Kali Uchis transforma show em São Paulo em manifesto sobre identidade latina e experiência imigrante

Em apresentação única no Vibra São Paulo, Kali Uchis utilizou o primeiro espetáculo latino-americano da “Sincerely, Tour” para unir performance pop e declaração sobre a condição imigrante, reforçando a mensagem de que, apesar de ter nascido nos Estados Unidos, ela se vê como parte da diáspora latina que migrou em busca de oportunidades.
- Kali Uchis: identidade latina e discurso sobre imigração
- Detalhes do espetáculo de Kali Uchis no Vibra São Paulo
- Repertório em espanhol reforça posicionamento de Kali Uchis
- Conexão com Bad Bunny destaca luta de artistas latinos
- Segunda passagem de Kali Uchis pelo Brasil e recepção do público
- A estética de palco e a persona pop de Kali Uchis
- Impacto da mensagem sobre imigração no contexto latino-americano
- Próximos passos da “Sincerely, Tour” na região
Kali Uchis: identidade latina e discurso sobre imigração
O tema central do concerto foi introduzido em um vídeo projetado nos telões. Nele, a cantora reafirmou a própria trajetória: nascimento em território norte-americano, infância na Colômbia e posterior retorno aos Estados Unidos. Ao definir-se como imigrante, ainda que detentora de cidadania estadunidense, a artista sublinhou as dificuldades que, segundo sua fala gravada, acompanham quem deixa o país de origem ou convive entre fronteiras culturais. Frases como “somos trabalhadores” e “somos humanos” ecoaram pelas caixas de som e funcionaram como linha-mestra do evento.
O discurso, exibido em todos os shows da turnê, adquiriu peso específico no Brasil por duas razões factuais: tratou-se da primeira vez que a turnê passou pela América Latina e coincidiu, no mesmo domingo, com a apresentação de Bad Bunny no intervalo do Super Bowl. Ambos os momentos colocaram artistas hispano-falantes em posições de destaque — um no maior palco esportivo dos Estados Unidos, outro em solo sul-americano.
Detalhes do espetáculo de Kali Uchis no Vibra São Paulo
A cenografia da noite refletiu a proposta de um pop visualmente elaborado, mas sem recorrer a artifícios fora do script. Logo no início, Kali Uchis surgiu sobre uma plataforma elevada, recebendo iluminação que delineava sua figura. Em seguida, deitou-se em uma cama posicionada no centro do palco, movimento que introduziu coreografias de caráter sensual e fez do cenário parte da narrativa musical. A câmera aérea projetou cada gesto nos telões, permitindo ao público acompanhar a interpretação em detalhes.
Durante a sequência, a cantora trocou figurinos, vestiu asas brancas e foi acompanhada por dançarinos que repetiram o adereço alado. O contraste entre as penas claras e o holofote ao fundo reforçou a estética de divindade pop observada em grande parte da apresentação. Mesmo com expressão predominantemente séria, a artista manteve postura coreográfica constante, sem comprometer a execução vocal, realizada ao vivo sobre uma base de apoio pré-gravada.
Repertório em espanhol reforça posicionamento de Kali Uchis
Quase todas as canções do set foram executadas em espanhol, escolha que dialoga diretamente com o posicionamento de Kali Uchis como representante da cultura latina. Desde que “Telepatía” viralizou no TikTok durante o período de isolamento social, a artista viu o alcance internacional crescer, mas não substituiu o idioma predominante de sua obra para se alinhar ao mercado anglófono. Em São Paulo, essa estratégia se confirmou: o público acompanhou as letras no idioma original, enquanto a cantora evitou interlúdios longos em inglês.
As faixas apresentadas pertencem majoritariamente ao disco lançado no ano anterior, trabalho que batiza a “Sincerely, Tour”. Ao todo, o catálogo da cantora soma outros quatro álbuns, construídos desde que o single responsável pela ascensão nas plataformas digitais a posicionou no radar do pop global. A coerência entre idioma, discurso político e estética cênica formou o núcleo do show brasileiro.
Conexão com Bad Bunny destaca luta de artistas latinos
A simultaneidade entre o espetáculo de Kali Uchis em São Paulo e a participação de Bad Bunny no Super Bowl ilustra um panorama no qual vozes latinas reivindicam espaço tanto fora quanto dentro dos Estados Unidos. O cantor porto-riquenho havia evitado se apresentar em território norte-americano em protesto contra ações do ICE, órgão de imigração dos EUA, postura que se reforçou quando ele venceu a categoria de Álbum do Ano no Grammy. A apresentação no evento esportivo marcou, portanto, um momento complexo de afirmação cultural.
Ao entoar canções em espanhol e sublinhar a frase “é difícil ser latina nos Estados Unidos”, a artista colombiana-estadunidense alinhou-se ao colega caribenho, ainda que em palcos separados por milhares de quilômetros. Ambos transformaram performances musicais em declarações sobre pertença, trabalho e humanidade do contingente latino em território anglófono.
Segunda passagem de Kali Uchis pelo Brasil e recepção do público
Esta foi a segunda vez que Kali Uchis se apresentou no país. A primeira ocorreu em 2023, durante o festival Lollapalooza, também realizado em São Paulo. Comparativamente, a estreia solo no Vibra São Paulo ofereceu estrutura integral própria, permitindo à artista controlar cenografia, setlist e dinâmica de palco. A acústica da casa, descrita como abafada em alguns pontos, não impediu que a cantora executasse as canções ao vivo, característica ressaltada pelo público presente.

