Relatório de auditoria do BRB revela achados relevantes e chega à Polícia Federal: entenda a investigação e seus impactos

Relatório de auditoria do BRB produzido por escritórios especializados foi entregue à Polícia Federal e ao Banco Central, abrindo um novo capítulo em torno das operações que colocaram o banco estatal do Distrito Federal no centro de uma investigação sobre possível gestão fraudulenta.
- Relatório de auditoria do BRB: o que motivou a entrega
- Detalhes das operações investigadas
- Abertura de inquérito da Polícia Federal e atuação do STF
- Impacto financeiro: compra do Banco Master e prejuízos estimados
- Medidas adotadas pelo BRB para recuperar ativos
- Entidades e profissionais envolvidos no processo
- Próximos passos e expectativa de desdobramentos
Relatório de auditoria do BRB: o que motivou a entrega
O Banco de Brasília (BRB) informou ter concluído a primeira etapa de uma auditoria forense e, em seguida, remetido o documento preliminar às autoridades competentes. Conforme a instituição, o material foi elaborado pelo escritório Machado & Meyer com suporte técnico da empresa Kroll, ambas contratadas para dissecar operações relacionadas a fundos de investimentos, garantias e carteiras de crédito adquiridas pelo banco. A entrega ocorreu em dois momentos distintos: primeiro à Polícia Federal, em 29 de janeiro de 2026, e depois ao Banco Central, em 2 de fevereiro do mesmo ano.
Segundo o comunicado divulgado pelo BRB, o envio do relatório atende ao compromisso de transparência e ao “dever de colaboração” com os órgãos de fiscalização. O banco busca confirmar eventual existência de atos ilícitos e, paralelamente, fundamentar medidas para recuperar créditos, ativos e ressarcir possíveis prejuízos.
Detalhes das operações investigadas
O foco da auditoria incide sobre operações envolvendo a compra de carteiras de crédito e outros instrumentos financeiros. Entre os pontos centrais está a proposta apresentada pelo BRB para adquirir o Banco Master, de propriedade do empresário Daniel Vorcaro, em março de 2025. A negociação incluiu o pagamento de aproximadamente R$ 12 bilhões por carteiras de crédito sem garantia originadas pelo Master. Essas carteiras passaram a compor o balanço do BRB e, posteriormente, levantaram suspeitas de sobrevalorização ou ausência de critérios prudenciais adequados.
Além da proposta de aquisição, o documento examina fundos de investimentos e estruturas de garantia utilizadas nas transações. A auditoria busca rastrear a origem dos ativos, as etapas de análise de risco aplicadas e a efetiva documentação de cada operação. O objetivo é identificar falhas processuais ou conluios que possam ter impactado a solidez financeira do banco.
Abertura de inquérito da Polícia Federal e atuação do STF
No mesmo período em que o relatório chegava à Polícia Federal, a corporação instaurou inquérito específico para apurar indícios de gestão fraudulenta no BRB. A investigação foi autorizada pelo ministro Dias Toffoli, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), e remetida à Procuradoria-Geral da República para acompanhamento. A autorização do STF confere amplitude de alcance ao inquérito, já que o Supremo detém competência para supervisionar apurações que envolvem autoridades com prerrogativa de foro ou temas de alta relevância institucional.
Com a abertura formal do inquérito, o relatório de auditoria passa a ser uma das principais peças de análise para a Polícia Federal. Os investigadores deverão cruzar dados internos do banco, depoimentos de gestores e informações bancárias externas para confirmar ou descartar a prática de delitos previstos na legislação financeira.
Impacto financeiro: compra do Banco Master e prejuízos estimados
Documentos já analisados em procedimentos anteriores apontam que o BRB pode ter sofrido perdas de até R$ 5 bilhões em decorrência das negociações com o Banco Master. O cálculo preliminar considera a diferença entre o valor pago pelas carteiras de crédito e a efetiva capacidade de recuperação desses ativos. O Banco Master, que pertence a Daniel Vorcaro, é alvo de múltiplas apurações por suspeitas de fraudes financeiras de grande magnitude.

Imagem: Camila Bomfim
Além disso, o Banco Central — responsável por regular o sistema financeiro — determinou que o BRB reserve R$ 3 bilhões como colchão de segurança para manter suas operações. A exigência reforça o impacto potencial das transações questionadas sobre a liquidez do banco e sinaliza a necessidade de proteção contra deterioração patrimonial.
Medidas adotadas pelo BRB para recuperar ativos
Diante do cenário detectado pela auditoria, o BRB informou que já desencadeou “inúmeras medidas institucionais, administrativas, extrajudiciais e judiciais” ligadas às operações investigadas. Parte dessas ações tramita sob sigilo, porém todas convergem para a chamada “Operação Compliance Zero”, expressão utilizada pelo banco para designar o conjunto de esforços voltados à recomposição de valores e responsabilização dos envolvidos.
De acordo com o comunicado, o banco pretende intensificar essas iniciativas “com a maior brevidade possível”. Entre as estratégias anunciadas estão o reforço de processos internos de governança, pleitos judiciais para bloquear bens de devedores e tentativas de renegociação de contratos que apresentam risco elevado de inadimplência.
Entidades e profissionais envolvidos no processo
A trama que circunda o relatório de auditoria do BRB envolve diversos atores institucionais e privados. O escritório de advocacia Machado & Meyer foi escolhido para liderar a investigação forense, contando com a consultoria da Kroll, especializada em análises corporativas complexas. No âmbito estatal, a Polícia Federal conduz o inquérito policial, enquanto o Banco Central supervisiona a estabilidade do sistema financeiro e determinou provisão bilionária ao BRB.
No Judiciário, o ministro Dias Toffoli atua como relator do caso no STF, autorizando diligências e garantindo a obediência às normas processuais. Já o Banco Master, comandado por Daniel Vorcaro, aparece como contraparte vendedora das carteiras de crédito e alvo de averiguações externas por suposta fraude.
Próximos passos e expectativa de desdobramentos
O inquérito autorizado pelo STF segue agora para a Procuradoria-Geral da República, que avaliará eventuais denúncias criminais. Paralelamente, o Banco Central acompanha a implementação da reserva de R$ 3 bilhões e o cumprimento das exigências prudenciais. Internamente, o BRB prepara novas medidas para ampliar a recuperação de créditos, conforme indicado no comunicado oficial. O andamento dessas frentes investigativas e judiciais definirá o impacto final sobre o patrimônio do banco e a eventual responsabilização dos agentes citados na “Operação Compliance Zero”.

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe.
Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

Conteúdo Relacionado