Paramount detalha compromissos e contesta Netflix na disputa pela compra da Warner Bros.

Paramount, comandada pelo CEO David Ellison, divulgou uma carta aberta destinada a profissionais da indústria criativa e ao público do Reino Unido com o objetivo de reforçar sua proposta de adquirir a Warner Bros. Discovery. O texto, publicado na quinta-feira (5), formaliza compromissos e critica a venda já anunciada dos estúdios e plataformas da Warner para a Netflix, transação avaliada em US$ 83 bilhões — o equivalente a cerca de R$ 440 bilhões. A movimentação coloca as três gigantes do entretenimento no centro de um debate sobre concentração de mercado, preservação de marcas históricas, políticas de janela de exibição e o futuro da distribuição de filmes e séries.
- Paramount formaliza intenção de compra e alinha discurso público
- Preocupação da Paramount com expansão de mercado da Netflix
- Compromissos assumidos pela Paramount para preservar HBO e ampliar catálogo
- Estratégia de licenciamento reforça posição competitiva da Paramount
- Paramount sustenta que fusão com Warner ampliaria concorrência global
- Próximos passos na disputa entre Paramount, Warner Bros. e Netflix
Paramount formaliza intenção de compra e alinha discurso público
A primeira iniciativa da Paramount no novo capítulo da disputa foi tornar pública sua posição. Ao dirigir a carta “aos amantes do cinema e da televisão, à indústria em geral e a todos que se preocupam profundamente com o futuro do cinema e das artes”, a empresa expõe não apenas o interesse financeiro, mas também um discurso sobre o papel cultural do audiovisual. O documento sustenta que histórias contadas em tela atravessam fronteiras de idade, etnia e condição socioeconômica, e que, por isso, o ecossistema de criação precisa de proteção e estímulo. A carta é assinada por David Ellison, que lidera a Paramount e assume a linha de frente da negociação.
Ellison coloca o texto como ferramenta de convencimento para acionistas, reguladores e comunidades criativas. A estratégia da Paramount destaca que um acordo com a Warner permitiria ampliar a capacidade de produção e atingir públicos mais diversos, enquanto se evitaria a formação de um competidor considerado “dominante” no caso de a venda à Netflix ser concluída. Dessa forma, a empresa posiciona a transação pretendida como alternativa capaz de preservar a pluralidade no setor.
Preocupação da Paramount com expansão de mercado da Netflix
O ponto central da contestação diz respeito ao aumento de poder de mercado que a Netflix pode conquistar ao absorver os ativos da Warner, entre eles o canal HBO, reconhecido por produções de alto prestígio. Segundo a Paramount, a combinação de um grande estúdio de cinema, um catálogo extenso de séries e um serviço de streaming consolidado elevaria a concorrente a um patamar de concentração capaz de reduzir a diversidade de ofertas. Essa leitura embasa o argumento de que o negócio deve ser reavaliado sob a ótica de legislação antitruste e de proteção à competição.
Para reforçar a crítica, a Paramount enfatiza que a presença de múltiplos players relevantes estimula o investimento em novos projetos, amplia o número de empregos criativos e mantém variadas janelas de distribuição. A carta sustenta que, se uma plataforma dominar demasiadamente o fluxo de produção e exibição, as oportunidades de novos talentos e de produtores independentes podem encolher, comprometendo a “vitalidade da narrativa visual” — conceito reiterado várias vezes no texto divulgado.
Compromissos assumidos pela Paramount para preservar HBO e ampliar catálogo
Em contrapartida à venda para a Netflix, a Paramount lista uma série de compromissos que, segundo a empresa, beneficiariam tanto a audiência quanto os profissionais do setor. O primeiro item garante a manutenção da HBO como entidade independente, mesmo após eventual fusão com a Warner. Dessa forma, a marca continuaria a operar com identidade própria, mantendo o reconhecimento que construiu ao longo de décadas.
Outro ponto destacado é a promessa de lançamento de 30 longas-metragens por ano. A Paramount estipula que cada título passará primeiro pelos cinemas durante, no mínimo, 45 dias, antes de ser disponibilizado para compra digital e, posteriormente, chegar às plataformas de streaming. Essa política reafirma a defesa de janelas de exibição distintas, prática que muitos exibidores consideram essencial para a saúde financeira das salas de cinema.
O pacote de compromissos inclui ainda a disposição de licenciar conteúdos tanto para serviços próprios quanto para plataformas de terceiros. Segundo o documento, a estratégia abarca a compra de produções de outros estúdios e de produtores independentes, medida que fomentaria a circulação de obras diversas e reduziria a dependência de catálogos fechados.

Imagem: Internet
Estratégia de licenciamento reforça posição competitiva da Paramount
O modelo de licenciamento anunciado sinaliza que a Paramount pretende operar em múltiplas frentes de distribuição, evitando exclusividade total nas produções sob seu controle. Ao afirmar que conteúdos poderão ir para serviços de terceiros, a empresa se distancia de uma abordagem restritiva, na qual séries e filmes ficariam presos a um único aplicativo. Essa orientação dialoga diretamente com a preocupação levantada sobre a eventual “dominância” da Netflix, caso a plataforma passe a concentrar o vasto acervo da Warner.
Além disso, o plano de adquirir produções independentes indica que a Paramount busca fortalecer relacionamentos com criadores externos, garantindo um fluxo contínuo de projetos. Ao mesmo tempo, a perspectiva de licenciar obras para outros serviços mantém as receitas diversificadas e, em tese, incentiva parcerias que atravessam fronteiras corporativas.
Paramount sustenta que fusão com Warner ampliaria concorrência global
Na parte final da carta, a Paramount afirma que o mercado audiovisual se beneficiaria de um concorrente mais robusto frente às plataformas atualmente consideradas dominantes. A companhia argumenta que, ao unir forças com a Warner, seria possível equilibrar o cenário competitivo, criando condições para que diversos estúdios coexistam com relevância. O texto reforça que a “comunidade criativa e o público” sairiam ganhando se a produção cinematográfica permanecesse pulverizada entre vários agentes, em vez de concentrar-se em uma única corporação.
Esse posicionamento busca dialogar com órgãos reguladores, investidores e artistas que temem a redução de oportunidades no caso de a Netflix ampliar ainda mais seu alcance. Ao apresentar a fusão como solução pró-concorrência, a Paramount tenta deslocar o foco da discussão de uma mera disputa de ativos para um debate mais amplo sobre políticas de mercado e preservação cultural.
Próximos passos na disputa entre Paramount, Warner Bros. e Netflix
A compra da Warner pelos atuais acionistas da Netflix já foi anunciada, mas depende de análise regulatória. Paralelamente, a Paramount segue mobilizando argumentos para reverter a operação, utilizando a carta aberta como ferramenta de pressão pública. Conforme o documento divulgado, a empresa continuará a dialogar com acionistas e grupos da indústria para sustentar que sua proposta oferece melhor equilíbrio de mercado. Com isso, o setor aguarda os pronunciamentos das agências reguladoras que avaliarão se o acordo de US$ 83 bilhões poderá ou não avançar.

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe.
Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

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