Série Ouro 2026: escolas tradicionais travam duelo histórico pelo retorno ao Grupo Especial

Na contagem regressiva para o carnaval, a Série Ouro de 2026 chama atenção por reunir agremiações com histórico de campeãs do Grupo Especial e projetos ambiciosos de enredo. Entre as sete escolas que desfilam na sexta-feira, 13 de fevereiro, e as oito de sábado, 14, antigos títulos, trajetórias de resistência e disputas recentes prometem uma competição das mais equilibradas na luta pela ascensão à elite do samba carioca.
- Panorama da Série Ouro 2026: tradição e retorno ao topo
- Império Serrano e Estácio de Sá: campeãs do passado buscam novo troféu na Série Ouro
- Unidos de Padre Miguel: reparação e protagonismo indígena marcam estratégia para a Série Ouro
- Clara Camarão e a construção visual do enredo indígena
- Estácio de Sá conta a história de Tata Tancredo para impressionar na Série Ouro
- Ordem dos desfiles da Série Ouro 2026 e expectativas finais
Panorama da Série Ouro 2026: tradição e retorno ao topo
O antigo Grupo de Acesso, hoje denominado Série Ouro, funciona como porta de entrada para o escalão principal dos desfiles da Marquês de Sapucaí. Em 2026, quinze escolas medem forças com o mesmo objetivo: garantir a única vaga de promoção disponível. Entre elas, duas ostentam no currículo conquistas históricas do carnaval do Rio de Janeiro – Império Serrano (1960, 1972, 1982) e Estácio de Sá (1992) – enquanto a Unidos de Padre Miguel retorna ao grupo após uma temporada no Especial em 2025. A lista ainda inclui agremiações tradicionais de bairros populosos da capital, como Inocentes de Belford Roxo, União da Ilha do Governador e Unidos de Bangu, compondo um quadro competitivo que mescla experiência, renovação e forte identidade comunitária.
Império Serrano e Estácio de Sá: campeãs do passado buscam novo troféu na Série Ouro
Fundado em 1947, o Império Serrano chega à Série Ouro com a legitimidade de quem já celebrou três campeonatos no Grupo Especial. Depois de alternar entre as divisões nas últimas décadas, a escola da Serrinha vê 2026 como oportunidade para retomar o protagonismo perdido. Também habituada aos holofotes da avenida, a Estácio de Sá, originária do Morro de São Carlos e herdeira direta da histórica Deixa Falar, soma 71 anos de estrada desde a fundação como Unidos de São Carlos em 1955. Seu título de 1992 permanece como referência de excelência e alimenta o desejo de regressar ao topo exatamente na proximidade do centenário que será comemorado em 2027.
Enquanto o Império aposta na força de sua comunidade e no legado de sambas antológicos, a Estácio de Sá centra esforços em um enredo biográfico que destaca um dos personagens mais influentes de sua própria história: Tancredo da Silva Pinto, conhecido como Tata Tancredo. Ao valorizar a trajetória do escritor, compositor e líder religioso, a escola reforça a conexão com temas afro-brasileiros, identidade profundamente ligada à sua origem no Estácio.
Unidos de Padre Miguel: reparação e protagonismo indígena marcam estratégia para a Série Ouro
A Unidos de Padre Miguel (UPM) encara a Série Ouro depois de ter sido rebaixada do Grupo Especial em 2025, situação que a diretoria classificou como injusta devido a falhas técnicas e divergências na leitura do samba-enredo pelos jurados. A agremiação questionou, sem sucesso, a perda de pontos provocada por termos em iorubá considerados pouco explicativos e por problemas de som durante a apresentação. Para 2026, o sentimento de reparação ganha corpo no enredo “Kunhã-Eté – O Sopro Sagrado da Jurema”, dedicado à guerreira indígena potiguara Clara Camarão, figura que liderou resistência à invasão holandesa no século XVII.
Chamado para desenvolver a narrativa, o carnavalesco Lucas Milato estruturou 22 alas e três alegorias, alinhando simbolismo religioso e pesquisa histórica. A proposta exalta rituais como o Toré e a força da Jurema Sagrada, ao mesmo tempo em que realça a presença feminina na própria escola, presidida por Lara Mara. O projeto enfatiza a manutenção da memória de mulheres cujos feitos foram invisibilizados após o período colonial, colocando o palco da Sapucaí como espaço de resgate e celebração.
Clara Camarão e a construção visual do enredo indígena
No desenvolvimento criativo do desfile da UPM, Clara Camarão surge como elo entre história documentada e tradição oral preservada pelos Potiguaras. Segundo a pesquisa conduzida por Milato, a escassez de registros escritos após a morte do marido da guerreira evidencia o apagamento feminino nos relatos coloniais. Para preencher lacunas, a narrativa recorre à Jurema, árvore mística reverenciada pelos povos do Nordeste, como metáfora de memória viva que resiste a documentos oficiais. As três alegorias retratam ancestralidade indígena, o comando do exército feminino e a apoteose espiritual de Clara transformada em entidade de luz, combinando cenografia barroca – alusiva às batalhas – com tons de verde que simbolizam a floresta sagrada.
Além de efeito visual, o enredo pretende mobilizar a comunidade de Padre Miguel, apontada pela direção como principal trunfo emocional. A expectativa é que o caráter de manifesto eleve a experiência do público e da comissão julgadora, fortalecendo a candidatura à vaga no Grupo Especial.