Imagem: Internet
O engajamento dos espectadores foi perceptível desde os primeiros versos. Mesmo sem hits adicionais que tivessem alcançado números de “Telepatía”, o repertório consolidado nos últimos cinco anos garantiu reconhecimento coletivo. Assim, a relação artista-plateia formou-se tanto pela familiaridade musical quanto pelo conteúdo político inserido na narrativa do show.
A estética de palco e a persona pop de Kali Uchis
A postura de diva reservada, marcada por expressões faciais contidas e gestos calculados, compõe parte integrante da identidade artística de Kali Uchis. No Vibra São Paulo, essa persona foi reforçada por cenários que alternavam posições de poder — como o surgimento no topo de uma plataforma — e momentos de intimidade, exemplificados pela cena da cama. A coreografia constante—rebolados, poses e sincronização com bailarinos—foi executada sem sorrisos largos, estratégia coerente com a imagem que a cantora cultiva.
O resultado visual foi um espetáculo que priorizou a sofisticação cênica em detrimento de efeitos pirotécnicos. Iluminação focada, roupas reluzentes e o uso de asas fizeram do show um recorte preciso da fase atual da carreira, em que a artista opta por compor narrativa visual alinhada ao R&B e ao pop “classudo” que domina seu catálogo.
Impacto da mensagem sobre imigração no contexto latino-americano
A exibição do vídeo que trata da experiência imigrante, ainda que parte fixa da turnê, ganhou ressonância particular em território brasileiro. O país, composto por diversidade étnica e histórica presença de migrantes, apresentou receptividade à fala que classifica latinos como trabalhadores e humanos. A contextualização cultural oferecida por Kali Uchis foi recebida não apenas como elemento de espetáculo, mas também como espelho de trajetórias presentes no público.
Ao enfatizar família e comunidade no vídeo, a artista conectou a própria biografia à de outros imigrantes mostrados na tela. Dessa forma, converteu a experiência pessoal em mensagem de alcance coletivo, reforçando o sentido político do evento sem recorrer a discursos extensos no microfone. A conjugação de arte, projeção audiovisual e repertório em espanhol sustentou a coerência temática.
Próximos passos da “Sincerely, Tour” na região
Com a estreia latino-americana concluída em São Paulo, a “Sincerely, Tour” segue para outras localidades, mantendo o mesmo formato de show e a projeção do vídeo sobre imigração. A continuidade da agenda amplia a visibilidade da narrativa que Kali Uchis vem construindo desde o lançamento do disco mais recente.
Para o público brasileiro, a passagem pelo Vibra São Paulo deixa registrado um concerto em que a artista combinou cenografia precisa, repertório em espanhol e posicionamento explícito sobre identidade latina, alinhando-se, no mesmo dia, à exposição internacional de Bad Bunny no Super Bowl. O próximo capítulo da turnê indicará como essa mensagem seguirá sendo recebida em outras capitais latino-americanas.

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe.
Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.
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