Operação Erga Omnes: polícia prende 13 servidores ligados ao Comando Vermelho e rastreia R$ 70 milhões

Operação Erga Omnes é o nome da força-tarefa que, nesta sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026, resultou na prisão preventiva de ao menos 13 pessoas, entre elas servidores dos três Poderes no Amazonas, suspeitas de facilitar o tráfico de drogas do Comando Vermelho e de lavar cerca de R$ 70 milhões desde 2018 por meio de empresas de fachada.

Índice

Quem são os alvos da Operação Erga Omnes

Entre os investigados está Anabela Cardoso Freitas, profissional lotada originalmente na Polícia Civil do estado. Atualmente cedida à Casa Civil do município de Manaus, ela exerce a função de assessora técnica. Segundo veículos locais, Anabela já chefiou o gabinete do prefeito David Almeida; o chefe do Executivo municipal, porém, não figura entre os investigados nem aparece como alvo de qualquer mandado relacionado ao caso.

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Outro servidor mencionado é Izaldir Moreno Barros, auxiliar judiciário do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM). A Corte comunicou que iniciou procedimentos administrativos internos, sem citar nomes, para apurar eventual violação dos deveres funcionais.

Além desses dois funcionários públicos, a operação alcançou outros 11 suspeitos, todos apontados pela Polícia Civil como integrantes de um núcleo que prestava suporte direto ou indireto à facção criminosa. As prisões ocorreram em caráter preventivo, medida que, segundo os investigadores, foi respaldada por provas reunidas ao longo de meses de monitoramento.

Como a Operação Erga Omnes desvendou o esquema financeiro

Os primeiros indícios surgiram em agosto de 2025, quando relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) registraram movimentações atípicas na conta de determinados servidores estaduais. A partir desses alertas, agentes do 24.º Distrito Integrado de Polícia (DIP) identificaram a existência de empresas de fachada abertas para conferir aparência legal a recursos obtidos com o tráfico.

Segundo o delegado Marcelo Martins, as supostas companhias não registravam compra de insumos nem mantinham relação comercial típica do setor de logística que diziam integrar. O fluxo financeiro se restringia a depósitos oriundos de traficantes e de servidores coniventes. Dessa forma, o grupo teria conseguido circular aproximadamente R$ 70 milhões em oito anos, mascarando a origem ilícita do capital.

Para ampliar o alcance das remessas e confundir rastreamentos, parte das transações foi registrada em nome de empresas fantasmas sediadas nos estados do Amazonas e do Pará. Também foram mapeadas contas vinculadas a organizações religiosas que, de acordo com a investigação, tinham como objetivo dificultar a identificação dos responsáveis. Um dos líderes do esquema se apresentava como membro ativo de uma igreja no bairro Zumbi dos Palmares, zona leste de Manaus.

Operação Erga Omnes expõe rede interestadual do Comando Vermelho

As diligências apontam que o braço logístico do Comando Vermelho atuava em pelo menos sete unidades da Federação. Além do Amazonas, mandados de prisão e de busca foram cumpridos no Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Pará, São Paulo e Piauí, em ações coordenadas entre as forças de segurança locais.

De acordo com os autos, a cadeia operacional iniciava em Tabatinga, município amazonense na fronteira oeste do estado, onde a droga era adquirida. A partir daí, remetentes simulavam o transporte de mercadorias lícitas, utilizando documentos fiscais e rotas de empresas de logística fictícias para distribuir entorpecentes por todo o território nacional.

Esse modelo dependia, segundo a Polícia Civil, de dois níveis de participação de servidores públicos. O primeiro fornecia suporte logístico, facilitando contratos, permissões e trânsito de cargas. O segundo era responsável por informações sigilosas que antevinham operações policiais e inspeções fiscais. Ao garantir a circulação de produtos ilícitos sem intercorrências, o grupo preservava a cadeia de fornecimento do Comando Vermelho em diferentes estados.

Reação dos órgãos públicos às prisões

A Prefeitura de Manaus declarou, em nota, que não é alvo da Operação Erga Omnes e reiterou compromisso com legalidade, transparência e pleno funcionamento da administração. O comunicado informa que eventuais servidores investigados responderão individualmente pelos atos atribuídos. Não foram detalhados possíveis cargos anteriores nem divulgados procedimentos disciplinares em tramitação.

O Tribunal de Justiça do Amazonas, por sua vez, anunciou que adota providências internas compatíveis com o caso e enfatizou não compactuar com condutas incompatíveis com a função pública. Até o momento do fechamento desta matéria, não houve confirmação de afastamento cautelar de Izaldir Moreno Barros nem de outros funcionários ligados à Corte.

A defesa de Anabela Cardoso Freitas e de Izaldir Moreno Barros não foi localizada. Ambos permanecem à disposição da Justiça, e o processo tramita em sigilo, segundo a autoridade policial.

Próximos passos da investigação após a Operação Erga Omnes

A Polícia Civil mantém análise pericial sobre documentos apreendidos, registros bancários e dispositivos eletrônicos recolhidos durante os mandados de busca. A expectativa dos investigadores é identificar outros possíveis colaboradores e aprofundar a conexão entre as transações financeiras suspeitas e o núcleo do Comando Vermelho.

No campo administrativo, a prefeitura de Manaus e o Tribunal de Justiça do Amazonas informaram que prosseguem com apurações internas, que podem culminar em processos disciplinares ou em eventual exoneração de servidores envolvidos. As secretarias de segurança dos estados onde também houve cumprimento de ordens judiciais acompanham o inquérito para verificar se existem ramificações locais ainda não alcançadas pela primeira fase.

Quanto aos 13 detidos, todos seguem sob custódia preventiva até que a Justiça avalie pedidos de liberdade ou de prorrogação da medida. Eles respondem pelos crimes de formação de organização criminosa, corrupção ativa, corrupção passiva, violação de sigilo funcional, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, conforme descrito nos autos.

O próximo evento oficial associado ao caso será a apresentação do relatório completo da Operação Erga Omnes pela Polícia Civil em coletiva futura, cujo cronograma ainda não foi divulgado.

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OrganizaSimples

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe. Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

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