Por que cortar cebola provoca lágrimas: explicação científica completa

Descascar e cortar cebola são gestos rotineiros na cozinha, mas bastam poucos segundos para o ardor nos olhos e as lágrimas aparecerem. Longe de qualquer aspecto emocional, esse efeito é resultado de reações químicas descritas em pesquisas publicadas no Journal of the American Chemical Society. Os estudos detalham como substâncias liberadas no momento do corte ativam terminações nervosas oculares, fazendo o organismo recorrer às glândulas lacrimais como mecanismo de defesa imediato.
Por que cortar cebola desencadeia uma reação química
A cebola contém compostos sulfurados dispersos em suas células. Quando a lâmina da faca rompe essas células, entra em cena uma enzima específica, identificada pelos pesquisadores como lachrymatory factor synthase. Ela converte os compostos de enxofre em um novo agente químico, o gás volátil syn-propanethial-S-oxide. A volatilidade do gás permite que ele se espalhe rapidamente no ar da cozinha, alcançando os olhos de quem manipula o vegetal.
O fenômeno não demanda temperaturas elevadas, equipamentos especiais ou tempo prolongado. Ele acontece no exato momento em que as estruturas celulares são danificadas, provando que a reação é quase instantânea. Esse “gatilho” inicial sustenta todo o restante do processo biológico que culmina na formação de lágrimas.
Como o corpo reage ao cortar cebola
Assim que o syn-propanethial-S-oxide toca a superfície ocular, terminações nervosas sensíveis detectam a presença do irritante. O sistema nervoso interpreta essa presença como possível ameaça química e estimula automaticamente as glândulas lacrimais. A água produzida pelas glândulas tem objetivo claro: diluir o composto, remover substâncias potencialmente nocivas e recompor o conforto da mucosa.
Esse reflexo lacrimal é involuntário. Não depende de decisão consciente e ocorre até mesmo em pessoas que raramente demonstram emoções por meio do choro. A rapidez da resposta comprova o refinamento dos mecanismos de autoproteção do organismo humano contra agentes externos.
Fatores que amplificam o choro ao cortar cebola
Os estudos destacam que características aparentemente simples podem intensificar ou atenuar o desconforto:
Frescor do vegetal: quanto mais recente a colheita ou menos tempo de armazenamento, maior a presença dos compostos sulfurados e, portanto, mais gás volátil é gerado.
Afiamento da faca: lâminas bem afiadas produzem cortes limpos que rompem mais células num único movimento, multiplicando a liberação da enzima e dos compostos irritantes. Facas cegas, por sua vez, obrigam a aplicar força extra e aumentam ainda mais o número de rupturas, elevando a concentração do gás.
Ambiente fechado: cozinhas sem circulação de ar permitem que o syn-propanethial-S-oxide se concentre, expondo os olhos a doses maiores em menos tempo. Ao ar livre ou em locais ventilados, o gás se dispersa com facilidade, diminuindo o efeito.
Tipo de cebola: variedades doces carregam composição química que resulta em menor quantidade do agente irritante. Por isso, tendem a provocar menos ardor.
Temperatura inicial: cebolas mantidas em refrigeração costumam gerar menos lágrimas. O frio retarda a atividade enzimática, reduzindo a formação do gás volátil.

Imagem: inteligência artificial
Métodos práticos para reduzir lágrimas durante o preparo
Sem recorrer a equipamentos complexos, algumas ações simples ajudam a limitar o contato do gás com a mucosa ocular:
Cortar próximo a superfícies com água: realizar o corte ao lado de uma tigela com água ou debaixo de corrente suave interfere na rota do gás, que tende a ser absorvido ou disperso pela umidade presente.
Uso de barreiras físicas: óculos de proteção ou modelos de uso cotidiano criam obstáculo mecânico entre o ar e a região ocular, impedindo ou atenuando a irritação.
Ventilação direcionada: posicionar o corpo de maneira que a corrente de ar do exaustor ou de um ventilador afaste o gás do rosto reduz o tempo de exposição.
Resfriamento prévio: manter o bulbo na geladeira antes do uso diminui a velocidade da reação enzimática, conforme mencionado, e, consequentemente, o volume de syn-propanethial-S-oxide liberado.
A importância científica por trás de um gesto cotidiano
O ato corriqueiro de cortar cebola revela a interação entre química de alimentos e respostas fisiológicas humanas. A observação de como um vegetal simples aciona mecanismos sofisticados de defesa ilustra a presença constante da ciência nas rotinas diárias. Cada lágrima vertida é um sinal de que o organismo reconheceu uma molécula irritante e reagiu na tentativa de protegê-lo.
Os resultados contidos no Journal of the American Chemical Society demonstram que a investigação científica se estende a fenômenos do cotidiano, desvendando desde a estrutura molecular da cebola até a forma como terminações nervosas comunicam perigo ao cérebro. O conhecimento detalhado do processo possibilita o desenvolvimento de práticas culinárias mais confortáveis e evidencia a relevância da pesquisa acadêmica em solucionar desconfortos aparentemente triviais.
Não há indicação de alteração nesse fenômeno a curto prazo, pois ele deriva de propriedades intrínsecas à composição da cebola. Portanto, sempre que o vegetal fresco for fatiado em ambiente com pouca circulação de ar, a tendência é que as lágrimas voltem a surgir — reflexo do mesmo mecanismo químico aqui descrito.

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe.
Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

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