Laura Pausini lança “Io Canto 2” e revisita Madonna e Roberto Carlos em álbum de covers ambicioso

Laura Pausini lança “Io Canto 2” e revisita Madonna e Roberto Carlos em álbum de covers ambicioso

Laura Pausini surpreende o mercado fonográfico com o lançamento de “Io Canto 2”, um álbum de releituras que resgata clássicos italianos e, ao mesmo tempo, incorpora sucessos de artistas ligados a essa cultura, como Madonna e Roberto Carlos. O projeto chega duas décadas depois do primeiro “Io Canto”, que em 2006 projetou a cantora a um público global, e surge sem o planejamento inicial da gravadora, que só esperava um novo trabalho de estúdio para 2027.

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Laura Pausini e a origem inesperada de “Io Canto 2”

O ponto de partida do novo disco ocorreu em dezembro de 2024, durante um ensaio. Na passagem de som, Laura Pausini pediu à banda que executasse uma canção fora do repertório habitual. A improvisação despertou nela o desejo “físico”, segundo descreve, de revisitar composições que marcaram sua formação artística. No mês seguinte, janeiro do ano passado, a italiana contatou a gravadora e os empresários para comunicar que se sentia pronta para retornar aos palcos e, consequentemente, para registrar mais um volume de homenagens.

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A notícia contrariou a agenda corporativa: a equipe comercial contava com um hiato até 2027 depois da turnê recém-encerrada. Ainda assim, o aval foi concedido. A artista de 51 anos associa essa urgência ao impacto que a pandemia de coronavírus teve sobre sua rotina. O período de restrições teria ampliado a necessidade de viajar, encontrar o público e sentir a dinâmica do espetáculo ao vivo, experiência que considera o cerne da própria carreira.

De Madonna a Roberto Carlos: o repertório escolhido por Laura Pausini

Ao compilar o repertório, Laura Pausini manteve a premissa de valorizar autores italianos ou descendentes de italianos. O alinhamento inclui lendas como Umberto Tozzi, Zucchero e Lucio Dalla, além de nomes contemporâneos, caso de Achille Lauro. A cantora expandiu, porém, a cronologia das faixas: se o “Io Canto” original focava em canções mais antigas, o novo volume abrange composições que vão de 1963 a 2023.

Entre as escolhas mais emblemáticas, destaca-se “La Isla Bonita”, hit de Madonna em 1986. A presença da canção corrobora a proposta de homenagear artistas conectados à cultura italiana — Madonna possui ascendência do país. Do lado brasileiro, duas faixas se unem ao conceito. “Dettagli”, versão em italiano de “Detalhes”, reúne a assinatura de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, lembrada no disco como um grande sucesso na Itália de 1973 na voz da diva Ornella Vanoni. Já “Já Sei Namorar”, criada pelos Tribalistas e assinada por Marisa Monte, reforça a ponte entre as duas nações ao atender ao critério de descendência.

A tracklist abriga ainda “Non Sono una Signora”, da roqueira Loredana Bertè. Inicialmente, Pausini cogitou outro título da mesma artista, mas mudou de ideia após maratonar a discografia completa. A diversidade estilística do álbum se manifesta, portanto, não apenas no recorte temporal, mas no equilíbrio entre baladas e faixas de pegada mais roqueira.

Processo criativo: como Laura Pausini gravou 98 demos até chegar ao set final

O caminho entre a primeira ideia e a conclusão de “Io Canto 2” envolveu a produção de 98 gravações demo. A cantora gravou versões preliminares para testar tonalidades, arranjos e a coerência do conjunto. Depois desse laboratório, selecionou as canções definitivas, visando um resultado que transite de forma orgânica entre climas suaves e momentos de energia elevada. A decisão de entrar em estúdio, enfatiza, acontece apenas quando sente esgotamento de cantar exclusivamente o próprio repertório — sensação que descreve inclusive como perceptível nas cordas vocais.

Durante esse processo, Pausini buscou um eixo narrativo que justificasse cada escolha. Percebeu então que todas as composições, ainda que gravadas por cantores de diferentes países, convergiam para autores italianos ou para artistas com herança italiana. Esse fio condutor conferiu identidade ao álbum e permitiu inserir participações especiais sem perder o conceito central.

Reflexos da pandemia e sede de palco impulsionam Laura Pausini

Embora “Io Canto 2” seja, à primeira vista, um tributo a terceiros, o disco espelha o momento pessoal de Laura Pausini. A artista relata que a pandemia trouxe a incerteza sobre voltar a viver “normalmente”, termo que para ela significa viajar, ter contato próximo com fãs e sentir-se viva no palco. Esse contexto ajuda a explicar por que, tão logo os shows foram retomados, a cantora quis encurtar o intervalo entre turnês.

Laura Pausini lança “Io Canto 2” e revisita Madonna e Roberto Carlos em álbum de covers ambicioso - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

Pausini admite não pertencer ao grupo de artistas que se satisfazem apenas compondo ou gravando em estúdio. Para ela, a essência da música está na interação presencial, independentemente do tamanho da plateia. A analogia com Joana d’Arc, que empunhava armas, surge quando menciona o microfone como instrumento para enfrentar o noticiário marcado por violência diária. O sacrifício, diz, inclui afastar-se da família para viagens constantes — preço que considera necessário para cumprir sua missão artística.

Participações brasileiras reforçam a ponte de Laura Pausini com o país

O repertório traz colaborações que reforçam laços com o Brasil. Há 25 anos, Ana Carolina popularizou “Quem de Nós Dois”, versão de “La Mia Storia tra le Dita”, de Gianluca Grignani. Na nova gravação, Pausini convidou a própria Ana Carolina e adicionou o cantor Ferrugem, transformando a faixa em trio. A iniciativa se alinha ao critério de autoria italiana e insere a sonoridade brasileira em uma obra que, por definição, celebra diálogos culturais.

Outra menção ao país aparece na escolha de traduzir “Il Cielo in una Stanza”, composta pelo amigo Gino Paoli, para “O Céu Dentro de um Quarto”. A tradução atende à crença da cantora de que a língua portuguesa emprestaria nova sonoridade à música, mantendo-a coerente com a ideia de homenagear autores de raízes italianas.

Agenda futura: show de Laura Pausini no Brasil e presença em evento olímpico

O ciclo de divulgação de “Io Canto 2” já tem duas datas marcantes. A mais imediata ocorre nesta sexta-feira, quando Laura Pausini participa da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno, realizada na Itália. O evento televisionado serve como vitrine global para o repertório recém-lançado.

Em seguida, a turnê oficial desembarca no Brasil em 27 de fevereiro do próximo ano, na Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo. O anúncio atende à expectativa de fãs locais que acompanham a artista desde a era do primeiro “Io Canto”. Até lá, o álbum já pode ser ouvido nas plataformas digitais sob o selo Warner Music, permitindo que o público familiarize-se com as novas interpretações antes de vê-las ao vivo.

“Io Canto 2” marca, assim, mais um capítulo na trajetória de 30 anos de carreira internacional de Laura Pausini, sintetizando memórias de juventude, influências familiares e uma clara intenção de fortalecer pontes culturais em tempos fragmentados.

OrganizaSimples

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe. Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

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