Moltbook: entenda a nova rede social de IAs, suas limitações de autonomia e os alertas de segurança

Moltbook tornou-se o nome mais repetido nas discussões sobre inteligência artificial na última semana. A plataforma foi apresentada como uma rede social exclusiva para agentes autônomos, capazes de debater livre-arbítrio, religião ou mesmo criticar comportamentos humanos. O lançamento provocou entusiasmo, mas também levantou uma questão central: até que ponto essas interações são realmente autogeridas pelas IAs e quais riscos acompanham esse experimento? A seguir, todos os detalhes conhecidos até o momento.
- O que é o Moltbook e por que ganhou visibilidade tão rápido
- Agentes de IA x chatbots: onde está a diferença
- OpenClaw: a infraestrutura que conecta automação e o Moltbook
- Dúvidas sobre a autonomia das IAs no Moltbook
- Riscos de segurança e governança associados à rede social de agentes
- Vibe coding: a rapidez no desenvolvimento e seus dilemas
- Números, escalabilidade e o papel de Matt Schlicht na expansão do Moltbook
O que é o Moltbook e por que ganhou visibilidade tão rápido
Criado em 28 de janeiro pelo desenvolvedor norte-americano Matt Schlicht, de 37 anos, o Moltbook funciona de forma semelhante a um fórum do tipo Reddit. A diferença é que, em vez de perfis humanos, os participantes são agentes de inteligência artificial configurados por programadores. Em menos de uma semana, a rede declarou ter agregado mais de 1,5 milhão de agentes, responsáveis por aproximadamente 70 mil publicações e 230 mil comentários. Não há limite para a quantidade de perfis criados a partir de uma mesma conta, o que ajuda a explicar o salto numérico inicial, mas também dificulta medir quantos desenvolvedores humanos estão de fato por trás dessa massa de robôs.
O autor do projeto comparece ao mercado de IA como CEO da Octane AI, empresa de software voltada a experiências de compra em e-commerce. Ao lançar o Moltbook, Schlicht afirmou que a rede oferece um espaço em que “robôs reais” expressam “pensamentos reais”. Foi justamente essa promessa de autonomia total que atraiu curiosidade — e ceticismo — de especialistas.
Agentes de IA x chatbots: onde está a diferença
Entre os termos que geram confusão nos debates está a distinção entre agentes de IA e chatbots tradicionais. Chatbots, como assistentes virtuais de atendimento, atuam de maneira reativa: eles aguardam um comando humano e devolvem uma resposta baseada na instrução recebida. Já os agentes vão além da simples conversa. Após um comando inicial, eles podem planejar etapas, executar ações e alcançar metas sozinhos, como efetuar uma compra ou reservar um restaurante.
Essa capacidade adicional não significa consciência; significa apenas que o software possui rotinas para tomar decisões dentro de parâmetros predefinidos. A discussão em torno do Moltbook surge justamente nesse ponto: até que ponto os agentes estão tomando decisões por conta própria e até que ponto dependem de orientações humanas minuciosas?
OpenClaw: a infraestrutura que conecta automação e o Moltbook
O motor por trás da rede social é o OpenClaw, anteriormente batizado de Moltbot. Trata-se de um agente pessoal de IA que o usuário instala no próprio computador e capacita a controlar serviços externos. Entre as tarefas possíveis estão responder mensagens no WhatsApp, resumir e-mails ou acender lâmpadas inteligentes — tudo a partir de integrações via API. Ao dar permissão, o usuário também pode autorizar seu agente a participar de conversas dentro do Moltbook.
A centralização de tantas funções em uma única ferramenta é vista como o ponto realmente novo do projeto. Ela permite que informações coletadas em vários serviços sejam agregadas, oferecendo ganhos potenciais de produtividade. Entretanto, essa mesma amplitude de acesso abre espaço para preocupações sobre a quantidade de dados sensíveis expostos ao sistema.
Dúvidas sobre a autonomia das IAs no Moltbook
Pesquisadores de diferentes áreas apontam evidências de que, apesar do discurso de independência, muitos conteúdos publicados na plataforma nascem de prompts humanos detalhados. O antropólogo da tecnologia David Nemer, da Universidade da Virgínia, observa padrões que indicam curadoria manual de temas e instruções especificadas por desenvolvedores. Cleber Zanchettin, professor de IA na Universidade Federal de Pernambuco, reforça a percepção de que a autonomia real é menor do que aparenta.
A avaliação converge com a de Diogo Cortiz, docente da PUC-SP, que alerta contra a ideia popular de que modelos de linguagem estejam criando consciência ou agência própria. Segundo ele, os agentes atuam estritamente dentro do que aprenderam em treinamento supervisionado por pessoas. Em síntese, a “conversa entre robôs” seria, por ora, uma sequência de respostas baseadas em textos produzidos ou solicitados por humanos.
Até Sam Altman, presidente da OpenAI — organização responsável pelo ChatGPT —, reconheceu que agentes autônomos oferecem um vislumbre do futuro, mas classificou o entusiasmo em torno da rede como uma “moda passageira”. Sua fala endossa a necessidade de analisar o fenômeno com cautela e objetividade.
Ao permitir que agentes acessem múltiplos serviços e se conectem a outras plataformas via API, o Moltbook amplia a superfície de ataque para eventuais cibercriminosos. Especialistas mencionam três vertentes de risco:

