Peças de brechó que podem envelhecer a decoração, segundo designers

Peças de brechó que podem envelhecer a decoração, segundo designers

Garimpar móveis e objetos em brechós se tornou um dos meios mais sustentáveis de decorar. Entretanto, nem todo achado de segunda mão conserva a mesma elegância quando sai da prateleira e entra em casa. Determinados itens, por mais “raros” que pareçam, podem deixar o ambiente com aparência de outro período, criando um contraste indesejado com a estética atual. Para compreender quais peças carregam esse risco e como comprá-las com critério, duas especialistas — a designer de interiores Britney Luedecke, fundadora da Signature Styles by Brit LLC, e a designer Sarah Trop, proprietária da Funcycled — detalham as armadilhas mais comuns e as estratégias para evitá-las.

Índice

O desafio de móveis pesados em estilo toscano

Entre os itens que mais aparecem em brechós, Luedecke destaca os volumosos móveis marrons que remetem ao estilo toscano popularizado no início dos anos 2000. São aparadores, mesas e espelhos com trabalhos de rolagem ornamentada e, muitas vezes, fabricação em série. Embora cada peça, isoladamente, possa ter acabamento de qualidade, o problema surge quando seu porte imponente domina o cômodo. Em contextos contemporâneos, linhas mais enxutas e superfícies leves costumam prevalecer; assim, inserir um móvel robusto sem contrapor textura ou forma tende a sobrecarregar o ambiente.

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A designer observa que não há incompatibilidade intrínseca entre itens antigos e espaços modernos, mas sim a necessidade de equilibrar volumetria e materialidade. Ao incorporar um armário toscano, por exemplo, é preciso criar contrapontos — seja com mobiliário de contorno simples, seja com superfícies claras que aliviem o impacto visual. Ignorar essa compensação faz com que a decoração pareça uma cápsula temporal, aprisionada na estética de duas décadas atrás.

Compras com propósito: a regra fundamental

Segundo Luedecke, o erro mais frequente de quem frequenta brechós nasce do impulso. A empolgação ao encontrar um item de preço atraente leva muitos compradores a finalizar a compra sem avaliar se o objeto se integra ao esquema cromático e ao estilo preexistente. A recomendação da especialista é definir previamente paleta de cores, referências de design e necessidades reais do espaço. Assim, qualquer aquisição deixa de ser um gasto eventual para se tornar um investimento calculado em valor estético e funcionalidade.

Além disso, a designer aconselha a verificar “a estrutura” dos achados. Uma cômoda pode exibir pintura desgastada, mas, se as gavetas deslizam bem e a madeira estiver em bom estado, vale a pena levá-la e atualizá-la. Em contrapartida, adornos sem utilidade ou móveis sem estabilidade apenas acrescentam volume e ruído visual, mesmo quando parecem sofisticados.

Conjuntos completos: quando a combinação excessiva envelhece o quarto

Se encontrar um quarto inteiro — cabeceira, criados e cômoda perfeitamente iguais — por um valor simbólico parece uma vitória, Sarah Trop alerta que o efeito, em casa, costuma ser o inverso. Conjuntos de madeira escura, entalhes carregados ou ornamentos redundantes tendem a dominar a área de repouso, transmitindo a sensação de moradia “pré-decorada”, não de escolha cuidadosa peça a peça.

Para atualizar o visual, Trop sugere quebrar a uniformidade misturando acabamentos. Um criado-mudo com pintura mais clara ou metal escovado ao lado de uma cama de madeira traz diversidade de texturas, evitando que o conjunto declare, de imediato, sua procedência de segunda mão.

Acabamentos diferentes: a chave para o aspecto coletado

A designer ressalta que seu objetivo é curar a casa como se fosse uma vitrine bem selecionada — e não replicar um showroom pré-fabricado. Nesse sentido, inserir um aparador antigo de tom médio em diálogo com uma mesa lateral em tonalidade mais clara ou com um banco de metal suaviza o “peso” de cada elemento. Essa variedade planeja a narrativa do espaço, em vez de denunciar uma compra em lote.

Iluminação: o brilho exagerado do latão polido

Luminárias vintage frequentemente seduzem colecionadores, mas escolher o modelo certo exige atenção ao acabamento. Trop identifica lustres e arandelas de latão muito brilhante como um dos maiores indicadores de datação. O reflexo intenso pode funcionar como um “feixe elétrico” que chama toda a atenção para si, distanciando-se da ideia de iluminação complementar.

Para evitar o efeito, a recomendação é procurar versões em latão escovado, dourado envelhecido ou mesmo peças com pátina natural. Esses tratamentos suavizam o brilho, adicionam calor e se harmonizam com outros materiais. Caso o componente antigo seja irresistível, uma solução viável é o retoque do acabamento ou a troca da cúpula por uma versão de tecido opaco, reduzindo o contraste com o restante da decoração.

Têxteis florais marcantes: quando o padrão prende o olhar ao passado

Sofás, almofadas e mantas são presença constante em lojas de segunda mão, mas estampas florais exuberantes ou desenhos que remetem a décadas passadas prendem o ambiente a um recorte temporal específico. Trop aponta que um tecido muito marcante, aliado a cores saturadas, limita a paleta de todo o cômodo. Em vez disso, vale priorizar fibras naturais, tramas discretas e padronagem mínima, itens que podem ser tingidos ou adaptados conforme a evolução do gosto pessoal.

A escolha por qualidade, e não por estampa, faz o objeto atravessar transformações de estilo sem precisar ser descartado. Dessa forma, o charme vintage fica no toque do linho ou da lã, e não em um motivo visual exagerado.

Tendências saturadas: o excesso de macramê, vime e suítes vintage

Determinados modismos ganharam tanto destaque nos últimos anos que deixaram de parecer exclusivos. Trop cita cadeiras de vime idênticas, suítes de quarto totalmente antigas e a abundância de macramê como exemplos de tendências que já se tornaram onipresentes. Quando todos os elementos seguem o mesmo enredo, a composição perde identidade.

Nesse cenário, o conselho é valorizar a singularidade. Uma cadeira vintage de linhas limpas, um abajur escultural ou um espelho antigo com moldura impactante funcionam como pontos focais mais interessantes do que uma repetição de itens semelhantes. A singularidade confere ao lar a impressão de seleção criteriosa, e não de aquisição em massa.

Mindful thrifting: o ponto em comum entre todas as recomendações

Tanto Luedecke quanto Trop convergem em uma conclusão: a curadoria consciente é o eixo central de um bom resultado. Isso implica observar a compatibilidade com a decoração existente, considerar proporção, textura, estado de conservação e evitar compras movidas apenas pelo preço ou pela nostalgia. A partir dessas premissas, brechós permanecem fontes valiosas de móveis de alta qualidade e acessórios cheios de personalidade, sem comprometer a atualidade do interior.

OrganizaSimples

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe. Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

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