Mononucleose em criança de 6 anos evolui para UTI e expõe riscos além da “virose”

Uma sequência de febre leve, congestão nasal persistente e cansaço extremo levou uma menina de 6 anos de Atibaia, interior de São Paulo, a uma internação de quatro dias em unidade de terapia intensiva (UTI). O diagnóstico confirmado foi mononucleose infecciosa, enfermidade viral popularmente chamada de “doença do beijo”, mas que pode ser transmitida por qualquer contato com saliva contaminada, inclusive compartilhamento de utensílios ou gotículas expelidas ao falar, tossir ou espirrar. O caso evidenciou que, em crianças, o quadro pode ultrapassar o rótulo de “apenas uma virose” e exigir vigilância médica contínua.
- Primeiros sinais: febre isolada e congestão nasal
- Escalada dos sintomas e identificação do cansaço respiratório
- Reavaliação hospitalar e admissão imediata na UTI
- Ausência de tratamento específico e condução clínica
- Impacto emocional e logística familiar durante a internação
- Pós-alta: repouso domiciliar e restrição física
- Entendendo a mononucleose infantil
- Importância da reavaliação médica em quadros persistentes
- Retorno à vida cotidiana e prevenção de novos contágios
Primeiros sinais: febre isolada e congestão nasal
O quadro teve início em um domingo, durante a madrugada, quando a criança apresentou um pico febril único. Na manhã seguinte, o principal incômodo era o nariz completamente obstruído. Lavagens com soro fisiológico e uso de corticoide tópico foram tentados, mas a obstrução retornava em minutos, obrigando a respiração exclusiva pela boca e provocando visível exaustão.
Nesse estágio, os sintomas ainda remetiam a um resfriado comum. A febre não se manteve contínua, o que contribuiu para a percepção inicial de um quadro viral benigno. Contudo, a evolução nas 48 horas seguintes contrariou essa expectativa.
Escalada dos sintomas e identificação do cansaço respiratório
Na segunda-feira à tarde, a escola onde Alice estudava comunicou um novo pico febril. Apesar de antitérmicos, o desconforto respiratório não cedia. Na terça-feira, durante o almoço, a menina vivenciou a primeira crise de falta de ar, passando a puxar ar pela boca de forma afobada. A família buscou o pronto-socorro, onde recebeu orientação de manter medicação sintomática e lavagem nasal, sob a hipótese de virose.
No dia seguinte, a pediatra que acompanha a criança registrou que o grau de cansaço estava fora do padrão. A paciente não conseguia subir escadas sem solicitar colo e relatava fadiga para atividades simples. Pequenas lesões apareceram na mucosa oral, agravando o desconforto.
Reavaliação hospitalar e admissão imediata na UTI
Na quinta-feira à noite, a febre reapareceu com intensidade, o que motivou retorno ao hospital. Exames laboratoriais mostraram marcadores inflamatórios elevados, mas não apontaram origem bacteriana evidente. Diante da piora rápida, a equipe determinou a internação na UTI pediátrica. A criança chegou à unidade com febre alta, sinais de desidratação e dificuldade respiratória acentuada.
O primeiro teste sorológico para mononucleose resultou negativo, situação possível quando o exame é realizado muito cedo. Mesmo assim, pelos sintomas persistentes e pela intensidade do cansaço, os médicos mantiveram a suspeita. Um teste de anticorpos mais específico, associado a ultrassom abdominal que revelou hepatomegalia e esplenomegalia (fígado e baço aumentados), confirmou a infecção pelo vírus Epstein-Barr, agente etiológico da doença.
Ausência de tratamento específico e condução clínica
Como se trata de infecção viral sem antiviral de eficácia comprovada para uso rotineiro, não há terapia medicamentosa curativa. A conduta consistiu em:
• Controle da febre – uso de antitérmicos em intervalos regulares;
• Hidratação endovenosa – reposição de líquidos e eletrólitos;
• Monitorização respiratória – suporte para evitar insuficiência aguda;
• Observação do baço – risco de ruptura aumenta com traumas ou esforço físico;
• Analgesia – alívio de dor e desconforto na orofaringe.
Durante quatro dias, os profissionais acompanharam variações de temperatura, saturação de oxigênio e exames de sangue seriados. Com a estabilização dos sinais vitais e redução do edema orofaríngeo, a equipe autorizou transferência para apartamento e, em seguida, alta hospitalar.
Impacto emocional e logística familiar durante a internação
A hospitalização gerou desafios emocionais significativos. O irmão mais novo, Benício, de quatro anos, não pôde ter contato com a paciente por normas de isolamento. Sem rede de apoio local, os pais precisaram revezar-se entre o acompanhamento na UTI e os cuidados com o caçula em casa, enfrentando privação de sono e preocupação constante.
Relatos maternos indicam que aparelhos de monitorização, exames frequentes e a própria aparência debilitada da criança foram fatores de estresse contínuo. A tentativa de manter algum grau de normalidade incluiu jogos de cartas e atividades de memória para distração da paciente nos momentos de maior lucidez.
Pós-alta: repouso domiciliar e restrição física
No momento da alta, o baço permanecia aumentado, condição que eleva o risco de ruptura em caso de impacto. Por essa razão, a equipe prescreveu mais uma semana de repouso domiciliar, com hidratação reforçada e alimentação equilibrada. Não foram fornecidos medicamentos, pois a infecção segue curso autolimitado, exigindo apenas suporte sintomático.
O retorno gradual à rotina escolar ocorreu após avaliação médica. Atividades que envolvem contato físico, choques ou esportes foram temporariamente suspensas, seguindo orientação de evitar traumas abdominais enquanto o órgão não retorna ao tamanho normal.
Entendendo a mononucleose infantil
Agente etiológico: vírus Epstein-Barr, pertencente à família Herpesviridae.

