Primeiro ciclone extratropical de 2026 ameaça Sul do Brasil com ventos de 100 km/h e chuva extrema

O ciclone extratropical que inaugura a temporada de 2026 ganhou força neste fim de semana e coloca o Sul do Brasil em estado de atenção máxima. O sistema, formado a partir de uma área de baixa pressão entre o Paraguai e o norte da Argentina, deve atuar entre o Uruguai e o Rio Grande do Sul, provocando rajadas de vento de até 100 km/h, chuva volumosa em curtos intervalos e possibilidade de granizo isolado. Especialistas alertam que acumulados próximos de 100 mm em apenas seis horas podem pressionar redes de drenagem urbana e causar alagamentos rápidos.
- Gênese do ciclone extratropical: baixa pressão ganha força no Cone Sul
- Rota prevista do ciclone extratropical: de Santa Vitória do Palmar ao Atlântico
- Impactos imediatos: ventos de 100 km/h, acumulados de 100 mm e granizo
- Expansão da instabilidade: Santa Catarina, Paraná e frente fria associada
- Alerta hidrológico e urbano: risco elevado em curto espaço de tempo
- Recomendações de segurança durante a passagem do ciclone
- Próximos passos: monitoramento até a dissipação no Atlântico
Gênese do ciclone extratropical: baixa pressão ganha força no Cone Sul
A formação do fenômeno começou nos dias 8 e 9 de janeiro, quando a pressão atmosférica caiu de forma acentuada sobre uma faixa que abrange o Paraguai e o norte da Argentina. Nesse ambiente, o ar quente e úmido convergiu e ascendeu, criando nuvens carregadas e chuva persistente. Esse estágio inicial funcionou como “motor” para o sistema, mas ainda não configurava o ciclone em si. Foi somente na madrugada de sábado, 10 de janeiro, que a baixa pressão se organizou definitivamente, originando o primeiro ciclone extratropical de 2026, já posicionado entre o Uruguai e o Rio Grande do Sul.
O contraste térmico fornecido pela massa de ar quente continental e pela entrada de ar mais frio proveniente do oceano impulsionou a rotação dos ventos em torno do núcleo de baixa pressão. Esse processo baroclínico, típico de latitudes médias, explica a rapidez com que o sistema ganhou intensidade. Com o centro delimitado, bandas de nebulosidade passaram a se organizar em espiral, um indício clássico de ciclones dessa natureza.
Rota prevista do ciclone extratropical: de Santa Vitória do Palmar ao Atlântico
A trajetória estimada indica que, ainda no sábado, o núcleo do sistema se manteve sobre território gaúcho, intensificando áreas de instabilidade ao seu redor. No domingo, 11 de janeiro, o fenômeno deve migrar para leste, cruzando o extremo sul do Rio Grande do Sul, na altura de Santa Vitória do Palmar. Esse deslocamento lateral tende a manter as rajadas de vento mesmo em locais onde a chuva não é tão intensa, pela diferença de pressão entre o centro do ciclone e regiões periféricas.
Na segunda-feira, 12 de janeiro, o sistema deve avançar rapidamente sobre o oceano Atlântico. A partir daí, a influência direta sobre o continente diminui, mas efeitos residuais, como céu encoberto e precipitação fraca, ainda podem persistir por algumas horas em áreas do Sul. Essa saída veloz é característica de ciclones extratropicais formados em latitudes médias durante o verão, quando a corrente de jato em altos níveis costuma acelerar seu deslocamento.
Impactos imediatos: ventos de 100 km/h, acumulados de 100 mm e granizo
O Rio Grande do Sul concentra o alerta mais severo. Regiões do Centro e Oeste do estado podem registrar volumes próximos de 100 mm em seis horas, condição capaz de provocar alagamentos, transbordamento de cursos d’água e deslizamentos em encostas instáveis. Além disso, rajadas de 80 km/h a 100 km/h podem derrubar árvores, postes e comprometer a rede elétrica.
A combinação de calor, umidade elevada e circulação ciclônica favorece a formação de nuvens cumulonimbus, aquelas associadas a descargas elétricas frequentes e granizo. No sábado, praticamente todo o território gaúcho fica sujeito a temporais. No domingo, a chuva tende a perder intensidade no norte do estado, mas áreas próximas ao trajeto do sistema continuam vulneráveis. A população deve ficar atenta a quedas de temperatura repentinas, indicativo da aproximação de células de tempestade.
Expansão da instabilidade: Santa Catarina, Paraná e frente fria associada
O ciclone em si atua diretamente sobre o extremo sul gaúcho, mas suas ramificações atmosféricas alcançam Santa Catarina e Paraná. Nesses estados, os temporais devem começar pelo oeste no sábado e se propagar para as demais áreas ao longo do dia. Ventos moderados a fortes, entre 50 km/h e 70 km/h, podem acompanhar a precipitação, ainda que em intensidade menor que no Rio Grande do Sul.

