Queda da leitura avança no mundo e acende alerta sobre hábitos culturais e saúde

As estatísticas mais recentes colocam a queda da leitura no centro das preocupações de educadores, gestores culturais e profissionais de saúde. Levantamentos conduzidos por universidades norte-americanas, institutos brasileiros e órgãos de estatística europeus evidenciam um recuo expressivo na prática de ler por prazer, fenômeno que se distribui de maneira desigual entre faixas etárias, níveis de renda, escolaridade, gênero e localização geográfica.
- A dimensão global da queda da leitura
- Queda da leitura nos Estados Unidos: números e desigualdades
- Cenário brasileiro: quando a queda da leitura inverteu a balança
- Tendência europeia repete a queda da leitura, mas revela ilhas de resistência
- Queda da leitura e formatos: papel resiste diante dos ebooks
- Benefícios mensurados da leitura para a saúde
- Perfil etário e de gênero: quem sustenta o hábito em meio à queda da leitura
- Desigualdades regionais e de renda agravam a queda da leitura
- Monitoramento futuro da queda da leitura
A dimensão global da queda da leitura
Estudos reportados em 2024 indicam que o hábito de consumir livros está em declínio pronunciado em três grandes eixos: Estados Unidos, Brasil e União Europeia. Em cada região, a taxa de retração varia, mas o traço comum é a perda de leitores em ritmo anual constante. Entre os norte-americanos, a redução média aproxima-se de 3% a cada doze meses, acumulando mais de quatro décadas percentuais ao longo de vinte anos. Nos lares brasileiros, a virada de maioria leitora para maioria não-leitora foi registrada na edição mais recente da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”. Na Europa, quase metade da população declarou não ter concluído sequer um livro na janela de doze meses investigada pelo Eurostat.
Queda da leitura nos Estados Unidos: números e desigualdades
No território norte-americano, a Universidade da Flórida, em parceria com o University College London, analisou duas décadas de comportamento de leitura. O resultado aponta que mais de 40% das pessoas que mantinham o costume de ler por lazer abandonaram a prática. O ritmo de retração — aproximadamente três pontos percentuais por ano — foi classificado pelos pesquisadores como expressivo e digno de preocupação. Além do recuo geral, o levantamento explicitou discrepâncias: afro-americanos, grupos de menor renda e moradores de zonas rurais apresentam perda proporcional maior de leitores. Mesmo entre mulheres e indivíduos com ensino superior — historicamente mais ligados aos livros — a tendência de declínio aparece, ainda que em patamar menos acentuado.
Cenário brasileiro: quando a queda da leitura inverteu a balança
O Brasil viveu, em 2024, um marco estatístico inédito. Pela primeira vez desde a criação da série histórica do Instituto Pró-Livro, os autodeclarados não-leitores superaram os leitores. A amostra da pesquisa identificou 53% de entrevistados que não recorrem a livros em momentos de lazer, contra 47% que mantêm o hábito. Em 2019, a composição era inversa — 52% diziam praticar a leitura, enquanto 48% se declaravam alheios. Um recorte por sexo mostra que as mulheres continuam lendo mais: estimam-se 50 milhões de leitoras contra 43 milhões de leitores homens. Quanto à idade, apenas dois segmentos demonstraram estabilidade: adolescentes de 11 a 13 anos e pessoas acima dos 70 anos mantiveram o volume de leitura verificado na edição anterior da pesquisa.
Tendência europeia repete a queda da leitura, mas revela ilhas de resistência
Dados do Eurostat para 2024 reforçam o quadro de retração na União Europeia. Quase metade dos cidadãos do bloco declarou não ter lido um único livro em doze meses. Entre os países analisados, Irlanda, Finlândia, Suécia, França, Dinamarca e Luxemburgo figuram na ponta com maior proporção de leitores. Já Itália, Chipre e Romênia ocupam as últimas posições. O recorte de idade revela uma dinâmica inversa à observada nos Estados Unidos: europeus entre 16 e 29 anos leem mais do que aqueles acima de 65. As diferenças de gênero permanecem constantes com predomínio feminino na atividade.
Queda da leitura e formatos: papel resiste diante dos ebooks
A pesquisa europeia incluiu um comparativo entre edições físicas e produtos digitais. A preferência por livros impressos mostrou-se mais que o dobro da registrada para downloads de ebooks ou audiolivros. Essa escolha encontra respaldo em análises acadêmicas provenientes da Universidade de Valência, que em 2022 avaliou a experiência de mais de 450 mil participantes. Os resultados indicaram melhor compreensão textual e processamento profundo quando a leitura ocorre em suporte de papel, efeito amplificado em crianças em idade escolar. A sensação tátil, ausente nas telas, desponta como fator decisivo para retenção de conteúdo.

Imagem: Internet
Benefícios mensurados da leitura para a saúde
Embora os indicadores revelem declínio, estudos de saúde pública documentam ganhos consistentes associados ao ato de ler. Uma investigação da Escola de Saúde Pública de Yale relacionou leitura frequente a expectativa de vida dois anos superior à de não-leitores, independentemente de renda ou educação. Outros trabalhos citados pelos pesquisadores apontam reduções nos níveis de estresse, melhora de memória e proteção ao funcionamento cognitivo, sugerindo menor risco de demência. Tais conclusões reforçam que a queda da leitura ultrapassa a esfera cultural, alcançando dimensões de bem-estar físico e mental.
Perfil etário e de gênero: quem sustenta o hábito em meio à queda da leitura
Os levantamentos traçam perfis específicos de resiliência. Na população brasileira, pré-adolescentes entre 11 e 13 anos mantêm os mesmos índices de anos anteriores, sinalizando eficácia de programas escolares ou familiaridade com leitura obrigatória. No extremo oposto da escala etária, pessoas acima de 70 anos também conservaram a rotina de folhear livros, possivelmente em função de mais tempo livre ou valorização de atividades intelectuais na aposentadoria. Já na União Europeia, a faixa de 16 a 29 anos concentra a maior frequência de leitura, contrastando com o cenário norte-americano de retração generalizada entre jovens.
Desigualdades regionais e de renda agravam a queda da leitura
Em todas as regiões avaliadas, a condição socioeconômica figura como variável determinante. Nos Estados Unidos, a redução proporcional de leitores é mais incisiva entre moradores de áreas rurais e pessoas de menor renda ou escolaridade. No Brasil, a pesquisa não detalhou renda, mas indicou que as mulheres — grupo que historicamente dedica mais tempo à leitura — ainda lideram o ranking de leitores, embora também apresentem retração. Na Europa, a diferença de desempenho entre países evidencia que políticas públicas, acesso a bibliotecas e tradição cultural podem atenuar ou reforçar a queda da leitura.
Monitoramento futuro da queda da leitura
Os estudos citados não anunciam datas para novas medições, mas, pela periodicidade habitual — anual no caso do Eurostat e quadrienal no levantamento “Retratos da Leitura no Brasil” —, esperam-se atualizações a partir de 2025. A continuidade do monitoramento permitirá verificar se as faixas etárias resistentes manterão estabilidade e se intervenções educacionais ou iniciativas de mercado conseguirão frear a taxa média de retração de 3% ao ano observada nos Estados Unidos.

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe.
Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

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