Pequenas Criaturas encanta Mostra de Tiradentes e projeta jovens atores para o Festival de Gotemburgo

O drama familiar Pequenas Criaturas reuniu espectadores de todas as idades na tradicional sessão ao ar livre da Mostra de Cinema de Tiradentes, no último domingo, 25. A exibição marcou não apenas a passagem do filme pela histórica cidade mineira, mas também reforçou a trajetória ascendente de seus jovens protagonistas, que agora se preparam para representar a produção brasileira no Festival de Cinema de Gotemburgo, na Suécia.
- Pequenas Criaturas: sessão ao ar livre emociona o público em Tiradentes
- Elenco de Pequenas Criaturas ganha destaque na histórica praça mineira
- Imersão nos anos 1980 é ponto alto de Pequenas Criaturas
- Jovens atores narram desafios e aprendizados no set
- Mães relatam cuidados necessários ao introduzir crianças no audiovisual
- Pequenas Criaturas: impacto nacional e próxima parada em Gotemburgo
Pequenas Criaturas: sessão ao ar livre emociona o público em Tiradentes
A Praça central de Tiradentes tornou-se uma sala de cinema a céu aberto para acolher Pequenas Criaturas. O formato gratuito, característico da mostra, atraiu famílias inteiras, aproximando o público de um recorte ficcional situado em Brasília na década de 1980. No enredo, uma mãe chega à capital acompanhada dos dois filhos sem saber se o pai das crianças retornará, circunstância que desencadeia conflitos permeados pelo ponto de vista infantil e por referências de uma época anterior às redes sociais.
Dirigido por Anne Pinheiro Guimarães, o longa já havia conquistado o prêmio de melhor filme no Festival do Rio. Em Tiradentes, o carinho dos espectadores foi visível, consolidando a passagem do título por circuitos nacionais antes da estreia internacional marcada para a próxima semana.
Elenco de Pequenas Criaturas ganha destaque na histórica praça mineira
No centro da narrativa está a personagem Helena, interpretada por Carolina Dieckmann, que divide a cena com os atores mirins Theo Medon e Lorenzo Mello, responsáveis pelos papéis de André e Dudu. A participação de Letícia Sabatella complementa o elenco, fortalecendo a presença de artistas reconhecidos do cinema e da televisão brasileiros. Sabatella esteve presencialmente em Tiradentes para apresentar o trabalho ao lado dos colegas.
A visibilidade do elenco foi ampliada pela interação direta com o público após a sessão. Medon, Mello e Sabatella subiram ao palco montado na praça para compartilhar impressões sobre o processo de criação dos personagens, estabelecendo diálogo com espectadores curiosos sobre a recriação da Brasília dos anos 1980.
Imersão nos anos 1980 é ponto alto de Pequenas Criaturas
Ambientar Pequenas Criaturas em um período sem smartphones nem redes sociais exigiu pesquisa de produção e minúcia de direção de arte. Fitas cassete, pôsteres da época e figurinos autênticos compõem o universo dos protagonistas. Para os atores adolescentes, a ausência de tecnologia contemporânea revelou-se ferramenta narrativa determinante: ao contrário de jovens de hoje, André e Dudu precisam sair às ruas, interagir presencialmente e lidar com ausências sem o amparo de mensagens instantâneas — recurso enriquecedor para a construção dramática.
A produção transporta o público para rotinas familiares, brincadeiras de rua e interações escolares típicas daquela década. Na avaliação do elenco, a estética concreta dos objetos de cena, todos originais ou recriados com fidelidade, facilitou a internalização de gestos e hábitos distantes da vida digital atual.
Jovens atores narram desafios e aprendizados no set
Theo Medon, conhecido nacionalmente pela novela “As Aventuras de Poliana”, começou a atuar aos seis anos de idade e, hoje, com 16, soma mais de dois milhões de seguidores nas redes sociais. Para ele, a experiência cinematográfica ampliou a compreensão sobre a profissão de ator. Medon enfatiza que, embora tenha presença digital significativa, enxerga as plataformas apenas como extensão de seu trabalho, utilizando-as para divulgar projetos e aproximar conteúdos culturais de sua geração.
Lorenzo Mello, de apenas nove anos, vivenciou em Tiradentes a primeira oportunidade de se ver em uma tela de cinema. A sessão pública possibilitou reconhecimento imediato do público infantil presente, que reagiu às cenas com entusiasmo. Após a estreia, Mello passou a observar bastidores de outras produções, interessado em compreender artifícios de filmagem, som e montagem.

Imagem: Leo Ftes
Ambos relatam que a convivência no set funcionou como laboratório de vida: além de mergulhar na rotina lúdica proposta pelo roteiro, os dois absorveram a dinâmica colaborativa entre direção, equipe técnica e elenco adulto, aprendendo a lidar com responsabilidades de horário, concentração e adequação às exigências de cada cena.
Mães relatam cuidados necessários ao introduzir crianças no audiovisual
A participação dos filhos em Pequenas Criaturas foi acompanhada de perto por Rachel Wanderley, mãe de Lorenzo, e por Simone Fernandes, mãe e empresária de Theo. Segundo Rachel, a presença familiar no set converteu-se em espaço de diálogo sobre temas maduros abordados pelo longa. Situações delicadas retratadas no roteiro serviram de gatilho para conversas antes, durante e após as filmagens, inserindo a obra no cotidiano educativo da família.
Simone Fernandes observa que o mercado audiovisual brasileiro ainda carece de protocolos claros para talentos infantojuvenis. Ela considera fundamental criar ambientes que protejam crianças de pressões e excesso de exposição, mas reconhece o alto retorno artístico decorrente do envolvimento dos jovens em projetos bem estruturados. Para as famílias, festivais e sessões gratuitas, como a de Tiradentes, ampliam o acesso da população ao cinema nacional e contribuem para a formação de plateias mais diversas.
Pequenas Criaturas: impacto nacional e próxima parada em Gotemburgo
Ao acumular elogios da crítica e reconhecimento no Festival do Rio, Pequenas Criaturas reforça o momento positivo do cinema brasileiro, citado pelo elenco como fase de maior visibilidade internacional. A indicação ao prêmio Ingmar Bergman, em Gotemburgo, destaca-se como oportunidade para que o longa leve ao público estrangeiro um retrato da cultura de Brasília, do idioma português e da juventude local.
A diretora Anne Pinheiro Guimarães acompanhará a exibição na Suécia, onde a produção competirá com títulos de diferentes países europeus e latino-americanos. Para o elenco, a viagem representa a ampliação do alcance artístico iniciado nas praças e salas brasileiras.
Com a passagem por Tiradentes concluída, o filme prossegue agora rumo ao Festival de Cinema de Gotemburgo, na próxima semana, quando será conhecido o resultado da disputa pelo Prêmio Ingmar Bergman.

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe.
Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

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