Plano de capital do BRB: banco detalha ações para recompor R$ 5 bi e garante liquidez em até 180 dias

Plano de capital do BRB: banco detalha ações para recompor R$ 5 bi e garante liquidez em até 180 dias

O plano de capital do BRB foi entregue pessoalmente ao Banco Central nesta sexta-feira, 6, como resposta formal às perdas bilionárias provocadas pelas operações com o extinto Banco Master. O documento, apresentado pelo presidente da instituição, Nelson Antônio de Souza, ao diretor de Fiscalização do BC, Gilneu Vivan, estabelece um prazo máximo de 180 dias para restaurar a solidez patrimonial e reforçar a liquidez do banco controlado pelo Governo do Distrito Federal.

Índice

Contexto e motivação do plano de capital do BRB

A elaboração do plano de capital do BRB tornou-se imprescindível depois que investigações internas e externas apontaram um rombo estimado em R$ 5 bilhões no balanço da instituição. Esse valor foi citado pelo diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, em depoimento à Polícia Federal no fim do ano passado, quando relatou o impacto das negociações com o Banco Master. O plano agora submetido ao regulador reúne ações classificadas como preventivas e só demandará recursos do Tesouro distrital caso as apurações confirmem a necessidade de aporte público.

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Estrutura e objetivos centrais do plano de capital do BRB

Segundo nota oficial divulgada pelo banco, o documento tem como eixos fundamentais a sustentabilidade da operação, a preservação da estabilidade dos serviços oferecidos aos clientes e a garantia de transparência para investidores e parceiros. Embora os valores não tenham sido divulgados, o BRB assegura que todas as frentes descritas miram a recomposição do patrimônio de referência e a manutenção dos índices de liquidez exigidos pelo Banco Central. A instituição também reforça que o conjunto de medidas protege integralmente correntistas e mantém inalterado o funcionamento cotidiano das agências e plataformas digitais.

Possíveis fontes de recursos previstas no plano de capital do BRB

O plano de capital do BRB lista cinco caminhos, não excludentes, para levantar o montante necessário. Primeiramente, está a contratação de empréstimos de bancos privados ou de outras instituições financeiras, inclusive com a participação do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Depois, aparece a venda de ativos do próprio balanço, onde se destacam carteiras imobiliárias e créditos concedidos a estados e municípios. A terceira alternativa prevê a criação de um fundo imobiliário lastreado em terrenos e imóveis pertencentes ao Governo do Distrito Federal que seriam transferidos ao banco. A quarta via consiste em aportes diretos do Tesouro distrital. Por fim, há a possibilidade de o GDF captar recursos junto ao FGC e repassá-los posteriormente ao BRB.

Todas as opções que envolvem dinheiro público dependem de autorização prévia da Câmara Legislativa do Distrito Federal. Dessa forma, o banco buscou estruturar um plano que, ao mesmo tempo, garanta liquidez imediata e minimize a necessidade de novos aportes do controlador, considerando o cenário de restrição fiscal enfrentado pelo ente distrital.

Venda de ativos: etapa inicial de execução do plano de capital do BRB

Conforme apuração publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo e confirmada no comunicado do BRB, o banco já se desfez de aproximadamente R$ 5 bilhões em ativos de alta qualidade, como parcelas de crédito consignado e operações de antecipação de saques do Fundo de Garantia. A medida foi adotada para conter a fuga de depósitos que se intensificou após a liquidação do Banco Master e o avanço das investigações sobre possíveis irregularidades. Adicionalmente, a instituição negocia a alienação de quase R$ 1 bilhão em carteiras de crédito cedidas a estados e municípios e garantidas pelo Tesouro Nacional, transação que pode render cerca de R$ 730 milhões em valor presente. Também estão em curso tratativas para desfazer-se de fundos de investimento originalmente adquiridos do próprio Banco Master.

Origem das perdas relacionadas ao Banco Master

O cerne do problema que levou ao plano de capital do BRB foi a compra, pelo banco distrital, de aproximadamente R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito do Master. Relatórios preliminares apontam que parte significativa desses ativos estava superfaturada ou sequer existia. O BRB afirma que já substituiu ou liquidou cerca de R$ 10 bilhões desse total, mas segue sendo alvo de investigações conduzidas por órgãos de controle e pela Polícia Federal. Até o momento, a instituição nega qualquer bloqueio de bens e alega que coopera integralmente para esclarecer a real extensão das perdas.

Impacto regulatório e participação do Banco Central

A entrega do plano ao diretor de Fiscalização do BC marca o passo formal mais importante desde que as inconsistências contábeis vieram a público. O Banco Central, responsável por zelar pela estabilidade do sistema financeiro, avaliará a suficiência das medidas propostas e monitorará sua implementação ao longo dos próximos seis meses. Caso identifique falhas ou veja necessidade de reforçar a cobertura de capital, a autoridade poderá exigir ajustes adicionais ou ampliar a supervisão sobre as operações do BRB.

Governança e transparência como pilares do plano de capital do BRB

Na nota distribuída à imprensa, o banco sublinhou o compromisso com governança e transparência. A presença do secretário de Economia do DF, Daniel Izaias, na reunião com o BC indica a articulação direta entre a administração distrital e a diretoria da instituição financeira. Além disso, o BRB reiterou que divulgará, em suas demonstrações financeiras e em relatórios periódicos, os resultados de cada etapa do plano, oferecendo informações a acionistas minoritários, investidores institucionais e agências de classificação de risco.

Consequências para clientes, investidores e parceiros

De acordo com o documento encaminhado ao regulador, todos os produtos e serviços permanecem operando normalmente. Cartões, contas correntes, aplicações e linhas de crédito seguem disponíveis sem alteração de limites ou condições contratuais. Para os investidores, o banco sustenta que a recomposição de capital manterá os covenants e respeitará os indicadores mínimos fixados pelo Conselho Monetário Nacional. Parceiros comerciais, por sua vez, contam com a vigência ininterrupta de contratos, uma vez que as ações contemplam mecanismos de proteção suficientemente robustos para evitar qualquer descontinuidade operacional.

Próximos passos na tramitação do plano de capital do BRB

Encerrada a entrega formal, o BRB aguardará a avaliação detalhada do Banco Central. Paralelamente, a instituição deverá iniciar as tratativas com a Câmara Legislativa do Distrito Federal para viabilizar as medidas que exigem autorização legislativa. O cronograma interno prevê a execução escalonada das operações de venda de ativos, enquanto negocia, em paralelo, eventuais linhas de crédito com bancos privados ou com o próprio FGC.

Com prazo máximo de 180 dias para cumprir todas as fases, o plano de capital do BRB fica agora sob análise técnica do regulador, que definirá eventuais adequações ou exigências adicionais ao longo da implementação.

OrganizaSimples

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe. Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

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