Samba no pé: técnica, postura e respeito à bateria para brilhar no carnaval

Samba no pé é, para muitos foliões, o passaporte definitivo para atravessar a avenida com confiança, elegância e sintonia com a bateria. A partir das orientações dos coreógrafos Victor Allonzo, Mary Prado e Marcus Prado, este artigo detalha quem pode aprender, quanto tempo leva, quais partes do corpo conduzem o movimento e por que gestos simples, como o tapinha no peito, carregam profundo significado no contexto do carnaval.

Índice

Por que o samba no pé é considerado acessível a todas as pessoas

Mary Prado, diretora da ala de passistas da Camisa 12, sustenta que a dança “atrai todos os povos, todas as culturas e agrega”. Segundo ela, a prática não se restringe a biotipo, etnia ou classe social. Essa visão inclusiva se baseia na vivência de quem já ensinou celebridades de perfis variados — entre elas, Sabrina Sato, Lexa, Rafa Kalimann e Thaila Ayala — e observou que cada aluno evolui a partir de suas próprias referências corporais e emocionais. Assim, a premissa central do trio de professores é que qualquer pessoa, desde que disposta, encontra no samba uma forma de expressão compatível com sua individualidade.

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A declaração tem eco nos ensaios das escolas de samba: passistas veteranos, integrantes de comunidade, artistas convidados e iniciantes dividem o mesmo espaço, reforçando a pluralidade. A base democrática do ritmo se manifesta quando o aprendiz compreende que o samba não exige habilidades prévias, apenas disposição para sentir a música e permitir que o corpo responda a ela.

Tempo de aprendizado do samba no pé: ritmo interno e respeito ao corpo

Em relação ao período necessário para dominar o passo, Mary Prado afirma que “o samba no pé está dentro do nosso corpo”. A frase sinaliza que o processo não é cronológico nem pode ser padronizado. Entre os alunos que passaram pelos estúdios de Victor Allonzo e dos irmãos Prado, há quem assimile os fundamentos em poucos encontros e quem precise de uma temporada estendida de treinamentos.

Essa variação se explica por fatores como histórico de prática corporal, coordenação motora e frequência de ensaio. Por essa razão, o trio de coreógrafos adota metodologia que respeita limites e celebra pequenas conquistas: primeiro, sentir o ritmo; depois, ajustar deslocamento, postura e respiração. O progresso, portanto, é definido menos por contagem de aulas e mais pela capacidade de cada praticante de internalizar o compasso da bateria.

Estrutura técnica: pés, braços e quadril alinhados ao samba no pé

Victor Allonzo, passista de ouro da Águia de Ouro, sintetiza a base técnica do movimento como uma dança solo em que “o corpo inteiro” participa. O gesto nasce no contato do pé com o chão, mas ganha destaque a partir da conexão simultânea com braços, joelhos, quadril e tronco. A troca de perna acompanha a troca de braço, gerando uma linha diagonal que equilibra o corpo e cria a ilusão de avançar no ritmo sem perder leveza.

Detalhar esses pontos faz diferença para quem pretende desfilar. Nos ensaios conduzidos pelos professores, o principiante aprende a:

Pés: marcar o compasso, alternando apoio e deslocamento sem “pisar pesado”.
Joelhos: manter flexão suave, permitindo absorção do impacto e agilidade nos giros.
Quadril: acompanhar o deslocamento, evitando rigidez que limitaria a cadência.
Braços: executar balanço controlado, incrementando a “bossa” sem desequilibrar.
Tronco: preservar postura ereta, projetando elegância e confiança.

Essa engrenagem garante que o passista ocupe a avenida com amplitude, visibilidade e harmonia com o som da bateria, considerada o “coração” da escola. O resultado buscado pelos coreógrafos é a fusão de técnica e espontaneidade: passos marcados, mas aparência natural.

