Groenlândia torna-se peça-chave para Domo de Ouro dos EUA em nova ofensiva de Trump

Groenlândia torna-se peça-chave para Domo de Ouro dos EUA em nova ofensiva de Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a colocar a Groenlândia no centro da disputa geopolítica ao exigir que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) respalde a transferência do território, hoje autônomo sob soberania da Dinamarca, para os Estados Unidos. Em mensagens públicas recentes, o republicano classificou a ilha como imprescindível para o sucesso do Domo de Ouro, um ambicioso escudo antimísseis calculado em US$ 175 bilhões — cerca de R$ 1 trilhão — e planejado para proteger todo o território norte-americano contra ameaças hipersônicas.

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Groenlândia no centro da nova pressão de Trump

Na visão de Trump, a anexação da Groenlândia não é meramente simbólica. O presidente elevou o tom ao afirmar que os Estados Unidos “obterão a ilha de um jeito ou de outro”, argumento que ligou diretamente à necessidade de conter a crescente presença da Rússia e da China no Ártico. Ele exige que os demais integrantes da Otan apoiem o pleito, sustentando que a aliança militar só continuará relevante se contribuir para a expansão estratégica dos EUA na região gelada.

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A declaração veio acompanhada de crítica ácida à infraestrutura de defesa hoje existente na ilha. Trump ironizou que a segurança local se resumiria a “dois trenós puxados por cães”, posição que, segundo ele, não atende às exigências de um ambiente onde drones, misseis de cruzeiro e projéteis hipersônicos circulam com velocidade crescente. O líder norte-americano defende que apenas a integração total da Groenlândia às forças armadas dos EUA permitirá a instalação do sofisticado aparato de sensores, radares e interceptadores previstos no Domo de Ouro.

Como a posição da Groenlândia influencia o Domo de Ouro

O Golden Dome — tradução literal de Domo de Ouro — é inspirado no sistema israelense Domo de Ferro, mas amplifica suas capacidades para cobrir a totalidade do espaço aéreo norte-americano. A arquitetura inclui uma constelação de satélites de alerta precoce combinada a interceptadores terrestres capazes de destruir mísseis em todas as fases de voo, do lançamento à reentrada atmosférica. Para que essa rede alcance cobertura global, os projetistas apontam a localização da Groenlândia como “nó indispensável”.

Geograficamente, a ilha situa-se próxima ao Polo Norte, em posição privilegiada para detectar trajetórias que saem do território russo ou atravessam o Ártico oriundas da Ásia. Sem as bases de monitoramento instaladas ali, argumenta Trump, os sensores teriam ângulos cegos que reduzirão significativamente a eficácia do escudo. O prazo apresentado pelo governo é ousado: concluir o sistema até 2029, último ano de um eventual segundo mandato. Especialistas, contudo, classificam a meta como excessivamente otimista, citando desafios de integração tecnológica, testes em clima extremo e dificuldades orçamentárias.

Escalada diplomática e militar entre Estados Unidos e Dinamarca

A Dinamarca reagiu rapidamente. O ministro da Defesa, Troels Lund Poulsen, divulgou que tropas e equipamentos adicionais já estão em trânsito para a Groenlândia. As unidades destacadas incluem divisões dedicadas a logística de frio intenso e vigilância de longo alcance, sinal de que Copenhague pretende manter controle direto sobre a ilha. Paralelamente, o governo dinamarquês descartou “concessões fundamentais” e reiterou que o território não está à venda.

Para reforçar a dissuasão, Reino Unido e Alemanha articularam dentro da Otan uma operação apelidada provisoriamente de “missão no extremo norte”. A proposta, ainda em debate, estabelece uma barreira militar multinacional no entorno da Groenlândia com o objetivo de desencorajar qualquer tentativa de ocupação forçada pelos EUA. Analistas em Bruxelas avaliam que a iniciativa pretende tanto defender o aliado dinamarquês quanto preservar a credibilidade da própria organização, colocada em xeque pelas ameaças de Trump.

Reação da Otan e dos aliados europeus à disputa pela Groenlândia

A confrontação direta com Washington representa teste delicado para a Otan. O presidente norte-americano sugeriu que poderia “sacrificar” a aliança caso não obtenha apoio explícito a seus planos de expansão ártica. O argumento central é que, sem a Groenlândia integrada ao Domo de Ouro, o pacto de defesa coletiva perderia valor estratégico. Nos bastidores, diplomatas europeus veem a retórica como tentativa de pressionar os parceiros a escolher entre coesão transatlântica e reconhecimento da soberania dinamarquesa.

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, classificou o momento como “encruzilhada decisiva” para o Ocidente. Embora evite linguagem bélica, ela sustenta que permitir a apropriação de um território de aliado soberano abriria precedente que abalaria a atual ordem internacional. Dentro da própria Groenlândia, protestos organizados em Nuuk e em pequenas comunidades costeiras indicam rejeição popular à ideia de ser absorvida por um país estrangeiro sem consulta direta.

Próximos passos: reuniões em Washington e impasse sobre financiamento

Em paralelo ao aumento de tropas, uma via diplomática permanece aberta. Delegações dos Estados Unidos, da Dinamarca e do governo autônomo groenlandês agendaram reuniões em Washington. Participarão o secretário de Estado, Marco Rubio, o vice-presidente J. D. Vance e a ministra groenlandesa Vivian Motzfeldt. A representante da ilha enfatiza que qualquer decisão sobre o futuro do território precisará do aval da população local, reforçando o direito à autodeterminação previsto em estatutos autônomos.

Mesmo que a tensão militar recue, subsiste a incógnita sobre o financiamento do Domo de Ouro. O orçamento de US$ 175 bilhões não está detalhado no Congresso, e não há consenso sobre fontes de receita. Críticos argumentam que a iniciativa pode redirecionar recursos de programas sociais e comprometer a estabilidade fiscal. Trump, por sua vez, resume a questão à “necessidade psicológica” de proteger os Estados Unidos, postura que descarta obstáculos jurídicos ou econômicos.

À medida que as conversações se aproximam, persiste a disparidade entre as posições. A Casa Branca continua defendendo uma “compra amigável” da ilha, evocando precedentes históricos como a aquisição do Alasca no século XIX. Os governos de Dinamarca e Groenlândia, entretanto, reiteram que o território não está à venda, reforçando que a soberania não é mercadoria negociável.

O calendário oficial fixa o próximo encontro trilateral para as próximas semanas em Washington, onde será novamente discutida a situação da Groenlândia e a viabilidade de integrar o território ao cronograma de implantação do Domo de Ouro.

OrganizaSimples

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe. Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

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