Por que focas dão tapas na própria barriga? Entenda as funções de comunicação, termorregulação e higiene

Por que focas dão tapas na própria barriga? Entenda as funções de comunicação, termorregulação e higiene

Focas dão tapas na própria barriga em diferentes situações, mas o que parece apenas um ato cômico para o observador humano é, na prática, um comportamento multifuncional essencial à sobrevivência desses mamíferos marinhos. A ação envolve comunicação acústica, regulação de temperatura, alívio durante a troca de pelagem e até aprendizagem associada a recompensas em cativeiro, compondo um repertório complexo que revela a notável adaptação das espécies de focas aos ambientes gelados e barulhentos em que vivem.

Índice

O gesto das focas dão tapas na própria barriga: quem, o quê, onde e quando

O comportamento é observado em várias espécies de focas, animais pinípedes distribuídos por mares frios do hemisfério Norte e do hemisfério Sul. Ele ocorre tanto no ambiente aquático quanto em praias, restingas ou blocos de gelo onde os indivíduos costumam repousar. Os registros científicos indicam que machos adultos exibem a percussão do corpo com maior frequência, sobretudo durante a temporada reprodutiva, quando a competição por território e parceiros se intensifica. Fêmeas e jovens também podem recorrer ao gesto, mas com menor intensidade e geralmente em contextos de interação social ou higiene.

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O ato em si consiste em projetar a nadadeira frontal contra a região abdominal de modo firme e repetido. Cada impacto provoca um som seco que viaja de forma eficiente debaixo d'água ou pela superfície do gelo, funcionando como um sinal acústico de curto alcance. A frequência e a força das batidas variam de acordo com o objetivo imediato do animal, conferindo flexibilidade ao comportamento.

Comunicação à distância: quando a audição supera a visão

Em colônias densamente povoadas, o ruído natural do mar, das ondas e do vento pode dificultar a percepção de vocalizações. Nesses cenários, a percussão abdominal surge como solução alternativa. Cada tapa gera vibrações que percorrem o meio aquático, permitindo que membros do mesmo grupo identifiquem a presença de um indivíduo mesmo sem contato visual. Estudos em mamíferos marinhos mostram que sons de alta frequência atravessam longas distâncias, superando o mascaramento provocado pelo ambiente.

Entre os benefícios imediatos estão:

• Marcar território: o som firma a posse de um espaço crítico para descanso ou acasalamento.
• Evitar confrontos: ao advertir rivais de sua força, o macho diminui a chance de brigas físicas que poderiam gerar ferimentos.
• Atrair fêmeas: a energia despendida nos golpes sinaliza vigor, fenômeno semelhante ao bater de peito de gorilas.

Um artigo na revista Marine Mammal Science confirmou essa função social ao analisar gravações subaquáticas feitas por um pesquisador da Universidade de Newcastle. Os resultados comprovaram que o ruído produzido é detectável por outros exemplares a uma distância suficiente para influenciar decisões de espaço e acasalamento.

Focas dão tapas na própria barriga para regular a temperatura corporal

Apesar da espessa camada de gordura, fundamental para manter o calor em águas geladas, as focas enfrentam risco de hipertermia quando permanecem em terra firme sob sol forte. Nessa circunstância, o impacto repetido na pele úmida atua como mecanismo de resfriamento. A vibração facilita a evaporação de umidade, dispersa o calor superficial e estimula a circulação sanguínea na derme, acelerando a emissão de calor interno.

O processo funciona da seguinte maneira:

1. A nadadeira comprime momentaneamente a gordura subcutânea, empurrando sangue quente para vasos mais periféricos.
2. O contato expõe camada úmida à brisa, potencializando a perda de calor por evaporação.
3. A repetição cria uma forma rudimentar de ventilação constante, reduzindo a temperatura do corpo sem exigir deslocamento até a água fria.

Esses ajustes fisiológicos são decisivos em regiões polares durante o curto verão, período em que os animais permanecem por horas fora do mar para descanso ou muda de pelagem.

Higiene e muda: aliviando coceira e removendo pele morta

Todos os anos, as focas atravessam a chamada muda catastrófica, quando a pelagem antiga é substituída integralmente por uma nova. A fase provoca coceira intensa e sensibiliza a pele, já que parte da derme fica exposta até a formação do novo revestimento. Sem membros articulados como patas anteriores com dedos, a nadadeira frontal se torna a principal ferramenta para coçar pontos de difícil acesso.

Os tapas na barriga cumprem três funções associadas à higiene:

• Remover pele solta: o impacto destaca fragmentos de pelagem antiga e resíduos aderidos.
• Desprender parasitas: pequenos crustáceos ou vermes externos são desalojados pela força do golpe.
• Estimular circulação: o fluxo sanguíneo extra acelera a recuperação da pele nova.

Sem essa estratégia, a muda poderia prolongar-se, expondo o animal a infecções ou perda de isolamento térmico durante longas semanas. Assim, o gesto contribui para manter a barreira protetora funcional e reduzir custos energéticos.

Exibição de dominância: por que focas dão tapas na própria barriga durante a temporada reprodutiva

No ápice da época de acasalamento, machos adultos se reúnem em áreas restritas conhecidas como haréns. A proximidade eleva a tensão social, pois cada exemplar precisa defender porções de praia onde fêmeas repousam para parir ou amamentar. O tapa na barriga torna-se um display de dominância instantâneo: demonstra força, preparo físico e disposição para confrontos, ao mesmo tempo que pode evitar lutas reais.

Pesquisadores classificam a manobra como exibição percussiva. Ela exige coordenação motora, gasto energético e robustez muscular — características que servem como indicadores honestos de qualidade genética. Fêmeas que escutam a batida podem selecionar parceiros a partir dessa avaliação indireta, reforçando a importância evolutiva do comportamento.

Além disso, em águas turvas ou com baixa visibilidade, o sinal sonoro ganha relevância sobre os elementos visuais. Assim, mesmo sem contato direto, machos rivais percebem a presença de um competidor forte e reconsideram uma aproximação que pudesse levar a lesões severas.

Aprendizagem em cativeiro e reforço positivo

Centros de reabilitação e aquários relatam que exemplares mantidos sob cuidados humanos repetem o tapa abdominal como resposta a expectativa de alimento. Focas são membros da subordem Caniformia, reconhecidamente inteligentes e capazes de formar associações rápidas. Observando a reação de tratadores e visitantes, elas aprendem que a ação resulta em atenção ou em entrega de peixes.

Ainda que a motivação difira da encontrada na natureza, o padrão motor permanece idêntico. Isso confirma que o comportamento tem raízes sólidas na fisiologia e na neurobiologia da espécie, podendo ser adaptado a novos contextos sem perder a forma original.

Conclusão factual: evidências científicas consolidam a importância do comportamento

O conjunto de dados obtidos por mergulhadores, biólogos e equipamentos de gravação subaquática sustenta a ideia de que o som gerado quando focas dão tapas na própria barriga atua como componente sofisticado da comunicação marinha. O estudo conduzido com vídeos do pesquisador Ben Burville, por exemplo, estabeleceu que a frequência do ruído funciona como aviso social e mede força relativa entre machos, reduzindo choques físicos potencialmente letais.

Ao integrar comunicação, termorregulação, higiene e sinalização de dominância, esse comportamento confirma a capacidade adaptativa dos pinípedes em ambientes extremos e ruidosos. Novas investigações sobre intensidade, padrão de repetição e variação entre espécies podem ampliar a compreensão de como sons produzidos pelo próprio corpo evoluíram como linguagem funcional no reino animal.

OrganizaSimples

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe. Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

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