Mudanças na avenida: coreografias virais e equilíbrio com a tradição

Nos últimos carnavais, vídeos de rainhas de bateria executando breves coreografias sincronizadas com as bossas da bateria ganharam espaço nas redes sociais. Mary Prado reconhece a visibilidade amplificada pela internet, mas lembra que a prática de dançar conforme as viradas do ritmo não é recente em São Paulo. Para passistas experientes, a novidade reside mais na exposição das imagens do que no conteúdo do gesto.

A cautela dos professores é evitar que a busca por viralização ultrapasse a essência do samba. Quando a coreografia ocupa tempo excessivo, o risco é ofuscar o passo tradicional e afetar a harmonia geral do desfile. O desafio, portanto, consiste em equilibrar inovação e respeito às raízes, permitindo que a rainha demonstre carisma, mas preservando o samba como linguagem central.

Diferenças entre samba de roda, de bloco e desfile de carnaval

Marcus Prado, também passista de ouro da Águia de Ouro, classifica as variações do ritmo de acordo com o ambiente e a cadência musical. Nos blocos de rua, predominam marchinhas e repertório variado, favorecendo saltos e brincadeiras que nem sempre cabem no passo tradicional. Já o samba de roda e o pagode mantêm andamento moderado, oferecendo momentos de aceleração, mas permitindo conversas e improvisos mais pausados.

No desfile de carnaval, o quadro muda: a música permanece “lá em cima” do início ao fim, exigindo do sambista resistência, coordenação e controle de respiração. São minutos ininterruptos de performance, sob luzes fortes, fantasias volumosas e sapatos que, no caso das mulheres, frequentemente incluem salto alto. Mesmo para quem domina a técnica, a preparação física torna-se componente indissociável do sucesso.

Preparação física, carnaval e a simbologia do tapinha no peito

Encarar a avenida significa percorrer dezenas de metros de chão abrasivo, mantendo sorriso e canto. Marcus Prado recomenda treinamento aeróbico e fortalecimento muscular para reduzir dores nas pernas e proteger articulações. Segundo ele, a perda de fôlego pode comprometer a execução dos passos e a expressividade facial, ambos avaliados durante o desfile.

Dentro desse cenário, o tapinha no peito — gesto que voltou aos holofotes após vídeo de ensaio da Grande Rio com Virgínia Fonseca — cumpre função simbólica. Para Marcus, a mão pousada sobre o coração exprime reverência à escola e à bateria, além de sinalizar entrega total. O movimento, por vezes incorporado ao enredo ou à marcação da cadência, reafirma o laço de respeito entre a rainha e o “exército” de ritmistas que a acompanha.

A orientação dos professores é que quem ocupa posição de destaque invista tempo em estudo do samba, da história da agremiação e, quando possível, participe de ensaios durante todo o ano. Esse comprometimento assegura fluidez na avenida e evita que o gesto se transforme em mero adereço estético.

Victor Allonzo: passista de ouro da Águia de Ouro, acumula aulas voltadas a artistas de televisão e influenciadores digitais.
Mary Prado: diretora da ala de passistas da Camisa 12, reconhecida pela promoção da inclusão de perfis diversos no carnaval paulistano.
Marcus Prado: passista de ouro da Águia de Ouro, especialista em condicionamento físico aplicado à dança.

Juntos, os três compõem equipe que alia experiência de avenida, didática para iniciantes e visão estratégica sobre a exposição midiática das escolas. O método compartilhado por eles parte do princípio de que cada sambista, seja estreante ou veterano, precisa identificar seu ritmo interno, dominar a técnica e compreender o significado cultural dos gestos.

No calendário das agremiações, os ensaios gerais se intensificam nas semanas que antecedem o desfile oficial. Alunos que embarcarem no aprendizado do samba no pé com antecedência encontram maior margem para aprimorar postura, ganhar resistência e assimilar os códigos simbólicos que conferem identidade ao espetáculo.

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OrganizaSimples

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe. Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

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