Gravidez e Redes Sociais: Como uma Pausa Estratégica no Instagram Preservou a Saúde Mental de uma Gestante

Lead – Uma futura mãe norte-americana identificou que o hábito de deslizar por vídeos curtos no Instagram estava alimentando medos sobre perda gestacional e expectativas irreais acerca da própria barriga. No início do segundo trimestre, ela interrompeu totalmente o consumo de reels e relatou melhora significativa no bem-estar emocional durante o restante da gravidez.
- Descoberta da gestação e primeiros dias de sigilo
- Interação inicial com conteúdo materno no Instagram
- Informação útil versus excesso de recomendações
- Escalada da ansiedade: do medo de complicações ao comparativo corporal
- Percepção do impacto mental e decisão de interromper o scroll
- Implementação do detox digital
- Busca ativa e seletiva por informação confiável
- Redução de exposição pública e compartilhamento restrito
- Resultados percebidos na saúde mental
- Reflexões sobre formato e volume de informações
Descoberta da gestação e primeiros dias de sigilo
A confirmação da gestação ocorreu nas primeiras horas da manhã, no banheiro de sua residência. Sozinha diante do teste caseiro, ela visualizou as duas linhas indicativas de positivo e sentiu alegria imediata. Naquela fase inicial, apenas ela e o marido tinham conhecimento do embrião, então pequeno e vulnerável. Esse curto período de sigilo antecedeu qualquer anúncio a familiares ou amigos próximos.
Interação inicial com conteúdo materno no Instagram
Mesmo antes de comunicar oficialmente a gravidez, a gestante começou a pesquisar assuntos relacionados a maternidade na rede social. Bastaram poucos dias de curtidas e visualizações para que o algoritmo associasse seu perfil ao tema e passasse a exibir, quase exclusivamente, vídeos sobre gestação e cuidados com bebês. Reels sobre alimentação durante os nove meses, exercícios recomendados para o assoalho pélvico e produtos cosméticos para estrias tornaram-se onipresentes em seu feed.
Informação útil versus excesso de recomendações
No início, a avalanche de dados parecia benéfica. A multiplicidade de dicas dava a sensação de controle sobre um processo fisiológico novo e complexo. A futura mãe sentia-se disposta a absorver o máximo possível de conhecimento para proteger o desenvolvimento do embrião. Entretanto, a utilidade desse fluxo constante começou a se diluir diante da falta de curadoria e do tom prescritivo de muitos conteúdos, que frequentemente embutiam julgamentos sobre o “jeito certo” de engravidar.
Escalada da ansiedade: do medo de complicações ao comparativo corporal
Com o passar das semanas, o consumo contínuo de reels passou a gerar um ciclo de ansiedade. Vídeos que abordavam aborto espontâneo, gravidez ectópica e natimorto apareciam de maneira inesperada, intercalados com cenas felizes de recém-nascidos. A alternância brusca entre histórias drásticas e registros leves provocava “ressaca emocional”: a usuária não sabia qual sentimento emergiria no próximo deslizar de dedo. Além disso, materiais aparentemente positivos incentivavam comparações sobre tamanho de barriga, hábitos alimentares e rotina de exercícios, alimentando inseguranças a respeito do próprio padrão de gestação.
Percepção do impacto mental e decisão de interromper o scroll
No início do segundo trimestre, a gestante refletiu sobre o contraste entre a intimidade de sua experiência e a exposição constante a opiniões de desconhecidos. Ela concluiu que não convidaria centenas de pessoas para oferecer conselhos dentro de sua casa; portanto, não faria sentido permitir que essas vozes entrassem todas as noites por meio do celular. Reconhecendo o padrão de ansiedade induzido pela plataforma, determinou um corte radical: cessar o consumo de reels de forma indefinida.
Implementação do detox digital
O desligamento não foi instantâneo. Nas primeiras semanas, cada impulso de abrir o aplicativo exigiu questionamento consciente: “por que desejo rolar o feed agora?”. A autora do hábito percebeu que a vontade surgia sempre junto a picos de preocupação sobre a saúde do bebê. Quando identificava o gatilho, optava por estratégias alternativas, como ouvir música, praticar ioga leve ou conversar com o marido sobre seus receios. O processo disciplinado resultou, ao fim de poucas semanas, na eliminação completa do consumo de vídeos curtos.

Imagem: Parents
Busca ativa e seletiva por informação confiável
Após a interrupção, a gestante manteve acesso a dados sobre gravidez, porém de forma intencional. Em vez de absorver conteúdo aleatório, ela passou a procurar artigos específicos em fontes reputadas ou esclarecer dúvidas diretamente com o obstetra. A mudança de postura transferiu o controle do algoritmo para a própria usuária, permitindo exposição apenas a informações solicitadas por ela.
Redução de exposição pública e compartilhamento restrito
O detox incluiu não apenas consumo, mas também publicação. A futura mãe decidiu não divulgar fotos de “bumpdate” em aberto no Instagram. Sempre que registrava o crescimento da barriga, enviava a imagem de forma privada para familiares ou amigos próximos. Esse modelo diminuiu a escala da audiência e tornou o acompanhamento da gestação mais íntimo, condizente com o momento vivido pelo casal.
Resultados percebidos na saúde mental
Sem a intermitência de narrativas extremas nem a pressão de comparações visuais, a gestante relatou alívio quase imediato. A ausência do “coro de estranhos” permitiu que ela ouvisse seus próprios pensamentos com maior nitidez. Consequentemente, sentiu-se mais conectada ao processo biológico que ocorria internamente e menos vulnerável a variações de humor provocadas por conteúdos externos.
Reflexões sobre formato e volume de informações
A experiência demonstra que a lógica de vídeos curtos, premiada pelos algoritmos de redes sociais, pode expor usuários a transições abruptas de emoções sem tempo para processamento. Quando se trata de temas sensíveis, como gestação, essa dinâmica eleva o risco de ansiedade. O caso em questão ilustra que a simples intervenção de limitar o canal de informação – sem eliminar o acesso a conhecimento – pode preservar a saúde mental.
Ao final da gravidez, a gestante manteve o hábito de usar o telefone para fins pontuais e continuou selecionando criteriosamente o que consumia. O episódio sugere que a adoção de filtros pessoais, mesmo em ambientes digitais projetados para retenção máxima, é possível e traz benefícios concretos para bem-estar psicológico durante períodos de vulnerabilidade.

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe.
Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

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