Imagem: Tomaz Silva
Estácio de Sá conta a história de Tata Tancredo para impressionar na Série Ouro
Se a UPM aposta no resgate indígena, a Estácio de Sá mergulha na herança afro-brasileira com “Tatá Tancredo: o Papa Negro no terreiro do Estácio”. O enredo percorre a vida de Tancredo da Silva Pinto desde Cantagalo, no interior fluminense, até sua atuação no Morro de São Carlos, onde ajudou a fundar a Deixa Falar – considerada a primeira escola de samba do país. A narrativa destaca a versatilidade do homenageado: autor de mais de 60 composições, escritor de dezenas de livros, colunista de jornal por duas décadas e responsável pela expansão da umbanda omolokô em território nacional.
Com direção artística de Marcus Paulo, o desfile apresentará episódios como a Gira de Umbanda no Maracanã em 1965 e a introdução de rituais de réveillon em Copacabana, práticas que se popularizaram até se tornarem parte do calendário turístico da cidade. Ao reconhecer a pluralidade religiosa defendida por Tancredo – que reintegrou elementos africanos, indígenas e europeus à umbanda – a Estácio reforça sua identidade, profundamente ligada à cultura negra urbana do Rio.
Ordem dos desfiles da Série Ouro 2026 e expectativas finais
O cronograma divulgado pela organização determina que, na sexta-feira, 13 de fevereiro, passam pela Sapucaí: Unidos do Jacarezinho, Inocentes de Belford Roxo, União do Parque Acari, Unidos de Bangu, Unidos de Padre Miguel, União da Ilha do Governador e Acadêmicos de Vigário Geral. No sábado, 14, será a vez de Botafogo Samba Clube, Em Cima da Hora, Arranco do Engenho de Dentro, Império Serrano, Estácio de Sá, União de Maricá, Unidos do Porto da Pedra e Unidos da Ponte.
A avaliação dos jurados segue critérios técnicos estabelecidos pela Liga, abrangendo samba-enredo, harmonia, evolução, bateria, quesitos visuais e enredo. Ao término da apuração, apenas uma escola ascenderá ao Grupo Especial de 2027, enquanto a última colocada retornará à Série Prata. Com títulos históricos, enredos de forte conteúdo sociocultural e comunidades motivadas, a disputa de 2026 consolida a Série Ouro como espaço de grande relevância artística e política dentro do calendário do carnaval carioca.
A próxima data importante para as agremiações é o sorteio da ordem oficial de apresentação na passarela, evento que definirá posições e horários de concentração para as noites de 13 e 14 de fevereiro.

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe.
Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.
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