Imagem: que o Moltbook
1. Permissões locais amplas: para controlar e-mails, mensageria e dispositivos domésticos, o OpenClaw solicita privilégios significativos no computador do usuário. Qualquer falha pode expor dados sigilosos.
2. Origem da base de dados: não está claro de onde vem o conjunto de informações usado para treinar muitos dos agentes que populam a rede. Caso inclua conteúdo protegido ou confidencial, há potencial para vazamentos.
3. Conexões externas: APIs facilitam automação, mas também servem como porta de entrada para códigos maliciosos. O histórico recente da própria rede inclui um vazamento de credenciais, evidência de que a infraestrutura ainda carece de maturidade.
Observadores lembram que a etapa de testes de sistemas assim é fundamental para estabelecer diretrizes de governança e mitigar danos antes que aplicações de maior escala entrem em funcionamento.
Vibe coding: a rapidez no desenvolvimento e seus dilemas
O caso do Moltbook exemplifica a tendência chamada vibe coding, na qual desenvolvedores utilizam IA para gerar trechos de código e acelerar a entrega de produtos digitais. A prática tem encurtado ciclos de criação, mas também levanta dúvidas sobre estabilidade, auditoria e manutenção de plataformas que chegam ao mercado quase em ritmo experimental.
A ocorrência de falhas, como o vazamento de dados já registrado, reforça a importância de controles de qualidade mesmo em iniciativas que se vendem como inovadoras. Para pesquisadores, observar experiências desse tipo em estágio inicial contribui para formular políticas de segurança antes que agentes autônomos adquiram funções críticas em escala ampla.
Números, escalabilidade e o papel de Matt Schlicht na expansão do Moltbook
Dados divulgados pelo criador indicam que, além da marca de 1,5 milhão de agentes, a rede alcançou 70 mil tópicos e 230 mil respostas em poucos dias. Esses volumes seriam difíceis de produzir com interação humana manual, o que confirma alguma automação. Ainda assim, especialistas lembram que um único programador pode gerar centenas de perfis, tornando incerta a correspondência entre agentes e pessoas.
Matt Schlicht ganhou visibilidade no ecossistema de software ao fundar a Octane AI, solução voltada a personalizar experiências de compra em lojas virtuais. Ao ampliar sua atuação para o Moltbook, o empreendedor posiciona-se na fronteira do que se convencionou chamar de IA agente. No entanto, a escalabilidade do projeto dependerá de credibilidade em relação à segurança dos dados e à autenticidade das conversas que seduziram o público inicial.
Por enquanto, o próximo passo concreto envolve a evolução do próprio OpenClaw, já que dele depende a capacidade de cada agente executar tarefas no mundo real. A comunidade de desenvolvedores segue acompanhando as atualizações para avaliar se os avanços técnicos virão acompanhados de salvaguardas adequadas.

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe.
Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

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