Ilhas de calor urbano em Manaus: estudo revela diferença de até 10 °C entre cidade e floresta

Ilhas de calor urbano formadas na capital amazonense estão deixando bairros inteiros consideravelmente mais quentes que a floresta vizinha, segundo um levantamento baseado em imagens do satélite Landsat 8 e divulgado pela InfoAmazonia em junho de 2025. O estudo mediu a temperatura de superfície em Manaus e Belém, apontando diferenças médias de 3 °C entre a malha urbana e áreas preservadas, além de picos que chegam a 10 °C.
- O que o estudo sobre ilhas de calor urbano identificou
- Medições por satélite e diferença média de 3 °C
- Como a floresta mitiga as ilhas de calor urbano
- Impacto direto na rotina dos moradores
- Desafios e iniciativas para reduzir as ilhas de calor urbano
- A distribuição espacial das diferenças de temperatura
- Mudanças climáticas e perspectivas futuras
O que o estudo sobre ilhas de calor urbano identificou
Os pesquisadores analisaram pixels térmicos obtidos pelo Landsat 8 para mapear as variações de temperatura em duas capitais amazônicas. Em Manaus, 16 % da área construída apresentou, no mínimo, 5 °C acima da Reserva Florestal Adolpho Ducke, escolhida como referência de ambiente natural. Esses contrates configuram fenômenos clássicos de ilha de calor: bolsões em que a radiação solar retida pelo asfalto, pelo concreto e pelos telhados se converte em mais calor quando comparada à vegetação densa.
A extensão do fenômeno torna-se ainda mais expressiva quando traduzida em população: o estudo calcula que mais de 85 % dos habitantes de Manaus mora em zonas onde a temperatura de superfície supera a da floresta circundante. Na prática, a maioria dos manauaras convive diariamente com um microclima mais árido e quente do que o que prevalece a poucos quilômetros de distância, dentro dos fragmentos de mata.
Medições por satélite e diferença média de 3 °C
Para quantificar o contraste, o estudo considerou séries históricas de imagens de alta resolução térmica capturadas entre 2023 e 2025. A metodologia comparou a radiância da superfície terrestre em ambientes urbanos, semiurbanos e florestais. O resultado mais recorrente aponta para um excedente de temperatura na ordem de 3 °C no tecido urbano manauara, valor que sobe conforme a densidade de construções e a escassez de árvores de porte.
Entre os pontos de maior disparidade aparecem corredores viários intensamente asfaltados, regiões de galpões logísticos e conjuntos habitacionais compactos. Nessas áreas, a cobertura vegetal rareia, favorecendo absorção térmica durante o dia e liberação de calor durante a noite. Já a Reserva Adolpho Ducke serve de contraponto: sob dossel fechado, a evapotranspiração refrigera o solo e o ar, mantendo o termômetro em patamares mais amenos.
Como a floresta mitiga as ilhas de calor urbano
A sombra projetada por copas altas reduz a incidência direta de radiação solar no solo. Além disso, o processo de evapotranspiração — pelo qual as plantas liberam vapor d’água — remove calor do ambiente. Essa combinação explica por que a floresta consegue manter temperaturas inferiores às registradas nos bairros densamente construídos.
Em Manaus, a proximidade física entre concreto e mata cria uma transição nítida: do lado de uma avenida, prédios aquecidos; do outro, um fragmento verde capaz de derrubar a sensação térmica. A pesquisa ressalta que a cidade foi erguida “cercada e atravessada” por áreas verdes, o que abre oportunidade para iniciativas de corredores ecológicos, parques lineares e preservação de reservas urbanas com potencial de reduzir as ilhas de calor.
Impacto direto na rotina dos moradores
O calor não é apenas número em planilha. Ele influencia a forma como a população organiza horários, escolhe vestimenta e utiliza espaços públicos. Em bairros mais quentes, o uso constante de ventiladores e aparelhos de ar-condicionado eleva a conta de energia elétrica. O estudo não detalha valores exatos, mas menciona consumo elevado relacionado ao clima amazônico.
Os horários de circulação também se adaptam. Moradores preferem sair cedo pela manhã ou após o pôr do sol para driblar a sensação de abafamento. A umidade típica da floresta torna o ar pesado, aumentando o desconforto em ruas com pouca arborização. Dessa forma, parques e praças dotados de cobertura vegetal tornam-se refúgios estratégicos, estimulando lazer ao ar livre e encontros comunitários.

Imagem: Internet
Desafios e iniciativas para reduzir as ilhas de calor urbano
O debate sobre cidades verdes e resiliência climática ganha força em Manaus. Projetos de mobilidade que integrem ciclovias sombreadas, campanhas de reflorestamento de margens de igarapés e criação de praças arborizadas figuram entre as propostas citadas por urbanistas. A meta é equilibrar expansão imobiliária com manutenção do ecossistema, transformando a floresta de obstáculo em aliada.
Um ponto mencionado pelos autores do levantamento é a necessidade de planejamento baseado em ciência local. Compreender como cada quarteirão responde à cobertura vegetal pode direcionar esforços onde o ganho térmico é mais significativo. O mapeamento satelital, portanto, serve de diagnóstico contínuo, permitindo comparar a eficiência de políticas públicas ao longo dos anos.
A distribuição espacial das diferenças de temperatura
Embora a capital amazonense concentre a maior parte das ilhas de calor nas zonas centrais e no eixo das avenidas de tráfego intenso, o estudo também identificou manchas quentes em bairros periféricos. Isso demonstra que a pressão urbanística não se limita à região histórica ou aos polos comerciais; ela acompanha a expansão horizontal da cidade. Cada novo loteamento que remove vegetação sem reposição amplia o gradiente térmico observado por sensores orbitais.
Em Belém, capital vizinha analisada na mesma pesquisa, a lógica se repete: quadrantes citadinos exibem temperaturas mais altas que a mata próxima. Contudo, os dados qualitativos apontam para diferenças em extensão e intensidade, reflexo de variáveis como densidade populacional e regime de chuvas. Essas comparações intermunicipais reforçam a particularidade de cada ambiente urbano, ao mesmo tempo em que demonstram um padrão comum de aquecimento quando a cobertura florestal cede lugar ao concreto.
Mudanças climáticas e perspectivas futuras
Embora o relatório não traga projeções numéricas, ele sugere que, sem intervenção, a tendência é de agravamento das ilhas de calor urbano à medida que novos empreendimentos substituem áreas verdes. Cenários de mudanças climáticas globais podem intensificar ainda mais picos de temperatura local. Por isso, soluções baseadas na natureza — como reflorestar lotes ociosos, manter reservas intocadas e criar telhados verdes — aparecem como caminhos de custo relativamente baixo e retorno climático imediato.
Manaus, nesse contexto, torna-se laboratório a céu aberto sobre como conciliar urbanização acelerada e floresta tropical. Os dados de junho de 2025 fornecem um retrato detalhado do desafio, estabelecendo linha de base para que futuras medições — a serem produzidas pelo Landsat 8 ou por satélites sucessores — verifiquem se as ações planejadas conseguirão diminuir os atuais 3 °C de média e os alarmantes picos de 10 °C.

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe.
Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

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