Solstício de dezembro: Lua atinge periélio na véspera e inaugura série de eventos astronômicos

Solstício de dezembro e periélio lunar formam um par de acontecimentos astronômicos que, em sequência, marcam o cenário celeste do fim de semana: às 12h58 de sábado (20) a Lua alcança o ponto mais próximo do Sol em sua órbita atual, e às 12h03 de domingo (21) ocorre o solstício que inaugura o verão no hemisfério sul, oferecendo o dia mais longo de 2024 para essa metade do planeta.
Solstício de dezembro: o que ocorre com a posição do Sol
O solstício de dezembro corresponde ao instante em que o Sol atinge sua maior inclinação aparente em relação à Linha do Equador terrestre. Nesse momento, o astro parece “parar” por um curto período antes de retomar o deslocamento no firmamento, fenômeno que motivou a origem latina do termo — “sol” (Sol) e “sistere” (parar). A geometria orbital da Terra, composta pela translação ao redor da estrela e pela rotação em torno de seu próprio eixo, faz com que a distribuição de luz seja desigual entre os hemisférios. Em dezembro, o hemisfério sul passa a receber a maior quantidade de radiação solar direta, resultando em dias mais extensos e noites mais curtas.
Nesse cenário, o domingo (21) oferece o maior intervalo de claridade de todo o ano, uma vez que o Sol atinge sua altura máxima no céu austral. Em termos práticos, a data significa o arranque oficial do verão e introduz um período em que, segundo meteorologistas, as temperaturas ficarão acima do normal em boa parte do Brasil, enquanto o volume de chuvas tende a permanecer levemente abaixo da média histórica.
Periélio lunar: proximidade inédita antes do solstício de dezembro
A véspera do solstício de dezembro traz outro dado relevante: o periélio lunar. De acordo com o guia de observação InTheSky.org, às 12h58 (horário de Brasília) de sábado (20) a Lua estará a apenas 0,9958 unidade astronômica do Sol — aproximadamente 149,3 milhões de quilômetros. Embora o termo periélio seja mais comum em associação à órbita da Terra, ele vale para qualquer corpo que circunde a estrela. Trata-se, portanto, do instante exato em que a Lua, em seu percurso ao redor do nosso planeta, atinge a menor distância possível do Sol ao longo do ciclo corrente.
Mesmo não sendo perceptível a olho nu, essa configuração reforça a dinâmica entre os dois principais objetos que influenciam a vida na Terra. A sequência periélio-solstício, com menos de 24 horas de diferença, ressalta quão complexas e interligadas são as trajetórias de Terra e Lua quando comparadas à posição do Sol.
Horários, distâncias e dados de observação
Os relógios astronômicos fixam marcos precisos para esse fim de semana. O periélio da Lua ocorre em 20 de dezembro, às 12h58. No dia seguinte, 21 de dezembro, às 12h03, inicia-se oficialmente o verão com o solstício de dezembro. Durante o periélio, a medição de 0,9958 unidade astronômica representa leve variação em relação a 1 UA, distância média Terra-Sol. Convertido, o valor equivale a 149,3 milhões de quilômetros.
Esses números ilustram a estabilidade orbital do sistema Terra-Lua. Enquanto o satélite completa sua revolução mensal, seu afastamento ou aproximação do Sol varia de forma sutil, sem impacto direto sobre marés ou luminosidade. Entretanto, a coincidência temporal com o solstício produz um calendário astronômico concentrado, o que desperta interesse de observadores e pesquisadores.

Imagem: Sakurra Shutterstock
Conjunção Lua-Saturno em 27 de dezembro: desdobramento pós-solstício
A agenda celeste de dezembro não encerra com o solstício de dezembro. No sábado seguinte (27) ocorre a conjunção astronômica entre a Lua e Saturno. Segundo o InTheSky.org, o alinhamento técnico, chamado conjunção, dá-se às 0h34, quando ambos os corpos compartilham a mesma ascensão reta. Contudo, o momento em que ficarão mais próximos visualmente, conhecido como appulse, está previsto para 21h08, a 31° acima do horizonte oeste.
Entre 19h29 e 23h36, Lua e Saturno dividem o céu, mas a conjunção formal permanece invisível para o público, pois acontece fora da janela observável a partir do Brasil. Ainda assim, a aproximação aparente será notável. O satélite resplandecerá na constelação de Peixes, com magnitude de –11,8, enquanto Saturno, em Aquário, terá magnitude 0,9. Como regra, quanto mais negativo o valor, mais brilhante o objeto. Embora a distância angular impeça que ambos caibam no campo de visão de um telescópio padrão, será possível identificá-los a olho nu ou por meio de binóculos simples.
Próximos encontros planetários após o solstício de dezembro
O calendário lunar continua ativo ao longo de janeiro. A sequência de conjunções inicia-se no dia 3, quando a Lua se alinha a Júpiter. Depois, em 23 de janeiro, ocorrem dois eventos no mesmo dia: primeiro com Saturno, depois com Netuno. Por fim, em 30 de janeiro, o satélite volta a encontrar Júpiter. Essa cadência de aproximações acontece porque a órbita da Lua se mantém praticamente no mesmo plano em que os planetas giram ao redor do Sol, região conhecida como plano da eclíptica.
Cada conjunção adiciona novos pontos de interesse aos observadores, mas nenhuma interfere na característica fundamental do verão recém-iniciado: dias prolongados, noites curtas e temperaturas mais altas, resultado direto da posição terrestre em relação ao Sol estabelecida pelo solstício de dezembro.
O último evento confirmado do mês é justamente a conjunção Lua-Saturno em 27 de dezembro, fechando a sequência imediata que começou com o periélio lunar e prosseguiu com o solstício que inaugurou a estação mais quente do ano.

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou apaixonada por tornar a vida mais leve, prática e organizada — especialmente depois que me tornei mãe.
Criei o Organiza Simples como um cantinho acolhedor para compartilhar tudo o que aprendi (e continuo aprendendo!) sobre organização da casa, da rotina e da mente, sem fórmulas impossíveis ou metas inalcançáveis.

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