A temática do regime militar perpassa também “O Agente Secreto”, principal aposta brasileira na próxima cerimônia da Academia. O filme de Kleber Mendonça Filho compete em quatro categorias e rememora períodos de repressão no país. Ex-funcionário da Anistia Internacional, Thomas reconhece a relevância de narrativas sobre violações de direitos humanos, mesmo não participando diretamente dessas produções. Ele reforça que trabalhou em defesa de pessoas perseguidas, sem converter a dor alheia em roteiro.

O diretor estabelece, porém, uma distinção entre reconhecimento individual e suposta vitória nacional. Para ele, quando Fernanda Torres recebeu o Globo de Ouro, a conquista pertenceu à atriz, não ao país. Da mesma forma, Thomas critica a celebração de Wagner Moura como se o ator representasse o Brasil no Oscar, classificando a prática de “demagógica”.

Trajetória pessoal molda a visão crítica de Gerald Thomas

Filho de judeus, Thomas perdeu familiares no Holocausto e afirma ter ascendência indígena americana. Em visita a Auschwitz, deparou-se, segundo conta, com uma realidade que dispensa símbolos patrióticos, experiência que fortaleceu seu repúdio a “bandeiras” e discursos nacionalistas presentes nas premiações.

A herança familiar também influencia seu posicionamento sobre o conflito entre Israel e palestinos na Faixa de Gaza. O diretor condena as ações do primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu, chamando-o de responsável por agravar o sofrimento de civis e por colocar em risco a comunidade judaica global. “Ele vai acabar com a gente”, afirma, classificando o líder como “nazista”.

Com a estreia paulistana de “Choque! Procurando Sinais de Vida Inteligente” em cartaz e a cerimônia do Oscar se aproximando, o próximo ponto de atenção para o público será o resultado das quatro indicações de “O Agente Secreto”, previsto para ser anunciado na noite da premiação.

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Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe. Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

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