Imagem: Inmet
Ligada ao sistema, uma frente fria avança para norte e deve atingir Mato Grosso do Sul e o oeste de São Paulo a partir de domingo. Nesse ponto, as chuvas se intensificam nessas regiões, mas por razões distintas: a frente fria fornece o gatilho dinâmico, enquanto o calor típico do verão aumenta o aporte de umidade. Importante ressaltar que as pancadas previstas para sexta e sábado em Mato Grosso do Sul e São Paulo têm origem convectiva isolada e não estão diretamente ligadas ao ciclone extratropical.
Alerta hidrológico e urbano: risco elevado em curto espaço de tempo
Precipitações acima de 60 mm em período inferior a seis horas costumam sobrecarregar sistemas de drenagem urbana. Com a possibilidade de 100 mm no Centro e Oeste gaúchos, rios de pequeno porte podem transbordar, e as zonas baixas das cidades tendem a alagar rapidamente. Moradores devem monitorar sinais de elevação repentina dos níveis d’água e manter distância de pontes ou passagens submersas.
Além da chuva, as rajadas de vento acima de 80 km/h oferecem perigo adicional. Telhados mal fixados, outdoors, placas de sinalização e estruturas temporárias são particularmente vulneráveis. Em áreas rurais, lavouras recém-plantadas podem sofrer acamamento devido à força do vento, enquanto a queda de granizo traz risco direto a culturas de maior valor agregado.
Recomendações de segurança durante a passagem do ciclone
A Defesa Civil recomenda que a população evite deslocamentos desnecessários no auge da instabilidade, mantenha distância de cabos elétricos rompidos e não busque abrigo sob árvores. Em caso de granizo, o abrigo mais seguro é dentro de edificações com cobertura resistente. Motoristas devem redobrar a atenção em rodovias, pois a visibilidade pode cair abruptamente durante as pancadas fortes.
Em zonas suscetíveis a deslizamentos, é prudente observar trincas no solo, inclinação de postes ou árvores e surgimento de rachaduras em paredes. Qualquer sinal de movimento deve ser comunicado de imediato às autoridades. Animais domésticos devem ser recolhidos e mantidos em locais protegidos do vento. Equipamentos eletrônicos precisam ser desconectados da tomada para evitar danos por descargas elétricas.
Próximos passos: monitoramento até a dissipação no Atlântico
O ponto crítico da atuação continental do ciclone extratropical se concentra entre a madrugada de sábado e a madrugada de segunda-feira. Após o afastamento para o oceano, previsto para o dia 12, a tendência é de redução progressiva da instabilidade sobre o Sul do Brasil. Mesmo assim, moradores de áreas afetadas devem continuar acompanhando boletins meteorológicos e avisos da Defesa Civil ao longo de todo o período em que o sistema permanecer ativo.

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe.
Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

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