Microsoft aponta que 90% dos adolescentes brasileiros adotam medidas defensivas contra riscos online

No recorte brasileiro da décima edição da Pesquisa Global de Segurança Online, a Microsoft constatou que nove em cada dez adolescentes do País já executaram algum tipo de ação defensiva ― como bloquear perfis ou encerrar contas ― após sofrer ou presenciar ameaças na internet. O levantamento, conduzido com quase 15 mil participantes de 15 nações, aprofunda a forma como diferentes faixas etárias utilizam a tecnologia e reagem aos perigos digitais.
- A Pesquisa Global de Segurança Online da Microsoft
- Metodologia e perfil da amostra
- Cenário mundial de riscos apontado pela Microsoft
- Panorama específico do Brasil: discurso de ódio lidera preocupações
- Reação dos adolescentes: 90% recorreram a ações defensivas
- Inteligência artificial em foco: 91% temem danos potenciais
- Parceria Microsoft e Cyberlite escuta jovens sobre IA
A Pesquisa Global de Segurança Online da Microsoft
A iniciativa anual, conduzida pela Microsoft há dez ciclos consecutivos, coleta dados de adolescentes entre 13 e 17 anos e de adultos para mapear comportamentos de risco e autoproteção no ambiente virtual. Na edição mais recente, o estudo reuniu entrevistas de quase 15 000 pessoas distribuídas em 15 países, entre eles o Brasil. O painel avaliou categorias de ameaça, frequência de exposição, estratégias de resposta e percepção sobre a segurança digital em diferentes culturas.
Segundo o relatório, a exposição a perigos online voltou a crescer entre adolescentes no cenário global. Discurso de ódio aparece em 35 % dos relatos, golpes ou fraudes em 29 % e cyberbullying em 23 %. Mesmo diante desse avanço, o documento registra um movimento de resiliência: 72 % dos jovens afirmaram ter conversado com alguém logo após enfrentar um incidente, taxa que sobe pelo segundo ano consecutivo.
Metodologia e perfil da amostra
O estudo aplicou questionários estruturados que investigam “quem” foi impactado, “o quê” ocorreu, “quando” e “onde” os incidentes se deram, além de “como” e “por quê” as pessoas reagiram. Os entrevistados foram selecionados entre usuários ativos de internet e plataformas digitais. A segmentação por idade permitiu comparar a experiência de adolescentes com a de adultos, destacando divergências nas preocupações e nas medidas de proteção adotadas.
Nos 15 países pesquisados, o Brasil figura como um dos mercados prioritários para a análise porque combina grande volume de usuários jovens com forte penetração de redes sociais e aplicativos de mensagens. Essa condição oferece um campo fértil para compreender tanto a intensidade dos riscos quanto a eficácia das respostas adotadas pela nova geração conectada.
Cenário mundial de riscos apontado pela Microsoft
No recorte internacional, a Microsoft identificou três grupos de ameaça que mais impactam adolescentes: conteúdos de ódio, tentativas de fraude e práticas de humilhação virtual. Cada tipo de risco foi medido em termos de frequência e consequências relatadas. A pesquisa mostra que o discurso de ódio não apenas cresce em volume, mas também em diversidade de plataformas onde ocorre. Já os golpes online mostram sofisticação crescente, atingindo 29 % dos jovens, enquanto o cyberbullying permanece como um problema persistente, citado por quase um quarto dos entrevistados.
Os números também revelam sensibilidade ampliada à inteligência artificial: 91 % dos participantes globais expressaram preocupação com possíveis danos gerados por ferramentas de IA, demonstrando que o tema já faz parte do repertório cotidiano de usuários de todas as idades.
Panorama específico do Brasil: discurso de ódio lidera preocupações
No Brasil, 63 % das pessoas ouvidas afirmaram ter vivenciado ao menos um risco online significativo nos 12 meses anteriores à pesquisa. Três categorias lideram os registros nacionais. O discurso de ódio aparece no topo, afetando 36 % dos respondentes. Em segundo lugar surge a exposição a violência gráfica e sangrenta do mundo real, com 28 %. Logo depois vêm golpes e fraudes digitais, citados por 27 %.
A segmentação etária mostra nuances. Enquanto a maioria das gerações adultas manifesta apreensão maior com fraudes, os adolescentes brasileiros elegem o cyberbullying como principal fonte de medo, com 36 % de menções. Essa diferença de foco evidencia como cada grupo percebe vulnerabilidades específicas dentro do mesmo ecossistema digital.

Imagem: Arsenii Palivoda
Reação dos adolescentes: 90% recorreram a ações defensivas
Entre os jovens brasileiros que sofreram ou testemunharam ameaças, 81 % conversaram com alguém de confiança ou denunciaram o ocorrido a plataformas e autoridades. Ainda mais contundente é o dado de que 90 % dos adolescentes adotaram ações defensivas efetivas, como bloquear usuários ofensivos, restringir comentários, encerrar perfis ou ajustar configurações de privacidade.
O índice reforça a tendência apontada pelo estudo de que a comunicação aberta e a busca por soluções técnicas se consolidam como estratégias preferenciais de enfrentamento. O comportamento proativo tem crescido ano após ano, segundo o histórico do levantamento, sinalizando aprendizado contínuo sobre mecanismos de proteção disponíveis em aplicativos e redes sociais.
Inteligência artificial em foco: 91% temem danos potenciais
A pesquisa dedicou um bloco de questões para aferir a percepção sobre inteligência artificial. Globalmente, 91 % dos respondentes declararam algum nível de preocupação com os impactos negativos que a IA pode causar. Os receios abrangem aspectos como privacidade de dados, manipulação de informações e potenciais vieses algorítmicos.
Dentro desse contexto, adolescentes veem a tecnologia tanto como ferramenta de apoio quanto como possível fonte de novos riscos. A análise dos depoimentos mostra que a juventude reconhece vantagens, mas exige transparência e salvaguardas adequadas à sua faixa etária.
Parceria Microsoft e Cyberlite escuta jovens sobre IA
Para aprofundar a voz dos próprios adolescentes, a Microsoft firmou colaboração com a Cyberlite em um programa de oficinas de co-design realizadas com estudantes na Índia e em Singapura. Nos encontros, participantes de 13 a 17 anos relataram benefícios, riscos e dimensões emocionais do uso de assistentes de IA. As primeiras sessões, ocorridas em dezembro de 2025, indicaram que os jovens enxergam as conversas com máquinas como espaço sem julgamentos, mas apontam preocupações com privacidade, dependência excessiva e enfraquecimento do pensamento crítico, avaliadas como ameaças mais sérias que a simples possibilidade de receber conselhos inadequados.
As contribuições coletadas nesses workshops serão incorporadas a materiais educativos destinados a adolescentes, pais e professores, alinhando recursos pedagógicos ao que os próprios usuários consideram essencial para uma experiência segura.
Ao divulgar os resultados da décima edição da Pesquisa Global de Segurança Online, a vice-presidenta e diretora de Segurança Digital da Microsoft, Courtney Gregoire, enfatizou que a indústria precisa oferecer ambientes adequados para cada idade. Sem essa adaptação, argumenta ela, existe o risco de que os jovens acabem privados de parte dos benefícios da tecnologia. A próxima atualização do estudo é aguardada para 2026, quando novos indicadores deverão mostrar se as iniciativas de proteção ganharam fôlego suficiente para acompanhar a velocidade dos riscos emergentes.

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe.
Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.
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