Grammy 2026: indicados transformam premiação em potencial palco de protesto político

O Grammy que será transmitido às 22h deste domingo (1º) carrega a expectativa de ir além da consagração artística. A lista de indicados e as circunstâncias políticas que cercam nomes como Bad Bunny, Billie Eilish e Lady Gaga apontam para uma cerimônia que pode transformar o palco em tribuna de protesto contra o governo norte-americano e, em especial, contra as políticas migratórias defendidas por Donald Trump.
- Grammy e tensões políticas: o que está em jogo
- Bad Bunny: seis indicações e a causa imigratória no centro do Grammy
- Billie Eilish: duas indicações e histórico recente de críticas ao governo
- Lady Gaga e Kendrick Lamar: veteranos politizados em busca de novos gramofones
- Disputas acirradas nas categorias principais do Grammy
- Presença brasileira e abrangência global do Grammy
- Onde e quando acompanhar o Grammy 2026
Grammy e tensões políticas: o que está em jogo
A premiação, tradicionalmente focada em performances e troféus, desta vez lida com um conflito explícito entre artistas populares e a administração dos Estados Unidos. A escolha do vencedor na categoria álbum do ano sintetiza o dilema: caso Bad Bunny vença com “Debí Tirar Más Fotos”, o Grammy enviará uma mensagem contrária à postura anti-imigração que o porto-riquenho atribui ao governo Trump. Se, por outro lado, o reconhecimento se dirigir a nomes norte-americanos já consagrados, como Lady Gaga, a leitura de parte do público poderá ser a de uma premiação conservadora e avessa ao confronto político.
Bad Bunny: seis indicações e a causa imigratória no centro do Grammy
Artista mais ouvido do mundo no Spotify, Bad Bunny chega à noite de gala com seis indicações, incluindo as três categorias mais disputadas — álbum, canção e gravação do ano. A faixa “DtMF”, cantada em espanhol, é responsável pelas indicações de canção e gravação, o que estabelece um marco inédito na história recente da Academia: um projeto inteiro em espanhol competindo nas frentes centrais.
O cantor se tornou símbolo de resistência à política migratória dos Estados Unidos ao recusar levar sua turnê ao país. O temor de que fãs latinos sofressem repressão do ICE, órgão responsável por operações de deportação, levou o porto-riquenho a suspender apresentações em solo norte-americano. Esse posicionamento impulsionou protestos no meio artístico e consolidou Bad Bunny como porta-voz de uma causa que pode ganhar holofotes novamente no Grammy.
A possível vitória de “Debí Tirar Más Fotos” abriria espaço para um discurso alinhado à sua militância. Especialistas em indústria fonográfica já apontam que uma conquista na categoria álbum do ano intensificaria o contraste entre a Academia e o governo Trump, reforçando a premiação como arena de contestação política.
Billie Eilish: duas indicações e histórico recente de críticas ao governo
Billie Eilish concorre em gravação e canção do ano com “Wildflower”, composição desenvolvida em parceria com o irmão, Finneas O’Connell. Aos 24 anos, a cantora acumula episódios públicos de engajamento social. Há duas semanas, foi premiada no MLK Jr. Beloved Community Awards, onde destacou as mortes de manifestantes e acusou autoridades de negligenciarem a pauta ambiental.
Com 125 milhões de seguidores no Instagram, Eilish voltou ao debate na última terça-feira, ironizando celebridades que permaneceram em silêncio diante das ações do ICE. A rede social amplificou a repercussão e solidificou a expectativa de que a artista, caso suba ao palco para receber algum gramofone, repita ou amplie críticas na cerimônia do Grammy.
Lady Gaga e Kendrick Lamar: veteranos politizados em busca de novos gramofones
Sete vezes indicada nesta edição, Lady Gaga disputa o troféu de álbum do ano com “Mayhem” e figura entre as favoritas a gravação do ano graças à faixa “Abracadabra”. Mesmo representando a vertente mais reconhecida da música pop norte-americana, a cantora ostenta longo histórico de críticas ao governo Trump. Na quinta-feira, interrompeu show em Tóquio para lamentar o “estado do país”, citando perseguições e mortes de cidadãos. Esse discurso sugere que, caso seja laureada, usará a audiência global do Grammy para reforçar alertas sociais.
Kendrick Lamar lidera as indicações, nove ao todo, com o álbum “GNX”. O rapper já uniu performance musical e discurso político em ocasiões anteriores: no Super Bowl passado, ergueu bandeiras da Palestina durante apresentação acompanhada de perto pelo presidente norte-americano. Embora não costume mencionar nomes diretamente em entrevistas, Lamar mantém letras permeadas por críticas sociais e registros de violência institucional. O reconhecimento no Grammy precedente — gravação e canção do ano — fortalece sua condição de figura influente capaz de pautar o debate público, principalmente se repetir o triunfo neste domingo.

Imagem: Internet
Disputas acirradas nas categorias principais do Grammy
A corrida pelo álbum do ano apresenta, além de Bad Bunny, Lady Gaga e Kendrick Lamar, outros concorrentes. Justin Bieber chega com “Swag”, projeto que não empolgou a crítica nem seus próprios fãs. Sabrina Carpenter participa com “Man’s Best Friend”, apontado como repetitivo, e Leon Thomas surpreende críticos com “Mutt”, mas pode não reunir força suficiente para superar os favoritos.
Na gravação do ano, a batalha envolve “Abracadabra” de Lady Gaga, “Apt.” — colaboração entre Rosé, estrela revelada no grupo de k-pop Blackpink, e Bruno Mars —, “Manchild” de Sabrina Carpenter, “Anxiety” da rapper Doechii, “Luther”, união de Kendrick Lamar e SZA, além de “DtMF” de Bad Bunny. Se vencer, Rosé se tornará a primeira artista da cena k-pop a conquistar um prêmio de grande porte no Grammy, ainda que a canção seja em inglês.
A categoria artista revelação também traz incerteza. Lola Young era favorita em novembro, mas Olivia Dean ganhou tração ao emplacar três sucessos simultâneos nas rádios e redes desde o fim do ano. Enquanto Dean recebe comparações a Adele, Young lidou com problemas de saúde, cancelou agendas e até retirou participação no Lollapalooza São Paulo de março, o que embaralha as previsões para o troféu.
Presença brasileira e abrangência global do Grammy
O caráter internacional da edição fica evidente com a presença de Caetano Veloso e Maria Bethânia entre os indicados a melhor álbum de música pop global. Os irmãos brasileiros disputam com a gravação de sua turnê mais recente e medem forças com o nigeriano Burna Boy e o senegalês Youssou N’Dour. A nomeação evidencia um olhar da Academia para projetos que extrapolam o eixo anglófono, movimento reforçado pela ascensão de Bad Bunny e pela chance inédita de Rosé.
Em categorias específicas, há expectativa de vitórias para Hayley Williams, que lançou trabalho solo fora do Paramore, Miley Cyrus, elogiada por “Something Beautiful”, e Chappell Roan, vencedora de artista revelação no ano passado e agora competidora em performance de pop solo.
Onde e quando acompanhar o Grammy 2026
A transmissão do Grammy começa às 22h pelo canal TNT e pela plataforma HBO Max. Com indicações distribuídas entre artistas engajados e veteranos politizados, a cerimônia tem potencial para extrapolar discursos de agradecimento e abrigar manifestações ao vivo contra políticas de imigração, questões ambientais e tensões sociais recentes. Observadores aguardam não apenas os vencedores, mas também o teor das falas que poderão marcar a narrativa da indústria musical ao longo de 2026.

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe.
Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

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