Maior deslizamento de terra da história: o colapso do Monte St. Helens e seus efeitos ainda visíveis

Maior deslizamento de terra da história: o colapso do Monte St. Helens e seus efeitos ainda visíveis

Maior deslizamento de terra já documentado ocorreu em 18 de maio de 1980, quando o flanco norte do Monte St. Helens, no Estado de Washington (EUA), deslizou após um terremoto de magnitude superior a cinco, desencadeando uma sequência eruptiva que modificou permanentemente a paisagem local e o curso de três importantes rios da região.

Índice

O que torna o evento do Monte St. Helens o maior deslizamento de terra

Deslizamentos de terra são definidos como deslocamentos de grandes volumes de rocha, detritos ou solo encosta abaixo quando a gravidade supera a força de resistência do material. No caso do Monte St. Helens, a massa movimentada atingiu 2,5 km³, volume equivalente a aproximadamente mil Grandes Pirâmides de Gizé. Esse deslocamento viajou entre 50 e 80 m/s, ultrapassou uma crista de 400 metros de altura a 5 quilômetros do vulcão e chegou a registrar profundidade média de 46 metros, com pontos que alcançaram quatro vezes esse valor. Nenhum outro deslizamento histórico combina volume, velocidade e consequências vulcânicas tão amplas.

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Condições naturais que antecederam o maior deslizamento de terra

O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) identifica múltiplos fatores que convergem para um deslizamento de grande porte. Antes de 1980, o cone do Monte St. Helens apresentava três fragilidades:

1. Pressão interna elevada. A ascensão de magma formou uma criptocúpula que inchava o flanco norte da montanha, criando zonas de fratura e reduzindo a coesão das rochas.

2. Sistema hidrotérmico ácido. Gases vulcânicos dissolvidos na água subterrânea alteraram minerais, transformando rocha sólida em argila, material menos resistente ao cisalhamento.

3. Estrutura íngreme e estratificada. Camadas sobrepostas de lava e detritos depositadas em erupções passadas criaram zonas de falha internas com potencial de movimentos frequentes.

Além desses elementos, a montanha era alta e inclinada, características que ampliam o desequilíbrio entre gravidade e atrito. Quando um terremoto superior a magnitude cinco sacudiu a região, a estabilidade residual foi rompida e o flanco norte entrou em colapso.

Como o maior deslizamento de terra desencadeou a erupção do Monte St. Helens

O terremoto inicial provocou uma avalanche de detritos que removeu parte significativa do topo do vulcão, reduzindo abruptamente a pressão sobre o sistema magmático e sobre a água quente aprisionada nas camadas superiores. Esse alívio de pressão produziu três efeitos em sequência:

Lateral blast: a água subitamente vaporizada gerou uma explosão hidrotérmica lateral que se propagou a até 1.072 km/h, comparada pela Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA) a “retirar a rolha de uma garrafa de refrigerante agitada”.

Descompressão do conduto: com a retirada da “tampa” geológica, ondulações de despressurização percorreram o conduto vulcânico até o reservatório subterrâneo de magma, iniciando rápida formação de bolhas e desgaseificação.

Erupção pliniana: em seguida, uma coluna eruptiva de nove horas liberou cinzas e gases na atmosfera, enquanto correntes de lama (lahars) desciam encostas a velocidades superiores às permitidas em rodovias.

Consequências imediatas do maior deslizamento de terra

A combinação de avalanche, explosão lateral e erupção causou danos sem precedentes na área circundante:

Pessoas e infraestrutura. Dezenas de vidas foram perdidas por asfixia. Centenas de casas, dezenas de pontes e ferrovias, além de segmentos de rodovias que somariam dois terços da extensão do Grand Canyon, foram destruídos.

Paisagem. A devastação transformou a vegetação em um terreno comparado pela NOAA à superfície lunar, com árvores arrancadas ou carbonizadas em um raio de dezenas de quilômetros.

Deposição de material. Lama e detritos encobriram vales inteiros, atingindo profundidades capazes de soterrar edificações e alterar cursos fluviais.

Impactos fluviais e econômicos de longo prazo

O volume colossal de sedimentos transportado redefiniu a hidrologia regional. Três rios — Toutle, Cowlitz e Columbia — receberam carga sólida tão intensa que seus leitos se elevaram significativamente:

Rio Columbia. O leito subiu quase nove metros, interrompendo temporariamente a navegação, essencial para o comércio do noroeste dos Estados Unidos.

Transporte de sedimentos. Décadas depois, esses rios ainda carregam detritos em taxas dezenas de vezes superiores às observadas antes de 1980, o que mantém custos elevados para dragagem, afeta a pesca e aumenta o risco de inundações.

Economia local. A paralisação do tráfego fluvial, somada à reconstrução de pontes e estradas, exerceu forte pressão sobre as finanças estaduais e federais nos anos seguintes ao evento.

Os registros do USGS indicam que o sistema fluvial continua em ajuste, evidenciando que erupções vulcânicas e megadeslizamentos podem gerar efeitos que persistem por muitas décadas.

OrganizaSimples

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe. Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

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