Imagem: Internet
Via de transmissão: contato com saliva contaminada. Além de beijos, o contágio pode acontecer por objetos compartilhados (copos, talheres, escovas de dentes) e por gotículas dispersas ao falar ou tossir.
Sintomas mais frequentes:
• Febre persistente ou recorrente;
• Fadiga pronunciada;
• Aumento dos linfonodos cervicais;
• Dor de garganta;
• Hepatomegalia e esplenomegalia em parte dos casos;
• Lesões na mucosa oral.
Complicações possíveis:
• Obstrução das vias aéreas superiores devido a edema linfático;
• Ruptura esplênica, especialmente em traumas;
• Alterações hematológicas, como anemia hemolítica;
• Encefalite ou meningite, em casos raros.
Nenhuma dessas complicações é inevitável, mas a evolução de Alice demonstra que a mononucleose pode ultrapassar o perfil leve descrito em grande parte dos manuais pediátricos. A observação atenta de sinais de alarme, como fadiga desproporcional, dificuldade respiratória e dor abdominal intensa, é crucial para evitar atrasos no diagnóstico.
Importância da reavaliação médica em quadros persistentes
Apesar de ser comum ouvir orientações para aguardar a resolução espontânea de viroses na infância, este episódio reforça a necessidade de retornar ao médico diante de piora ou manutenção dos sintomas. No caso específico, a insistência da família em buscar uma segunda avaliação, aliada à percepção clínica da pediatra, foi determinante para a conduta hospitalar precoce.
Em ambientes onde múltiplas patologias circulam, diferenciar um resfriado simples de uma infecção como a mononucleose pode exigir testes sorológicos repetidos ou exames de imagem, principalmente quando o baço ou o fígado apresentam aumento palpável.
Retorno à vida cotidiana e prevenção de novos contágios
Após a recuperação funcional, a menina retomou atividades escolares, ainda com restrições a brincadeiras de impacto. A família solicitou à escola vigilância extra em relação a jogos bruscos, prevenindo colisões que possam afetar o baço em fase final de regressão.
No contexto doméstico e escolar, medidas simples reduzem o risco de disseminação do vírus:
• Evitar compartilhar utensílios que entrem em contato com saliva;
• Estimular lavar as mãos regularmente;
• Descartar lenços de papel após uso;
• Redobrar cuidados com superfícies de uso coletivo.
Embora não exista vacina específica contra o Epstein-Barr, a conscientização sobre formas de transmissão e sinais de alerta favorece o manejo precoce. O caso de Atibaia evidencia que a mononucleose, muitas vezes vista como leve, pode adquirir gravidade significativa em pacientes pediátricos, exigindo intervenções hospitalares avançadas.

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe.
Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

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